Destino:
Viena - Áustria
Por Deborah Sousa

Viena-
Fonte de
Netuno
Mal
chegamos na Croácia, já teria o feriado da Páscoa
no final de semana seguinte. Portanto, tive que me virar muito para
organizar nossa viagem rumo à Viena em mesno de uma semana.
Já sabia que seria de trem. Na Europa tem trem para todo lugar.
É mais barato e muitas vezes mais rápido porque os aeroportos
ficam longe dos centros, em viagens internacionais é preciso
chegar mais cedo, etc, etc. De um cyber café consegui até
reservar o hotel e meio sem saber o que nos esperava, embarcamos no
trem no sábado pela manhã. Curiosidade: Na Europa o
feriado da Páscoa não é na Sexta-feira Santa
e sim, na segunda-feira depois do Domingo de Páscoa.
Estamos lá na nossa cabine, sozinhos (num lugar que cabem até
seis) e aí começam a entrar os guardas pedindo documentos.
Com pouca polidez, a guarda da Croácia olha o passaporte, reclama
que estamos há pouco tempo no País e vai embora sem
maiores problemas...muito bem a viagem começa. Daqui a pouco,
menos de uma hora, chegamos a Eslovênia, mais guardas, mais
cara feia, estranhando por sermos brasileiros e a viagem continua.
A impressao que dá é que toda hora entra alguem, ou
é para pedir passaportes bem abruptamente (para ser educada)
ou para pedir as passagens, já que a toda hora entra gente
nova no trem, estilo pinga-pinga. Passamos por várias fronteiras,
e os guardas sempre carimbam, para sair de um país e para entrar
em outro.
Lá pela metade da viagem somos “quase” avisados
(porque o encarregado falava muito mal inglês) que tínhamos
que recolher tudo, pegar um onibus e pegar outro trem até chegar
em Viena. Resignados, arrumamos tudo e saimos com todo mundo. Neste
ponto já estávamos na Austria, um guarda nos aguardava
na saída do trem, mas era um monte de gente junta. Ele pedia
os passaportes a todos, peguei os nossos que tem uma capinha de couro,
que depois reparei ser da mesma cor do passaporte europeu. Só
em ver a cor da capinha e a nossa cara bem arrumadinha ele pensou
que éramos europeus e nem quis abrir o passaporte. Pois bem,
entramos na Austria sem o carimbo em nosso passaporte, para uma estrassada
como eu, mais um motivo para preocupação, que depois
vim a saber que não precisava mesmo.
Aí achamos o ônibus, andamos por quase uma hora nas estradas
da Austria para pegar outro trem. Seguimos em viagem de trêm
até Viena (sem saber entramos na primeira classe e depois tivemos
que mudar) totalmente maluco...
Viena-
Jardim em
homenagem
a Mozart
Chegamos
a estação de trêm em Viena, enorme. No serviço
de informações, praticamente em alemão, o funcionário
nos explicou onde era o hotel (ele apontando as ruas no mapa e eu
perguntando se ele não falava inglês e ele respondendo
que estava falando inglês...Jesus...)
Realmente chegamos ao primeiro mundo. A Ástria faz parte da
comunidade Européia e adota o Euro como moeda. Um dos orgulhos
do País é o excelente meio de transporte, com um com
mapa na mão, conseguimos chegar a todos os lugares através
do bonde, ônibus ou metrô. Tudo com o mesmo bilhete que
estava incluído na diária do hotel. Mesmo cansada da
viagem e preocupada com os “caes farejadores” ou seja
os policias da Áustria, Eslovênia e Croácia na
volta sem o carimbo da Austria,me encantei com a cidade.
História
É diferente de tudo que já havia visto na vida. É
nessas horas que fico feliz por tem sempre História como minha
matéria favorita na escola. A herança rica do império
Austro-Húngaro está toda lá. A fartura era tanta
que eles podiam mandar construir os mais belos monumentos da época.
