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Estimados como filhos


Quando a família parte os bichos podem se tornar companheiros importantes e leais

:: Por TATIANE QUADRA

Marialva Kochi
com Yuri e Cori

Uns beijam, outros conversam e há os que deixam até mesmo dormir junto na cama. O próprio nome já diz, os animais são de estimação e, portanto, tem grande valor para seus donos. Mas eles podem se tornar mais do que isso e, em alguns casos, viram membros da família. Especialmente quando os filhos seguem suas vidas e a casa fica “vazia”, os bichos tomam um importante lugar de companheiros, e o amor e atenção dedicado a eles pode ser como o de um novo filho no lar.

É assim com a promotora de eventos Marialva Kochi, 58 anos, que possui atualmente dois cachorros, a poodle Yuri e a vira-latas Cori. “Eu sou a mãe deles. Só não dormem comigo no quarto porque sempre querem acordar para fazer xixi, então os mantenho lá fora”, conta. “Mas sempre vou lá, converso, beijo, dou bronca, choro, e eles me entendem.”

Marialva sempre foi apaixonada por animais. Ela mesma se define como “cachorreira”, e por muitos anos esteve envolvida com a causa da proteção dos mesmos, através da Associação Protetora dos Animais de Indaiatuba (Aprai), chegando a ter oito cães em uma chácara onde residia. “Desde que me conheço por gente eu gosto. Sempre tive animal em casa e meus filhos nunca tiveram nenhuma doença por conta disso”, afirma. “Eu gostaria de ter nascido rica para ter um espaço para colher os abandonados e dar uma vida digna. Porque não é possível a gente amar os animais e outros judiarem tanto.”

Casada, Marialva teve dois filhos que não moram mais com ela. Também não possui nenhum neto. “Mas é uma relação amorosa gratificante. O animal vira filho, porque está todos os dias e horas com você”, argumenta. “São uma companhia fidelíssima, sempre ao seu lado. Não saem de perto e não vão falar mal de você na esquina.”

A promotora chega a chorar quando lembra de outra cadela que possuía, a rottweiler Agatha, que teve que ser sacrificada há cerca de dois meses. Dona bastante dedicada, ela até mesmo tira os caroços da melancia para dar para os cães, que adoram a fruta. Também faz comida para os bichos, já que Cori não gosta de ração. Para ela tem que ter arroz. “Tenho um amigo que fala que o animal é o melhor terapeuta que há, e é verdade. Eles sabem quando a gente está doente ou triste, porque sentem”, fala. “Por isso acho que todos os idosos deveriam ter um bichinho. Para sentir a devolução em amor e carinho que eles dão por nossa atenção. Sem dúvidas a companhia deles combate a solidão e o estresse.”

Carinho

Norma Telles
com Teco,
Moma e Bob

Na casa da professora e tradutora Norma Silva Telles, 58 anos, há revezamento para dormir com ela, na cama de casal, à noite. Isso porque ela possui três cães de porte grande, o doberman Bob de 13 anos, a perdigueira (braco alemã) Moma, e o vira-latas Teco. “O doberman é o mais velho e implica com os outros dois. Então ou ele dorme sozinho comigo ou os dois. Cachorro tem muito ciúme da gente, mais que filho”, comenta. “E às vezes até atrapalha, porque eles gostam de dormir encostados em mim.”

Apesar de possuir um grande quintal, os cães possuem passagem livre dentro da casa, e Norma garante que, apesar do tamanho eles não fazem bagunça. Ela afirma que eles são muito bem cuidados, e dá para notar. Bob faz até mesmo acupuntura para a coluna. “Eles são meus companheiros. Passeio com eles todos os dias, levo para andar todas as manhãs e durmo com eles”, diz. “Não que sejam como pessoas, mas são superbem tratados.” A tradutora comenta que até mesmo se surpreende quando fala com os cachorros coisas que sabe que eles não entendem como “com licença” para poder passar. “é uma afetividade mútua”, garante.

A tradutora é separada e apesar de possuir três filhos, atualmente mora sozinha. Mas afirma que sempre teve animais, dede solteira; “Os bichos sempre foram membros da família. Acredito que a solidão é algo mais individual, e não é que eles conseguem suprir, mas ajudam bastante nessa questão”, analisa. “Os cachorros, principalmente, estão sempre esperando por você. Sei que eles sempre estão ali, de guarda.”

Relação sadia é positiva
Se você leu os relatos ao lado e estava pronto a criticar quem trata os animais com o zelo de um filho, pode parar por ai. O psicólogo Paulo Antollini, garante que o relacionamento sadio entre as pessoas e seus bichinhos é totalmente saudável. “Se não tiver um companheiro ou um vínculo próximo familiar, a pessoa pode buscar na relação com o animal a troca de energia e afetividade que precisa”, esclarece. “Isso ajuda a não entrar em um processo doentio.”

Ele comenta que, algumas pessoas gostam de dedicar seu carinho a plantas, outros a animais, e ai por diante. E que não há nenhum problema nisso, desde que o relacionamento com família, filhos, marido ou esposa, não seja prejudicado. “Seria negativo se o dono do animal se isolasse do mundo, de forma a só querer esse tipo de companhia”, explica. “Mas algumas pessoas tem características de introspecção e podem transferir aos animais todo o carinho que tem, o que não é nada de mais. Pois esta compensação pode ser bastante positiva quando ajuda a pessoa a manter o equilíbrio.”

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