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Por FÁBIO ALEXANDRE
Ligar
o computador nas primeiras horas da manhã e desligá-lo
apenas no
começo da madrugada. A exposição excessiva
ao mundo virtual pode trazer benefícios e malefícios
que recentemente ganharam espaço com a popularização
da Internet. Mundialmente conhecida desde 1993, a grande rede
de computadores é uma enorme fonte de informações,
mas vem se transformando também em ponto de encontro de
crianças, adolescentes e até mesmo adultos, que
trocam as agruras do mundo real pelas facilidades em se relacionar
no universo virtual.
“Quando tomei contato com a Internet, fiquei encantado com
tudo que eu podia fazer e achar ‘naquilo’”,
recorda o web designer Marcelo da Costa Maffezoli, de 24 anos.
“Sempre fui louco por informática em geral. Antes
mesmo de iniciar meu primeiro curso de informática básica,
entre 1995 e 96, já fuçava o computador de onde
meu pai trabalhava”, observa. “Mas o interesse pela
Internet apareceu quando comprei meu primeiro computador.”
Atualmente, a rotina do web designer é totalmente voltada
à tela do computador. “Eu só largo dele para
dormir”, brinca. “Acordo e ligo o computador às
7h e só vou desligar depois da meia-noite. Não sei
mais viver sem ele, seja pra trabalhar ou pra falar com a galera”,
comenta. Contudo, Marcelo lembra que, atualmente, não permite
que o mundo “virtual” atrapalhe seu cotidiano. “Houve
um tempo em que atrapalhou sim, principalmente no começo”,
ressalta. “Antes eu virava madrugadas por besteira na frente
do computador. Deixava de sair com os amigos e tudo mais.”
Tudo mudou quando seu computador, ironicamente, deixou de funcionar.
“Me lembro que não conseguia fazer mais nada, digamos,
sem ajuda do computador”, conta o web designer. “Ficava
com a cabeça naquilo, achando que se eu saísse da
Internet, o MSN ia ficar ‘bombando’ e eu ia ficar
sem ver as mensagens. Tava meio paranóico”, lembra.
“Foi neste momento que, por sorte – hoje eu digo isso,
na época não – meu micro quebrou e fiquei
um mês sem ele”, comenta. “Então tinha
que achar o que fazer. Aí comecei a perceber que tava perdendo
os amigos e deixando de fazer muitas coisas legais.”
Neste momento, Marcelo promoveu uma auto-análise. “Com
o tempo, me dei conta do que estava perdendo e fui priorizando
certas coisas”, examina. “Hoje em dia, só viro
a madrugada na frente do computador por questões profissionais”,
enfatiza. “Não troco uma noite ao lado dos amigos,
pra tomar uma cervejinha e dar umas risadas, pra ficar na frente
do micro”, garante.
Comunicadores
A
Internet é uma das principais ferramentas de trabalho do
web designer, mas Marcelo revela como conseguiu conciliar trabalho
e diversão na grande rede. “Na verdade, tenho dois
comunicadores instantâneos. Um para os contatos pessoais
e outro para os profissionais”, explica. “Se estou
muito ocupado, só atendo os profissionais. Mas sempre dou
uma olhadinha nos pessoais”, aponta. “Não sou
de ferro, né? Pra passar tanto tempo na frente do micro,
a gente tem que se distrair um pouco”, brinca.
Segundo o web designer, o ideal é estabelecer limites.
“Aconselho a todos pra ficarem atentos. Este é um
vício que pode parecer bom, mas como qualquer outro, faz
muito mal”, analisa. “Você se torna dependente
daquilo e abre mão do convívio social. Eu me recuperei
a tempo e penso que poderia ser ainda melhor se não tivesse
me ‘viciado’”, argumenta. Quanto mais cedo você
perceber seu problema e se esforçar para parar, melhor
será.”
Entretanto, Marcelo lembra que a Internet é uma grande
aliada do homem moderno. “A Internet, assim como qualquer
outra coisa, tem seu lado bom e ruim. Cada um deve saber aproveitá-la
da melhor maneira”, sugere. “Hoje em dia, você
encontra qualquer tipo de informação gratuita e
com qualidade. Muitas pessoas, inclusive eu, utilizam a Internet
pra estudar, fazer cursos de especialização e muito
mais”, esclarece.
De maneira “saudável”, o web designer deixa
claro que encontrar amigos e prováveis paqueras on-line
é extremamente natural. “Tenho muito amigos que conheci
através da Internet. Alguns se tornaram mais amigos do
que outros que conheço há tempos”, conta.
“Também já ‘fiquei’ com algumas
meninas que conheci na net. Uma virou até namoro, mas não
durou muito”, lembra. “Mesmo assim, pelas conversas
via MSN ou Orkut, sabemos que se trata de uma amizade bacana”.