Os melhores arquitetos da Europa eram chamados para levantar suntuosos
palácios, museus, igrejas, teatros, óperas....Pelo que
percebi, a maioria nos idos de 1800. Portanto, não são
obras muitos antigas, são construções que mostram
a força e a riqueza deste império na Europa e no mundo.
O interessante é que as principais “atrações”
ficam próximas. As obras foram idealizadas em formas de anéis
na cidade: strass (onde ficam os monumentos mais bonitos) o golden,
o silver, e por ai vai...
Viena-
Jardins
do Museo
É impressionante, onde quer que você olhe existem contruções
magníficas, enormes, cheias de detalhes que saltam aos olhos,
jardins vastos (que na época estavam sem flores por ser a primeira
semana de primavera), e tudo próximo. Se estivesse cansada
podia pegar o metrô ou o bonde e andar poucos metros.
Os museus têm de tudo, mas as entradas eram caras, cerca de
8 a 10 euros, portanto, escolhemos uns poucos para conhecer. Fomos
ao Belvedere Palace, que abrigava as residências de verão
e inverno do Imperador, hoje comporta vários museus com obras
medievais, clássicas e contemporâneas.Neste último
tivemos o privilégio de ver telas de Monet, Van Gogh, Rembrant
, além dos austríaco Klimt e seu famoso quadro O Beijo
.Vimos também por fora a casa de verão da Sissi - a
Imperatriz, dos inesqueçiveis filmes de sessão da tarde.
Jantamos em um café que depois soube era frequentado por Freud,vimos
a escola de arte que negou a entrada de um ilustre e famigerado aluno-
Hitler, passamos pela casa de Strauss, vimos a ópera onde Mozart
fez apresentações, a casa em que ele morou e recebeu
Betoveen para uma visitinha, vimos os austríacos se divertindo
as margens do Danúbio e mesmo assim não estávamos
acreditando....
Viena
Portal
As pessoas não são das mais simpáticas (bem-vindos
à Europa!!), mas também foi a cidade onde vimos mais
turistas (até então não tinha ido à Veneza)
gente do mundo todo, turcos, africanos, americanos, brasileiros, artistas
de rua, gente pedino esmola....coisas de cidade grande.
Infelizmente, depois de muitas fotos e correria, voltamos para a estação
de trem. Ainda preocupados com as fronteiras e se teríamos
ou não que mudar de trem, entramos em nossa cabine. O trêm
é todo dividido em cabines onde cabem até seis pessoas
sentadas. Essas cabines são dividas entre fumantes e não
fumantes, quando conseguíamos, pegavamos a primeira. Para distrair
voltei lendo a “Fantástica Volta ao Mundo”, de
Zeca Camargo, leitura imperdível para quem gosta de viajar.
Personagem Fantástico
Ao
terminar o livro, resolvi puxar assunto com o único jovem que
entoru em nossa cabine horas antes. Mal sabia eu ao começar
o interregotório. O rapaz nos contou que era artista e estava
vindo de Viena. Que tipo???? (curiosa....) Artista de rua, aquele
tipo que faz mimica e imita pessoas (o sombra). Sempre simpático,
travamos uma conversa que duraria pelas próximas três
ou quatro horas.
Até conversei depois com meu marido se tudo que ouvimos seria
mesmo verdad,e mas ele teria que ser mais maluco para inventar, ainda
mais com tantos detalhes....lembrando que somos brasileiros e estamos
acostumados a tudo...ou quase....
Resumindo
O artista tinha apenas 22 anos (taurino) e estava nas ruas (como ele
dizia) desde os quinze.Era da Thecoslováquia e tão jovem
já conhecia mais de 50 países e falava cinco línguas,
tudo isso só fazendo mímicas. Ele nos contou que em
Viena, nos bons dias, ele faturava cerca de 200 euros. Segundo o rapaz,
em geral, o turista põe um 1 euro no potinho depois de rir
das gracinhas dele. Em lugares bem movimentados, ele pode fazer muito
dinheiro por dia. Mas não se anime em ir para a Europa fazer
dinheiro da boa fé do povo. Existe uma intricada dinâmica
da “vida nas ruas” .
