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Por Cynthia Santos

Ser
pai pela primeira vez aos 26 anos, pela segunda aos 27, criar
os filhos, ser avô e curtir os netos. Este parece ser o
ciclo natural de vida de qualquer homem que tem o desejo de ter
e manter uma família. Certo? Nem sempre. Às vezes,
a vida prega peças e envia um novo bebê para um casal-avô
e um homem beirando os 50 anos se vê novamente passando
noites em claro, às voltas com uma criança no colo.
Este é o caso de Jair Toloto, 51 anos, nosso homenageado
no Dia dos Pais.
Jair e sua esposa Inês, 43 anos, tiveram duas filhas na
juventude: Mônica, hoje com 25 anos, e Débora, com
24. As duas cresceram em uma chácara em Itaici e tiveram
uma infância feliz. Débora casou-se e teve três
filhos: Yago, de 5 anos; Yasmin, de 3; e Enzo, hoje com 3 meses.
Mônica, também casada, tem uma filha, Giulia, de
4 anos.
Até o final de 2004, Jair e Inês viviam para cuidar
dos dois netos, Yago e Giulia. Débora estava grávida
de Yasmin. Foi quando veio o susto: Inês, que já
era avó, estava grávida novamente, de Carolina.
“Fomos pegos de surpresa, já que nossa última
filha tinha nascido 21 anos antes”, revela Jair. “Eu
estava só curtindo meus netos quando recebemos a notícia.”
A gravidez foi motivo de preocupação para toda a
família, pois Inês tem problemas de hipertensão
e estava com quase 40 anos. “Minha gravidez era de risco”,
enfatiza a esposa de Jair. “Demorou tanto para ‘cair
minha ficha’ que estava grávida, que nem roupa a
Carolzinha tinha quando eu fui para o hospital.”
Carolina nasceu prematura, no dia 20 de agosto de 2005, aos sete
meses de gestação, mas não precisou ficar
na incubadora. Para comprovar que a gravidez não era esperada,
a filha Débora lembra que precisou “correr”
para comprar roupinhas para a irmã. “A Yasmin tinha
nascido 27 dias antes, eu ainda estava me recuperando mas fui
na loja comprar as roupinhas”, recorda.
Xodó
Em toda família em que há mais de um filho diz-se
que o caçula é o mais mimado. No caso de Carolzinha,
a teoria é confirmada: ela é o xodó da casa.
“É uma delícia ter irmã pequena”,
dizem Débora e Mônica, em coro.
A família lembra que Carolzinha chegou “na hora certa”.
Mônica, que já era mãe de Giulia, ainda não
estava casada quando a mãe engravidou e, por isso, morava
com os pais. “Eu fiquei muito apegado à Giulia e
não queria deixar a Mônica sair de casa”, revela
Jair. “A Giulia já estava com quase um ano, a Mônica
querendo casar e ir morar com o marido, e o pai não deixava
porque falava que ia sentir falta da neta”, confirma Inês.
Quando Carol chegou ao seio da família, Jair deixou a filha
mais velha se casar e partir com a neta.
Hoje, Carolzinha é a alegria da casa e, principalmente,
do pai, por quem tem especial adoração. “Ela
fica todos os dias me esperando. Quando escuta eu mexer no portão
sai correndo para me ver”, conta, orgulhoso. Embora hoje
esteja mais próximo da filha caçula, Jair garante
que não faz diferença entre as três. “O
amor é o mesmo, não muda”, enfatiza. As filhas
confirmam a versão do pai e dizem que ele é com
Carol o mesmo pai amoroso e compreensivo que foi ao longo de suas
vidas. Além disso, confessam que, embora Carolzinha seja
o xodó do pai, não existe ciúmes. “Se
precisar a gente tira da gente para dar para ela”, enfatizam.
Jair e Inês contam que não foi difícil cuidar
de mais uma filha após 21 anos, pois estavam acostumados
a cuidar dos netos pequenos. “A gente brincava, trocava
fralda deles, não teve nenhum problema”, dizem. Aliás,
a convivência dos netos com a filha menor só traz
alegria. “O dia que não estão todos reunidos
a gente sente muita falta, fica tudo quieto”, comenta Jair.
As crianças, inclusive, já entendem a árvore
genealógica da família. “Carolzinha sabe que
as crianças maiores que ela são seus sobrinhos e
eles também sabem que ela é a tia”, comenta
o pai.
A história de Jair confirma que não é apenas
no coração de mãe que sempre cabe mais um.
Pai também tem amor de sobra para quantos filhos vierem
ao mundo, independente da idade. Basta saber aproveitar e valorizar
cada fase.