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Por Maria José Amgarten Rodolfo Gonella
A única leiteria da cidade
Lá
pelas voltas do ano de 1957, era ainda criança e me vem na
recordação tantos momentos bons vividos nesta cidade
e, entre essas lembranças todas, uma das que ficou bem forte
em minha memória é a leiteria.
Indaiatuba tinha apenas um comércio estabelecido, que vendia
leite na cidade. Era a Leiteria São João, de propriedade
do sr. Augusto Amgarten, meu pai...
O nome era São João porque primeiramente havia pertencido
ao sr. João Martini.
Meu pai era nascido em Capivari, mas nunca vi ninguém que
amasse tanto Indaiatuba como ele.
Essa leiteria ficava na Rua XV de Novembro, onde hoje está
instalada a Tropical Center. Meu pai, fazia questão da qualidade
do leite, por isso, sempre media a pureza do mesmo através
de um densímetro, uma espécie de termômetro
que tinha no final de uma ampola umas bolinhas de chumbo e media
a densidade através de graus, garantindo assim que os fornecedores
(diretamente do sítio), não “batizassem”
o leite, (como era dito quando acrescido de água).
Recordo-me que certa vez ele mediu o leite e constatou que estava
“batizado” ao que reclamou na mesma hora com o fornecedor,
e este jurava de pés juntos, que não havia colocado
água no leite que estava entregando naquele momento, mas
ao coar o leite com o pano na boca do latão como era feito
sempre para coletar alguma sujeirinha ou mesmo algum pêlo
da vaca, qual não foi o susto!!! - quando no pano ficou um
peixinho! A prova do crime, o fornecedor ao passar pelo rio tinha...
já viu!
O sr. Augusto, além de distribuir leite, fabricava também
manteiga caseira que era empacotada em embalagens quadradinhas de
250g. e embrulhadas em papel manteiga, era uma delicia, só
em falar já sinto o gosto que tinha.
No quintal da leiteria havia uma tosca desnatadeira que utilizava
para seu funcionamento, de uma montagem com peças de alumínio
(higienizada diariamente) que consistia de muitas tigelinhas, umas
dentro das outras, formando uma pilha e depois colocadas todas em
uma peça maior, com dois condutores, um que saía nata
quase pura, que iria se transformar em manteiga, e outro saía
leite branquinho, espumante, que era despejado nos latões
de lavagem de comida destinada aos porcos (hoje o nosso leite desnatado).
O leite mais puro que a leiteria recebia era da Fazenda Engenho
D’água, (hoje Morada do Sol), de propriedade do sr.
Ário Barnabé. Esse leite era tão bom, tão
forte..., que seu destino era virar a deliciosa manteiga
O leite era vendido no balcão colocado em litros de vidro,
que já tinha a medida certa de um litro, outros de meio litro
e depois eram despejados diretamente nas vasilhas trazidas pelos
próprios clientes.
Havia também a entrega de porta em porta, em uma carroça
fechada puxada à cavalo.
Os ajudantes do meu pai na época, para a entrega do leite
nas casas, foram vários meninos conhecidos nossos: Pedrinho
De Genaro, Réggio Scachetti , Sergio Brollo, Santo Gonçalves
e outros mais.
Eu, embora criança ainda, ajudava também na entrega
do leite em algumas casas da cidade, onde o leite era levado de
bicicleta, como a casa do nosso ex-prefeito Lauro Bueno de Camargo,
Carlos Eduardo Cardoso, Angelina Civolani, a casa de um tenente
cujo nome não me recordo e outros.
Ao lembrar estas coisas tão artesanais, a gente vê
que era feliz e não sabia. Ou será que até
sabia? A verdade é que Indaiatuba já não é
mais a mesma, mas em uma coisa, ainda o é, no gosto que nos
proporciona morar nesta linda cidade.
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