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Da incoerência de nossas ações



Por Irmão Anézio

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Os que se dedicam à critica das ações humanas jamais se sentem tão embaraçados como quando procuram agrupar e harmonizar sob uma mesma luz todos os atos dos homens pois estes se contradizem a tal ponto que não parecem provir de uma mesma raça.

Gisele era uma menina pobre, mas muito bonita, parentes seus mais abastados foram visitá-la e a trouxeram para cuidar de sua educação. Cativou a todos com sua graça e inteligência. Cresceu se formou e um dia, numa cidade vizinha, foi ao banco onde a família tinha conta em conjunto, e tirou toda grana para fugir com o namorado, e a família nem o conhecia.

Giuseppe filho de antiga família da Sicília era muito inteligente, orgulho da família, engenheiro e responsável pelo capital que a família possuía na cidade de Catania, na Itália. A família possuía muitos imóveis e seus pais e irmãos viviam sossegados até que Giuseppe conheceu uma moça brasileira, através da internet, e se mandou para o Brasil. Hoje vive em Salvador na Bahia, numa pousada, a beira de uma praia. Sua mãe morreu de desgosto e seu pai foi internado num asilo para dementes.


Aparentemente é possível julgar um homem pelos fatos mais comuns de sua vida; mas dada à instabilidade natural de nossos costumes e opiniões. Pareceu-me muitas vezes, que os melhores autores teimavam dar a alguém uma idéia bem assentada e lógica. Adotam um principio geral e, de acordo com este, ordenam e interpretam as ações sem modifica-las para que entrem dentro de um molde preconcebido.

O português Joaquim era dono do mercado onde com sua família trabalhava. Pegou uma rapariga para ajudá-lo na parte da manhã quando sua esposa levava as crianças à escola e cuidava do almoço. Ela era de Minas Gerais e falava de modo gracioso sobre as montanhas, a comida, era tão simpática que um dia Joaquim pegou o caminhão de entrega e foi embora com ela para as alterosas deixando atrás de si um vale de lágrimas.

Nossa maneira habitual de fazer algo está em seguir nossos impulsos instintivos esquecendo da razão: para a direita ou para a esquerda, para cima ou para baixo, segundo as exigências.
A coisa fica preta quando nossa ação envolve lucros financeiros ou problemas familiares com filhos pequenos.

A morte é uma separação natural, causa muita tristeza mas raramente uma revolta, já a separação por razões instintivas tem muita incoerência e causa muita dor e raiva.

Não vamos; somos levados, como objetos que flutuam, ora devagar, ora com violência, segundo a força que nos impele:

“Acaso não vemos todo mundo indeciso; uns procurando sem descontinuar, outros mudando de lugar, como para largar uma carga pesada demais”. (Horacio)

“O pensamento dos homens assemelha-se, na terra, aos cambiantes raios de luz com que Júpiter a fecunda” (Cícero)

 

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