Além disso, a rede de computadores serve para aproximar
as pessoas. “Com a correria dos dias atuais, a Internet
é uma ferramenta que nos permite manter contato com os
amigos distantes”, explica Marcelo. “Ou até
mesmo com aqueles que trabalham na sala ao lado.” Ao que
tudo indica, o melhor mesmo é alcançar um equilíbrio:
encontre seus amigos e paqueras na Internet, mas não dispense
o bom e velho contato pessoal.
Counter-Strike
é ‘febre’ da Internet
Montar
uma equipe sólida, estabelecer táticas e partir
rumo ao objetivo principal: derrotar o oponente. Tais tópicos
podem parecer capítulos de um livro de auto-ajuda, mas
são requisitos básicos para quem gosta do jogo on-line
mais popular do mundo: o Counter-Strike (CS), um dos responsáveis
pela popularização das lan house. Conheça
um pouco mais deste universo com os integrantes do clã
HC (HardCore), patrocinados pela ShotGames.
O clã HC é formado pelos jogadores Ricardo “Gina”
França, 16 anos; Felipe “Fox” Gustavo de Almeida,
18; Adrian “Nash” Giovanni da Silveira, 17; Daniel
“Tek” Martini, 19; e Nathan “FV” Mendes,
18. “Se apresentarmos os jogadores pelo nome, nenhum deles
saberá de quem se trata”, comenta Renan Ascoli, proprietário
da lan house. O CS é um jogo de tiro em primeira pessoa
no qual equipes de terroristas e contra-terroristas se enfrentam
em um território limitado. Competições acontecem
em todo o mundo e alguns clãs profissionais são
patrocinados por grandes empresas.
Formada há pouco mais de um mês, o clã HC
treina diariamente para conquistar bons resultados. “Todos
nós estudamos e trabalhamos, mas mesmo assim dedicamos
de três a quatro horas por dia para os treinamentos”,
conta Gina. Questionado se a maratona virtual não atrapalha
seu cotidiano, Fox é categórico. “Tirando
o sono das poucas horas dormidas, o restante conseguimos controlar”,
comenta. O treinamento consiste na elaboração de
uma tática conjunta para atingir o objetivo, sendo que
as ações são controladas pelo capitão.
“Ao contrário do que alguma pessoas dizem, o CS não
influencia negativamente os jogadores”, ressalta Nash. “Pelo
menos não conhecemos ninguém que deixou a lan house
e saiu por aí atirando”, brinca.
Além de combinar sua própria estratégia,
os jogadores analisam as táticas de outras equipes. “Nas
competições, os jogadores assistem os outros clãs
com o objetivo de montar uma antitática para eliminar as
principais armas daquela equipe”, ressalta Renan. “É
um verdadeiro exercício de criatividade que estimula o
raciocínio rápido dos jogadores”. Contudo,
alguns jogadores ultrapassam certos limites. “Tivemos casos
de jogadores que ‘matavam’ aula para jogar CS”,
lembra. “Por isso, criamos um perfil de nossos clientes
e sabemos quais são seus horários de aula e de trabalho.
Se constatarmos que estão na lan house nestes horários
‘proibidos’, simplesmente não os deixamos jogar”,
observa.
Os integrantes do clã HC confessam que buscam equilibrar
seu tempo entre treinamentos, amigos e família. “Algumas
vezes deixei de treinar para sair e me divertir”, lembra
Fox. “O importante é saber dividir seu tempo, até
porque todos precisamos estar bem, já que além de
estabelecer a nossa tática, precisamos prever a reação
do adversário”, analisa. “Por isso, precisamos
estar com os reflexos em dia. Ou você acorda jogando, ou
dorme de vez”, enfatiza Gina. O intuito do clã é
alcançar uma vaga em grandes competições.
“Treinamos juntos há pouco mais de um mês,
mas acredito que estamos no nível de grandes equipes de
São Paulo”, revela Gina. “Acreditamos que,
no máximo em dois anos, podemos chegar ao nível
mais alto.”
Renan lembra que, em alguns países da Europa, as competições
de CS já são consideradas um esporte. “No
Brasil, a cultura dos jogos de raciocínio ainda está
no começo”, afirma. “Por isso, é difícil
conseguir patrocínio para participar das competições”,
lamenta. O proprietário da ShotGames lembra que outros
jogos dividem as atenções dos jogadores. “Temos
jogos como Warcraft, Tíbia e GunBound, mas o CS é
o mais procurado, com certeza”. Mesmo com tantas opções,
Renan deixa uma dica: “vá devagar, divirta-se, treine
muito, mas priorize sua vida social”.
Glosário
Internet –
um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de
computadores interligados, que permite o acesso a informações
e todo tipo de transferência de dados.
Web designer – profissional
competente para a elaboração do projeto estético
e funcional de um endereço eletrônico, que recorre
a softwares de tratamento e edição de imagens, desenho
e codificadores.
MSN ou Microsoft Service Network – concebido para
ser uma grande BBS (Bulletin Board System), sistema informático
que permite a conexão e comunicação via Internet,
através do computador.
