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Por TATIANE QUADRA
Algumas
ruas levam nomes de datas importantes, outras de santos, ou até
mesmo de flores, pássaros e de outros países. Mas
você já se perguntou o motivo da sua rua ter o nome
de alguém? Quem foi esta pessoa e o que fez na vida para
ser homenageada? Foi com esta curiosidade que a Revista
da Tribuna decidiu pesquisar as personalidades por trás
de algumas das vias importantes de Indaiatuba. Antes de citar
alguns personagens, há alguns fatos interessantes sobre
as ruas de Indaiatuba, narrados no livro Indaiatuba e suas histórias.
Lá os autores declaram que, quando Indaiatuba adquiriu
a maioridade administrativa, em 1859, era constituída apenas
de quatro ruas e quatro travessas, formando sete quarteirões.
As ruas eram as vias perpendiculares à Igreja Matriz Nossa
Senhora da Candelária e as travessas eram as paralelas.
A evolução ocorreu em 1887, com cinco ruas e cinco
travessas, e a alteração do perímetro urbano.
Todas as vias daquela época tiveram os nomes trocados diversas
vezes, a única que nunca foi alterada foi a Rua Candelária.
Coronel Antônio Estanislau do Amaral
Desde 1974, a alameda que liga a cidade ao bairro de Itaici e
que é uma das mais movimentadas da cidade, é denominada
Coronel Antônio Estanislau do Amaral. Nascido em 7 de agosto
de 1896, em uma casa na Praça Leonor de Barros Camargo,
ele foi um abastado fazendeiro e capitalista de Indaiatuba. Filho
de José Estanislau do Amaral e de Thereza de Jesus Aguirre,
ganhou este título por ser membro da Guarda Nacional. Recebeu
como herança a Fazenda Itatuba, no bairro Quilombo, local
que era então denominado Capim Fino. O coronel casou-se
com Delphina Ferreira do Amaral e, de acordo com os arquivos da
cidade, foi um pioneiro na introdução do plantio
do eucalipto.
Colaborou, a pedido da Prefeitura de São Paulo, com a arborização
do Parque Ibirapuera, em 1935. Seu falecimento ocorreu em 8 de
setembro de 1938. Em 10 de setembro de 1974, o então prefeito,
Romeu Zerbini, determinou por meio de decreto que a alameda de
Itaici recebesse o nome de Amaral. Depois, em 7 de março
de 1978, o prefeito de São Paulo, Olavo Egydio Setubal,
criou a Escola de 1º Grau Antônio Estanislau do Amaral,
no Parque Novo Santo Amaro. Na justificativa, o prefeito informou
que Amaral fez estudos especializados de botânica na França
e transformou 23 alqueires de uma de suas propriedades em um Horto
Florestal. Na ocasião de sua morte, o Clube Zoológico
do Brasil lhe dedicou um epitáfio.
Padre
Bento Pacheco
Na verdade, Bento Pacheco Dias é o nome completo do padre
que dá o nome a uma das ruas que corta o centro da cidade.
Ele nasceu em 1819, em Itu, onde foi batizado com o mesmo nome
do avô paterno. Cursou teologia em São Paulo com
os franciscanos, ordenando-se sacerdote em outubro de 1843. Foi
vigário em Cabreúva e em Indaiatuba. No nosso município
ele foi o eleitor de número 38, chegando a presidir eleições
municipais. Mas ele “se cansou” das tarefas paroquiais
e decidiu retornar à “vida rural”, residindo
por 20 anos na Fazenda Mãe, em Quilombo. Depois disso,
resolveu se desfazer dos bens que possuía, e foi cuidar
dos hansenianos no Hospital de Lázaros de Itu, onde viveu
por 42 anos e faleceu em 6 de março de 1911, com 92 anos.
Pedro
Gonçalves
O tenente Pedro Gonçalves Meira, filho de Francisco Bicudo
Chassim, nasceu na Vila de Itu, onde foi batizado, em 1743. Ele
casou-se com Ana de Campos Penteado e morou no Mato Grosso. Também
residiu em Campinas, onde construiu o primeiro sobrado da cidade.
Ainda no município vizinho, iniciou as obras da Igreja
Nossa Senhora do Rosário, mas interrompeu a construção,
já que havia oposição do pároco da
época. Depois disso, Pedro Gonçalves resolveu vir
para Indaiatuba, onde consta ter sido dono da Fazenda Pau Preto.
Ainda segundo arquivos municipais, o tenente teria sido responsável
pela construção do primeiro sobrado da cidade, que
posteriormente foi ocupado pela Câmara. Gonçalves
fez correr em Indaiatuba o primeiro carro de passeio do interior
de São Paulo, que, conforme os arquivos, era puxado por
quatro burros. Também empregou aqui o primeiro engenho
horizontal de cana. Faleceu em Itu, em 1813.
Curiosidade
Com o troca-troca de nomes na cidade, a Rua Cerqueira César
já recebeu os nomes de Rua Nova e de São Francisco.
Já a Avenida Francisco de Paula Leite já foi chamada
de Santa Cruz. A Rua 13 de Maio já foi denominada São
Bento; e a atual Rua 9 de Julho já foi Santa Rosa. Também
a Rua 15 de Novembro teve o nome de Santo Antônio. A Pedro
de Toledo já se chamou Rua Santo Amaro. Ao que parece,
a moda era colocar nomes de santos nas vias públicas. A
informação também é do livro Indaiatuba
e suas história, de Scyllas Leite de Sampaio e Caio da
Costa Sampaio.