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Beleza à prestação


Tratamentos e cirurgias plásticas têm
formas de pagamento cada vez mais
acessíveis a todos os públicos


:: Por TATIANE QUADRA

É quase como um consórcio da beleza. Afinal, quantas mulheres não têm como sonho de consumo um implante de silicone, uma lipoaspiração ou um tratamento estético que elimine as gordurinhas indesejadas? Porém, pela dificuldade de pagar os valores, normalmente altos, e pelos compromissos financeiros já assumidos no dia-a-dia, muitas deixam para depois a busca pelo bem estar, e estão sempre reclamando que gostariam de mudar algo no corpo. Mas, essa situação mudou. Clínicas de cirurgia e de estética anunciam cada vez mais as facilidades e o parcelamento de seus tratamentos, feitos em inúmeras vezes, com o objetivo de atrair públicos de todos níveis econômicos.

Se antes as pessoas temiam até mesmo entrar em uma clínica de estética, achando que aquilo não era para ela, mas sim para artistas e pessoas com alto poder aquisitivo, agora os tratamentos estão cada vez mais populares. Além de longos parcelamentos, há estabelecimentos que já divulgam os valores de pacotes e em quantas vezes eles podem ser pago. A idéia é que o interessado já entre na clínica sabendo se pode e quanto irá gastar.

Este é o caso do Emagrecentro, que divulga os três pacotes que faz pelo mesmo valor: atualmente são seis parcelas de R$ 78, pelos tratamentos de redução de peso, modelagem corporal e carboxiterapia. “Colocar o preço chama a atenção das pessoas, que entram sem medo, já sabendo se podem pagar as parcelas, até porque não cobramos juros”, revela a sócia-proprietária da franquia local, Eliana Trajano Rocha Trinchinato. “É uma questão de concorrência, por conta do aumento do número de clínicas na cidade. E essa disputa sempre favorece o cliente, que consegue maiores facilidades.”

A clínica já está em Indaiatuba há cinco meses, e tem um grande número de clientes, que quando encerram um tratamento acabam partindo para outro. Por conta disso, já está crescendo e aumentando a equipe e os serviços gradualmente. “O fundador da franquia quis justamente dar oportunidade para que pessoas de todas as camadas sociais se cuidassem, ao propor os pacotes com os preços parcelados e acessíveis”, explica. “Desta forma conseguimos um giro maior de clientes dentro da clínica.”

Para Eliana, a facilitação do pagamento também possibilita que a pessoa realize um acompanhamento anual, com tratamento de prevenção e manutenção. “É claro que é necessário ter qualidade para manter a credibilidade, pois não adianta vender um produto barato mas que não dá resultado. O consumidor, seja qual for, exige seus direitos”, enfatiza. Ela revela que são poucos os que optam pelo pagamento à vista. “O cartão de crédito ajuda bastante. Cerca de 80% dos clientes escolhem parcelar, sem distinção de classe social”, comenta. “É bom porque a pessoa pode aproveitar melhor o dinheiro e ir ao cabeleireiro ou mercado.”

Empréstimo
para cirurgia


Quem nunca viu clínicas anunciando a realização de cirurgias plásticas com pagamento em até 36 vezes, e não se impressionou? Afinal de contas, o número de vezes é semelhante ao financiamento de um carro. E é exatamente isso que muitas pessoas fazem atualmente: pegam empréstimos junto ao banco com o objetivo de investir na estética.

O cirurgião Yong Bai Cho explica que, legalmente é proibido fazer consórcios de cirurgia, porém que nada impede que um médico venda seu produto em quantas vezes quiser.

“Não existe uma regra, cada profissional pode determinar seu preço, se aceita parcelamento do pagamento e em quantas vezes. Não é igual a um carro que tem um valor quase que tabelado”, comenta. “Porém, meu preço à vista é um e a prestação é outro. A diferença é bem grande e à vista é bem mais barato. Porque se eu fizer em dez vezes, nada garante que o 10º cheque da pessoa vai cair após a plástica feita.”

