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Agindo em benefício
do próximo


A data, comemorada em 28 de agosto,
é um reconhecimento ao espírito solidário daqueles
que atuam em busca da transformação social


:: Por TATIANE QUADRA

Um trabalho pelo qual não se recebe salário e muitas vezes nem o devido reconhecimento. Mesmo assim, quem o realiza garante que é recompensador. Ser voluntário exige comprometimento, mas oferece grandes alegrias, como a retribuição do carinho oferecido. É para homenagear as pessoas que fazem este serviço que a Revista da Tribuna destaca o Dia Nacional do Voluntariado, comemorado no dia 28 de agosto.

O Dia Internacional é 5 de dezembro. Porém, a data nacional foi instituída em 1985 pelo então presidente da República José Sarney, com o intuito de lembrar deste valoroso trabalho de solidariedade, que muitas vezes passa despercebido. Para estender nossos parabéns a todos aqueles que atuam como voluntários em Indaiatuba, vamos destacar dois exemplos locais.

Um deles é a ação desenvolvida por três cidadãos comuns, os comerciantes Marcelo Ra­malho, 39 anos, Wagner Selegrin Rodrigues, 49 anos e João Hamilton Bastos, 47 anos. Há quatro meses estes homens se uniram para oferecer diariamente café da manhã aos moradores de rua da cidade. Para eles não há final de semana, chuva ou tempo frio. Voluntariamente acordam cedo e distribuem pão com margarina e café com leite a moradores de rua que ficam na Praça Dom Pedro II e atrás do Centro Esportivo do Trabalhador. É simples, porém, o esforço é reconhecido. “Eles estão aqui todos os dias, mesmo quando só há duas ou três pessoas”, conta o morador de rua Wanderley Aparecido de Souza, 39 anos. “E isso é porque eles têm Deus no coração.”

Realmente a iniciativa, que partiu de Ramalho, começou na Igreja da Restauração, da qual todos são membros. Os voluntários contam com o apoio de uma padaria, que fornece os pães. O restante é bancado por doações. Aos finais de semana, chegam a atender 25 pessoas por dia. “Não é fácil. Em dias de chuva, às vezes, eles se protegem e não encontramos ninguém, mas nós persistimos. Penso que eles bebem porque não têm nada para comer”, conta Ramalho. “Conhecemos todos eles e suas histórias. Brincamos ou damos um simples abraço. Com isso já conseguimos encaminhar dez para instituições.”

Para eles, ser voluntário significa ter comprometimento com o trabalho que realiza, começar sem pretensões e não esperar recompensa, embora ela muitas vezes venha. “Eles nos olham nos olhos como nenhuma outra pessoa olha”, comenta Bastos. Já Rodrigues é adepto ao pensamento de que se cada um fizer um pouco as coisas podem melhorar para todos. “É só começar com pouco, e você muda uma cidade, um estado, um país e por que não, o mundo?”

Levando a alegria


Você não precisa ter nenhum talento especial ou esperar sobrar tempo para trabalhar como voluntário. Basta ter a disposição de fazer algo em benefício do próximo.

Um ótimo exemplo de disposição é a aposentada Luzia Aparecida Martins Aliberti, de 64 anos, que há 25 presta auxílio ao Lar de Velhos Emmanuel.


Todas as segundas-feiras, das 8h às 17h, é possível encontrar Luzia jogando o que chama de “tômbola”, nome antigo do bingo, com os idosos.

Ela conta que resolveu trabalhar como voluntária após o falecimento de uma filha. “Me senti sozinha e foi como se ela me puxasse pela mão até aqui”, conta. “Bati na porta do Lar e disse que gostaria de ajudar. Comecei auxiliando nos bazares, mas observava os idosos e achava que eles tinham expressão de tristes.” Foi então que a voluntária passou a desenvolver atividades e brincadeiras simples, na tentativa de fazer os idosos se movimentarem. “Vi então que eles gostavam da tômbola”, explica. “Os prêmios são doces e salgadinhos, que eles adoram. Isso os anima e os tira do quarto.”

Luzia afirma que nunca irá parar o trabalho como voluntária. Ela acredita que a ação faz mais bem a ela mesmo do que aos idosos que ajuda. A ação é valorizada. “É uma maravilha para se distrair”, revela o morador do Lar de Velhos, João Francisco do Nascimento Neto, 72 anos. “Se não fosse a força dela, estaríamos desanimados, pensando que a vida terminou. Mas ela faz a gente se divertir, foi Deus quem a mandou.”

Com estas belas histórias esperamos também incentivar você, leitor, a fazer algo, por mais simples que seja, para ajudar o próximo e assim toda a sociedade. Além disso, que todos os voluntários se sintam homenageados e reconhecidos por seguir o velho ditado: “Fazer o bem sem olhar a quem”.

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