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Mariana
Amaral
Alguém
que você estima não se lembra do nome do neto favorito?
Esquece como voltar para casa? Fica repetindo sempre a mesma pergunta?
Se a pessoa que você ama está sofrendo com o Mal de Alzheimer,
estas situações lhe parecerão familiares. A doença
acomete de oito a 15% da população com mais de 65 anos.
Existem atualmente em todo o mundo entre 17 e 25 milhões de pessoas
com a doença, o que representa 70% do conjunto dos males que
afetam a população geriátrica.
Alzheimer é a forma mais comum de demência, sendo responsável
por mais da metade dos casos, conhecida muitas vezes por “esclerose”.
Está inserida num grupo de doenças que afetam o cérebro,
principalmente as áreas da linguagem e da memória, levando
prejuízo progressivo das funções. Os sintomas aparecem
lentamente, e podem ser confundidos com distração ou esquecimento
comum. O período entre o primeiro e o último estágio
da doença varia de pessoa a pessoa, mas em geral é de
oito anos.
O Mal de Alzheimer continua sendo uma síndrome de causa desconhecida
e sem cura. Mas, nos últimos anos, as perspectivas em relação
à doença têm sido abordadas com certo otimismo,
tendo em vista as possibilidades da ciência em retardar os sintomas
da enfermidade. A medicina está começando a detectar os
sinais da doença décadas antes dela surgir. Pesquisas
genéticas mostram que se a pessoa possui determinados genes defeituosos
aos 20 anos, poderá ter a doença no futuro.

CUIDADOS
Como ainda não há cura, o único meio de amenizar
os sintomas é através de cuidados especiais, ajudando
o paciente a viver com mais conforto, pois ele terá muitas dificuldades
e não poderá mais ficar sozinho. O primeiro passo a ser
dado na luta contra o Alzheimer é aprendendo tudo o que puder
sobre a doença.
Os sintomas como esquecimento e confusão podem causar situações
de risco. Por esse motivo certas regras devem ser seguidas para manter
a segurança do doente e de todos à sua volta. O primeiro
passo é avaliar os perigos da casa onde vive o paciente. Degraus,
maçaneta, quinas, cantos de móveis, iluminação
de corredores e cômodos (manter luzes acesas à noite),
enfim, deve ser realizada uma verdadeira perícia de segurança.
Ter uma programação diária e regular para as atividades
do paciente é de grande ajuda, pois ele se sente muito mais seguro
e orientado com uma rotina familiar. Exercícios, como caminhadas,
tranqüilizam e os fazem dormir melhor. Controlar os medicamentos,
separando os que serão consumidos ao longo do dia pode facilitar
as coisas, assim será mais fácil verificar se estão
sendo tomados nas horas e quantidades certas.
As pessoas com Alzheimer têm dificuldade para entender o significado
do que é dito, por isso às vezes familiares ou amigos
poderão ficar aborrecidos. Lembre-se, os problemas são
causados pela doença. Insistir na sua versão da realidade
só causará mais confusão e tensão. Por exemplo,
em vez de dizer “Você não pode ligar para seu irmão.
Ele está morto há muito tempo”, diga “Acho
que ele não está em casa, vamos ligar mais tarde”.
Apesar de às vezes não entenderem o que você diz,
vítimas do Alzheimer são muito sensíveis. Um tom
ríspido ou agressivo pode perturbá-las. Mantenha um tom
suave e positivo sempre que possível para dar-lhes segurança
e tranqüilidade.
Talvez chegue o momento em que você não poderá mais
cuidar do doente com segurança, ou em que você perceberá
que não consegue mais arcar com esta responsabilidade. Quando
isso acontecer, não significa que você falhou. Uma mudança
na situação poderá ser melhor para todos.
Sua próxima opção poderá ser uma casa de
repouso. Estas instituições geralmente estão equipadas
para cuidar das pessoas com o Mal de Alzheimer e podem garantir segurança
e cuidados especiais para a pessoa doente. Outra opção
é a contratação de enfermeira ou acompanhante.
Questões legais e financeiras devem ser levadas em consideração.
Chegará o momento em que o paciente não estará
mais apto a tomar decisões. Converse a respeito destas questões
o mais cedo possível, enquanto ele ainda pode entender seus objetivos
e concordar em fazer mudanças. |