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Por CYNTHIA SANTOS
Mudar
drasticamente a rotina em prol da saúde. Qual é
a idade ideal para
começar? A resposta é: sempre é tempo de
abandonar velhos vícios e condutas e adquirir hábitos
saudáveis, que podem garantir uma vida mais longa. Promover
mudanças e abdicar de alguns costumes não é
tarefa fácil, mas o resultado - garantem aqueles que tentaram
e conseguiram - vale a pena.
Cresce anualmente o número de vítimas de doenças
cardiovasculares. Em Indaiatuba, dados do Departamento de Vigilância
Epidemiológica (Devepi) mostram que, em cinco anos, o número
de mortes causadas por doenças hipertensivas cresceu 176%.
Além disso, no ano passado, 85 moradores na cidade morreram
de infarto, 121 de doenças isquêmicas do coração
e 61 de outras doenças cardíacas.
Fatores de risco para ataques cardíacos, como diabetes,
hipertensão e colesterol alto, estão diretamente
relacionados à má alimentação, falta
de exercícios físicos e obesidade. Além destes
vilões, há a ameaça do fumo. Informações
sobre as conseqüências de manter uma vida desregrada
a maioria das pessoas tem, mas, infelizmente, muitas só
mudam quando recebem um ultimato do médico ou do próprio
organismo.
O médico nefrologista Marcelo Pinelli, 39 anos, pesava
130 quilos no início de 2006. Em decorrência de apnéia
do sono (doença caracterizada por paradas repetidas e temporárias
da respiração durante o sono, freqüentemente
associada ao ronco), o médico dormiu ao volante três
vezes, rodando o carro na estrada. As noites mal dormidas resultavam
em sonolência, pressão alta, dores de cabeça
e cansaço. “Não podia parar que dava sono”,
lembra.
O problema, segundo ele, se arrastava há mais de dez anos
e foi detectado pelos pais. “Eu tinha um sono muito agitado
e a doença vinha se agravando até chegar ao ponto
em que ninguém conseguia dormir ao meu lado”, conta.
“Fiz uma polissonografia e a apnéia foi detectada.”
Há um ano e meio Pinelli decidiu encarar a doença
de frente e assumir o tratamento. Além de se tratar com
um especialista, procurou um endocrinologista, que orientou e
prescreveu o uso de medicamento para perda de peso. Também
se consultou com uma nutricionista para fazer dietas balanceadas.
A prática de atividades físicas em uma academia,
três vezes por semana, foi o terceiro passo do paciente,
seguido da psicoterapia.
Mudança
Hoje, 33 quilos mais magro e usando aparelho para dormir, Pinelli
diz que buscar ajuda valeu a pena. “Para quem tem a mesma
doença, aconselho a procurar um especialista”, sugere.
O médico enfatiza que o paciente não deve procurar
os métodos mais fáceis. “Os caminhos mais
difíceis dão resultados duradouros”, opina.
“É preciso acreditar que você pode se modificar,
sair da sua rotina e adquirir hábitos mais saudáveis.”
Pinelli diz que pacientes que têm doença aguda grave
devem adotar medidas “rápidas”. “Cada
um tem que olhar mais para si e para o lado biológico do
problema”, comenta. O médico ainda orienta o paciente
a procurar um profissional de saúde específico para
a sua doença; fazer terapia, já que, segundo ele,
50% dos problemas de saúde têm origem emocional;
fazer atividade física; e ter uma alimentação
balanceada, se possível com acompanhamento de nutricionista.
25%
dos pacientes se tratam
Embora doenças crônicas atinjam um grande contingente,
apenas 25% dos pacientes – seja na rede pública ou
particular - se tratam corretamente. A informação
é do médico cardiologista e secretário municipal
da Saúde, Luiz Carlos Chiaparine. “Isso é
um índice mundial”, revela.
O médico alerta que problemas como pressão alta
e diabetes podem acarretar em complicações. “As
pessoas que se conscientizam que precisam se tratar mudam o tempo
de sobrevida”, observa.
Uma mudança no quadro de pacientes com doenças como
diabetes e hipertensão é revelada por Chiaparine:
a idade daqueles que procuram os consultórios é
cada vez mais baixa. “Antes os pacientes começavam
a chegar com problemas aos 40, 45 anos”, lembra. “Hoje
tenho paciente com 30 anos, com problema de pressão.”
A alteração na faixa etária, segundo o médico,
deve-se à má alimentação, falta de
atividade física e obesidade. “Hoje a obesidade,
principalmente a infantil, vem trazendo pacientes cada vez mais
jovens ao consultório.”