É preciso dar dinherio a polícia, para a máfia
do local, ter acordos
com os outros caras que ficam nas ruas, falar várias linguas
e saber defender com unhas e dentes seu lugar ao sol. Ele contava
como se fosse a coisa mais normal do mundo. Já tinha apanhado
muito dos “colegas” por luta de espaço e foi parar
várias vezes no hospital. Ao chegar a um novo local logo vinha
a máfia cobrar uma parte por estar se utizando da rua ou território
deles. Se a máfia demora, aparece a policia pedindo proprina,
quando não deu, foi preso em três ocasiões. Apesar
de ter uma vida confortável e casa própria, boa parte
da família não fala com ele. Quase tudo o que ele ganha,
gasta em viagens pelo mundo. Está sempre passeando, conhece
toda a Africa, Indonésia, India e por aí vai...adora
fazer Safáris, já viu tudo que é bicho, já
foi assaltado na África por traficantes, enfim não dava
para acreditar que ele tinha só 22 anos. Disse que não
vinha ao Brasil porque o custo de vida aqui é caro, comparado
a Africa, onde ele se vira com 10 euros por dia para comer e dormir
em hotéis....
O artista tem planos para parar de trabalhar em 4 anos , como ele
reforçava, “se ainda estiver vivo”. Na Europa é
muito comum esse tipo de pessoa que entreem as outras na rua. Os europeus
param mesmo para ver e dão umas moedas para as estatuas humana,
show de marionetes, músicos. Como dizem, de grão em
grão o cara tá quase rico. Estava indo para a Croácia
para comprar apartamentos para “limpar” seu dinheiro que
não pode ser declarado como fonte de renda na Tchecoslováquia.
Polícia
No
meio dessa conversa sureal e animada começaram a entar os policias
“amáveis”da Eslovênia. Eles vão entrando
com tudo, abrindo a porta da cabine com toda a “delicadeza”
e pedindo o passaporte na lingua deles. Claro que nunca gostam de
serem surpreendidos com o nosso passaporte brasileiro. Os documentos
do artista de rua até que estava indo bem, era uma identidade
usada pelo pessoal da Comunidade Européia, pelo menos eu achava
que era.
Até que o trem ficou parado um tempão, os guardas ficavam
circulando com lanternas (já era noite e frio) no trem do lado,
com uma cara horrível. A cena que se via da janela para fora
e para os corredores era bem ameaçadora, (imaginei como deveria
ser difícil para os judeus no holocausto) aí entraram
novamente no nosso vagão e em nossa cabine, pedindo documentos.
Estranhando nosso passaporte mais uma vez e olhando a identidade dele
com muito cuidado...Jesus..intermináveis minutos...perguntaram
da malinha dele (era literalmente uma trouxinha de pano) , olharam
bem até que se foram....Ufa!!!
Viena
Deborah na
Prefeitura
Ele
continuava falando alto sobre suas aventuras em cassinos do mundo...depois
com o trem já andando ele contou que foi deportado da Itália
por tentar subornar os policiais e a identidade era italiana para
poder continuar trabalhando em Veneza (que ele dizia ser muito bom)
ou seja, ele “deixou”de ser Thecko e usava identidade
falsa!!Meu Deus....Isso porque antes dele entar eu estava rezando
para um casal de velinhos, de gente com cara bem de honesta entrasse
em nossa cabine para que na hora dos guardas não tivesse tanta
desconfiança....
Por mais conhecidências do destino, ele já havia feito
reserva no mesmo Hotel que estávamos em Zagreb e fomos todos
juntos até o hotel, explicamos para ele sobre o tram ele agradeceu,
não nos vimos mais. Desse jeito maluco voltamos são
e salvos para Croácia para finalmente começarmos nossas
aventuras essa terra.