Mas, ele conta que o que acontece, na maioria das vezes, é o cliente pagar o cirurgião à vista e procurar um banco para fazer o empréstimo. “Com o parcelamento à vista de valores como R$ 6 mil, ou as pessoas estão ganhando muito bem ou o dinheiro utilizado vem de outra fonte”, argumenta. “A verdade é que hoje muita gente faz plástica porque o acesso ao crédito é muito mais fácil, e consequentemente o acesso a cirurgia.” O médico revela que menos de 10% das pessoas pagam o parcelamento junto a clínica. “Eu faço o meu preço e o valor à vista é bem mais tentador. Não investigo quantos clientes tomam empréstimos, mas é certeza que a grande maioria dos que parcelam é via banco”, afirma.

Segundo Yong, basta ter o nome limpo, sem restrições, que é possível obter um empréstimo de até R$ 15 mil, sem necessidade de comprovação de renda. “E com este valor dá para fazer uma boa quantidade de cirurgia. Atualmente os mais procurados são redução de mama, plástica na barriga, lipoaspiração, colocação de prótese de silicone e plástica de nariz”, revela. “Mas basta dificultar a obtenção de crédito que fatalmente o número de cirurgias vai cair, porque este item é mais supérfluo na vida das pessoas. Mas com a facilidade de conseguir um empréstimo as pessoas se endividam mais, não só com plásticas, mas também com carros e viagens.”

Resolução
O Conselho Federal de Medicina editou no dia 22 de fevereiro deste ano, uma resolução, que veda qualquer tipo de vínculo médico com empresas que anunciem ou comercializem planos de financiamento ou consórcios para procedimentos, incluindo cirurgias plásticas. Os profissionais que desobedecerem a norma sofrerão sindicância do órgão nas esferas regional e federal, com sanções disciplinares efetivas.

Atraídas pela
facilidade


Elas cederam ao desejo de melhorar a aparência e fecharam pacotes de terapias estéticas. Mas afirmam que, o que ajudou a atraí-las para dentro das clínicas foi a facilidade de pagamento. Hoje, tanto a empresária Juliana Siqueira, 27 anos, quanto a técnica de laboratório Selma Regina Vacilotto, 29 anos, fazem parcelamento de mais de um tratamento.

Juliana conta que estava com sobrepeso e tinha o objetivo de eliminar oito quilos. Já tinha feito um tratamento estético, que achou caro e não ficou satisfeita com o resultado. Até que se interessou pelos pacotes fechados com parcelamento do valor. “No primeiro já perdi cinco quilos e passei para outro pacote de modelagem corporal e estou quase atingindo meu objetivo. Agora peso 55 quilos e perdi 12 centímetros de cintura”, revela.

Para a empresária, a facilitação no pagamento, além de chamar atenção e dar acesso a todos, dá a oportunidade que a pessoa “sinta” o primeiro tratamento e possa optar por contratar outros, com o mesmo valor. “Você acaba não fazendo apenas um tratamento, mais vários. Na terceira semana do primeiro eu já fechei outros dois”, conta. “E sozinha eu nunca consegui emagrecer tanto. Quem me vê fica impressionado e acaba procurando também a clínica por indicação.”

Motivação
Selma também admite que, apesar da vontade de melhorar esteticamente, foi a facilidade no pagamento que ajudou a atraí-la pela primeira vez para dentro de uma clínica. “Se fosse de outro jeito dificilmente eu faria. Os pacotes com valores fixos e parcelados são muito acessíveis.”, afirma. “Antes a área da estética era muito elitizada e só fazia quem tinha dinheiro para pagar na hora. Não era tão fácil, ou tentava emagrecer sozinha ou ia para um médico pedir remédio.”

A técnica de laboratório conseguiu perder 17 quilos em dez semanas, fazendo dois pacotes de tratamentos e já tinha fechado outros dois para dar seqüência. “Você acaba gostando do resultado e isso motiva para continuar, até porquê vi que era possível pagar”, explica. “Além disso, na clínica nos tratamos estética e psicologicamente, porque é um tempo para você, que acaba se disciplinando.”

Vá lá
Yong Bai Cho
– cirurgião plástico
Avenida Presidente Vargas, 1.559 - Fone: (19) 375-2655

Emagrecentro

Rua Regente Feijó, 170 - Fone: (19) 3825-2526

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