A saída para reverter o quadro e controlar as doenças
é seguir uma dieta balanceada, praticar exercícios
e, em alguns casos, adotar o uso de medicamentos. “Se o
paciente tem taxa de açúcar pouco acima do normal
não é preciso medicamentos, ele consegue controlar
apenas com dieta e exercícios”, analisa.
Academia
Nas
academias, o perfil dos freqüentadores também mudou
nos últimos anos. O administrador da Fit Work, Fábio
Pinez Campos (foto), revela que a maior parte dos freqüentadores
tem hoje entre 25 e 40 anos de idade. “Antigamente era lugar
dos teens”, recorda. “Hoje o perfil mudou, pois os
adolescentes querem internet, estudo e fast food, e quem procura
a academia são pessoas mais conscientes da necessidade
da prática de exercícios físicos.”
Campos diz que os principais motivos que levam alunos a procurar
uma academia e mudar seus hábitos são a obesidade,
algum problema cardiológico e, principalmente recuperação
de lesões. “Para casos de reabilitação,
mantenho uma fisioterapeuta às sextas-feiras”, explica.
Disciplina
faz a diferença
Decidir o momento de dar um basta nos maus hábitos é
relativamente fácil. O difícil é conseguir
manter a disciplina por um longo período e não desistir
de uma dieta ou da prática de exercícios na primeira
dificuldade. Driblar o desânimo é um dos desafios,
mas com a ajuda profissional, tudo se torna bem mais simples.

Alexandre
(antes e depois) é um exemplo de que a persistência
é fundamental
O
auxiliar de diretoria Alexandre de Oliveira Camargo, 25 anos,
é um exemplo de que a persistência é fundamental
para a mudança de hábitos. Ao começar a treinar
na Fit Work Academia, aos 17 anos, Alexandre pesava 150 quilos.
Na época, não tinha problemas de saúde, mas
já fazia controle de glicose e hipertensão, e a
obesidade o incomodava. Alexandre lembra que o estímulo
dos profissionais da academia foi fundamental para que alcançasse
seus objetivos. “Recebi muito incentivo dos professores”,
reconhece. O auxiliar está hoje com 95 quilos, 55 a menos
do que aos 17 anos. Embora não precise mais perder peso,
tenta seguir a dieta passada pela nutricionista para manter a
forma. “Cheguei a ficar com 91 quilos, mas estava muito
flácido e então comecei a trabalhar a musculação
para ganhar massa”, conta.
Alexandre gasta uma hora por dia na academia, que freqüenta
cinco vezes por semana. O que começou como um simples treino
com os amigos de adolescência, tornou-se algo mais sério.
“Peguei gosto pelo esporte”, revela. “Não
vivo sem academia. Tive muita melhora na qualidade de vida.”
A dica de Alexandre é de que é preciso persistência
para alcançar os objetivos e mudar os hábitos. “É
possível, qualquer um consegue”, garante. “Nunca
precisei de exageros, como ficar sem comer.”
Auto-estima
A doutora em geologia Manuela Capovilla, 40 anos, é outro
modelo de disciplina: emagreceu 20 quilos entre junho do ano passado
e fevereiro deste ano. Também parou de fumar há
quase três, já que o cigarro não combinava
com seu novo perfil de atleta.
Manuela começou a freqüentar a Fit Work em janeiro
de 2006, pois estava com colesterol e glicemia altos. Quando entrou,
fazia dieta de 800 calorias, mas começou a passar mal.
Procurou então uma nutricionista voltada para o esporte
e direcionou a dieta.
Com uma rotina de duas horas por dia de academia, de segunda a
sexta-feira, e fazendo trilha de bicicleta nos finais de semana,
a geóloga mantém a forma física invejável.
“Nem aos 18 anos eu tinha esse corpo”, orgulha-se.
Além de emagrecer, Manuela, que antes fumava até
um maço de cigarros por dia, abandonou o vício.
“Hoje, nos momentos de ansiedade, ao invés de fumar,
corro para a academia”, revela.
As mudanças vão além da qualidade de vida.
“A melhora na minha capacidade cardiorrespiratória
é surpreendente, fico uma hora na bicicleta e nem percebo.”
Antes uma sedentária, Manuela revela que agora adora fazer
exercícios. Além da melhora na auto-estima, a geóloga
enfatiza que o ambiente da academia é “maravilhoso”.
“Aqui a gente faz amizades, se encontra para tomar um café,
é ótimo”, diz.
Para a geóloga, qualquer pessoa pode mudar seus hábitos,
independente da idade. “Nada é impossível.
A pessoa tem que se empenhar e com certeza vai conseguir”,
opina. “Essa mudança é tão boa que
tento estimular minhas amigas para isso também. Posso afirmar:
a mulher que está chegando aos 40 e acha que não
vai conseguir, consegue sim.”