Orkut – rede social filiada
ao Google, criada em 19 de janeiro de 2004, com o objetivo de
ajudar seus membros a crias novas amizades e manter relacionamentos.
Fonte: Wikipedia
Unifesp
oferece tratamento aos dependentes
Trocar
o mundo real pelo virtual pode ser muito mais perigoso do que
se aparenta. O vício em Internet é classificado
como dependência comportamental e pode causar danos físicos
e emocionais ao seu portador. Por isso, o psiquiatra Aderbal Vieira
Júnior iniciou há pouco mais de um ano, no ambulatório
do Programa de Orientação e Atendimento de Dependentes
(Proad) do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp), um trabalho para mapear as características
do “viciado” e identificar alguns sintomas.
“A dependência à Internet é classificada
como qualquer outra e começa exatamente no momento em que
a pessoa conhece a rede de computadores”, comenta o psiquiatra.
“No entanto, vale lembrar que é um transtorno sem
mecanismo patológico, ou seja, não pode ser apontada
como doença, mas sim um distúrbio”, esclarece.
“Tudo começa quando a pessoa percebe que seu comportamento
está diferente daquele que gostaria”, analisa. “Ou
seja, a pessoa resolve entrar por cinco minutos na Internet e
acaba ficando por seis horas ou mais.”
Contudo, Vieira explica que não é a quantidade excessiva
de horas em rede que indica a dependência. “O problema
é o descontrole, que traz problemas insidiosos como o sedentarismo,
ausência de vida social e queda de desempenho no trabalho”,
explica. “Atualmente, além das drogas, tratamos dependentes
em sexo, compras, jogos e Internet”, conta. “Os dependentes
em Internet encontram no mundo virtual uma realidade muito mais
interessante, um verdadeiro espaço de conforto”.
A maioria dos dependentes são de uma faixa etária
menor e apresentam traços introspectivos.
Em seu trabalho de mapeamento das características do viciado
em Internet, a Unifesp já identificou sintomas como sono
excessivo, aumento de peso, lesões por esforço repetitivo
e dores nas costas. “Contamos com várias abordagens
para tratamento. Nos Estados Unidos, já existem alguns
programas de substituição de atitudes e rotinas”,
revela o psiquiatra. “Porém, tratamos a pessoa na
medida em que ela quiser”, acrescenta. “As principais
linhas de terapia são as psicodinâmicas, que ajudam
a pessoa a entender o que está acontecendo com ela.”
Vieira espera um aumento significativo no número de dependentes
nos próximos anos. “No passado, a Internet discada
era pouco acessível”, recorda. “Atualmente
podemos observar o boom da banda larga. Ainda não tivemos
tempos de analisar os prejuízos, mas a tendência
é registrarmos um aumento no número de dependentes”,
observa.
Postura
viciosa pode virar problema
Permanecer
muito tempo sentado à frente do computador pode trazer
diversos problemas físicos. A ausência de um mobiliário
adequado leva a uma postura inadequada e pode causar lesões
aos músculos e doenças ocupacionais como o Distúrbio
Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT).
“A ergonomia é o estudo do ambiente de trabalho e
pode auxiliar aqueles que passam muito tempo no computador”,
comenta o fisioterapeuta José Orlando Martyns, da Energy
Fisio’s. “Três itens devem ser observados: postura
viciosa, inatividade e problemas psicológicos”, afirma.
“Muitas vezes, nosso estado emocional define quantas horas
ficaremos no computador e com que intuito utilizaremos ferramentas
como a Internet”, acrescenta.
Por isso, o fisioterapeuta oferece algumas dicas. “A cada
hora no computador, o correto é descansarmos 10 minutos”,
diz. “Nesta pausa, o ideal é alongar-se e relaxar
a mente”. Exercícios laborais também colaboram.
“Em pequenas caminhadas, produzimos a endorfina, conhecida
como ‘hormônio da felicidade’”, enfatiza
o fisioterapeuta.
O monitor deve ser instalado na horizontal. “O reflexo da
tela pode levar à postura viciosa”, revela. “Como
o reflexo irrita os olhos, buscamos novos ângulos de visualização,
que podem causar hiperextensão dos músculos do pescoço”,
lembra. “A cadeira deve contar com apoio de braço
na altura da mesa, evitando a elevação dos ombros”,
esclarece. “Os apoios para pulso e mouse almofadados também
são recomendados. São pequenos detalhes que fazem
a diferença ao longo da semana.”
ORAÇÃO
DO VICIADO NA NET
Satélite nosso que esta no céu,
Acelerado seja o vosso link.
Venha a nós o vosso texto,
Seja feita a vossa conexão,
Assim no virtual como no real.
O download nosso de cada
Dia nos dai hoje.
Perdoai o café sobre o teclado,
Assim como nós perdoamos
Os nossos provedores.
Não nos deixeis cair a conexão,
E livrai-nos de todos os vírus.
E faça com que meu Orkut volte logo a funcionar...
AMÉM