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Por Tatiane Quadra
Esta
é uma história de muitos nomes. Adriana, Fagner,
Douglas, Eduardo Felipe, Bruno, Fabrício, Paulo, Kleverson,
Tauã, João, Júnior, Tamires e Vanessa. Os
13 são irmãos e filhos adotivos da dona de casa
Sebastiana Luiza Rodrigues, 55 anos, e do autônomo Tadeu
Sebastião Viana, 69 anos. Na verdade, como ela diz, são
filhos que nasceram do coração.

Luiza e Tadeu junto com os filhos
A família mora no Jardim Tancredo Neves. A história
teve início quando, há 25 anos, o casal se uniu.
Luíza era viúva e já tinha três filhos,
Tadeu teve 15. Há 21 anos tiveram um filho que tinha problemas
de saúde. “Sou muito católica e fiz um voto
a Deus de que adotaria a criança que me aparecesse se meu
filho se curasse, e ele sarou”, relata. Um mês depois,
Adriana, que hoje tem 18 anos, foi deixada ainda bebê na
porta da casa.
Depois disso, outras crianças foram abandonadas na frente
da casa de Luíza e Tadeu, que acolhiam a todos com amor.
Em certa época, o casal chegou a ficar com 22 crianças,
mas duas mães, que haviam deixado quatro filhos cada uma,
voltaram para buscar anos depois. “Acho que comentavam por
aí que eu acolhia as crianças. Então as mães
vinham, deixavam aqui e falavam que não queriam mais”,
conta. “Eu dizia que, se o problema era financeiro, elas
podiam buscá-los quando a situação melhorasse,
mas a maioria não apareceu nunca mais.”
A mãe afirma que 12 filhos são efetivamente adotas
e possui o termo de guarda de um, cujos trâmites já
estão na Justiça. Ela sustenta as crianças
- que têm entre 7 e 15 anos, sendo que apenas uma tem 18
- com o salário do marido, que é costureiro e faz
serviços gerais, trabalhando de domingo a domingo. Além
disso, ela recebe a pensão do marido falecido. “De
vez em quando também recebo algum auxílio da população”,
conta. “O prefeito, junto com alguns empresários,
reformou minha casa, fazendo mais um banheiro e telhado, porque
a situação estava precária.”
Dia-a-dia
Dona Luiza é craque em economia e, apesar de ser uma mulher
alegre, não esconde os apertos que passa. “Já
ficamos sem água, luz, leite e até sem alimento”,
diz. “Mas com um ovo faço mistura para todas essas
crianças. Se não tem arroz faço um virado
de farinha ou um angu de fubá. Eles comem e adoram.”
A casa tem apenas uma televisão, pequena, que fica na sala.
Os pais dizem que, apesar das reclamações, monitoram
tudo que os filhos assistem. Os namoros também são
acompanhados de perto. “A dificuldade financeira não
é a maior barreira. Se pensarmos nisso não ajudamos
ninguém e eu nunca rejeitei nenhuma criança, por
nenhum motivo, acho isso desumano”, declara. “O mais
difícil é dar a educação, seja para
um filho ou para dez. Eu tenho medo do mundo lá fora, além
do meu compromisso com a criança, a Justiça e Deus.”
Nem o pai nem a mãe estudaram. Mas demonstram um grande
conhecimento da vida. Organizam a família e fazem todos
ajudarem nas tarefas de casa. Luiza conta que os filhos são
muito ciumentos e dizem que queriam ter nascido de seu ventre.
Segundo ela, as crianças nunca perguntam nada sobre os
pais biológicos, até porque sabem de suas histórias.
“Eu sempre deixei tudo muito claro, não tenho nada
para esconder e acho pior”, argumenta. “Amo todos
os meus filhos do mesmo jeito, e o trabalho, preocupação
e cuidado também é o mesmo. Vivo por eles e sem
eles não vivo. O que me faz continuar é o bem querer
que tenho pela criança, que merece muito respeito e depende
de um adulto.”
A mãe, com ajuda e apoio do pai, consegue acompanhar o
dia-a-dia de todos. Tadeu comenta que, apesar dos dois banheiros,
a fila é grande na hora do banho. Luiza diz que é
muita roupa para lavar. Também tem os momentos de todos
ficarem juntos e a hora da bronca geral. “É até
engraçado, parece que todo mundo combina de quebrar o chinelo
ao mesmo tempo. De que jeito vou comprar para todos?”, diz.
“A minha maior tristeza é não poder fazer
mais por eles. Se um me pede dinheiro para um sorvete não
posso dar porque não tenho para todos. Mas eles entendem,
converso muito com eles sobre isso.”
Que o amor existente nesta família é grande não
há dúvidas. Quando questionado do que acha dos pais,
Fabrício, 11 anos, responde rápido. “Acho
eles legais. Me deram exemplo, amor e a felicidade que minha outra
mãe não me deu. Não tem pai e mãe
melhor, só eles” enfatiza. Já Eduardo, 15
anos, diz que é bom ter uma família grande. “Tem
bastante gente para brincar. São todos meus irmãos,
sem nenhuma diferença.”
Luíza reafirma que faz tudo por amor, e enfatiza que quem
não gostar de verdade de criança não comece,
porque não dá para começar a cuidar de um
filho e depois largar. “Em nenhum momento pensei em desistir.
Quando a casa estava com a telha ruim, eu chorava cobrindo eles
com plástico para dormirem”, lembra. “Mas solidão
nessa casa não existe, e eu tento apagar da mente deles
tudo de ruim pelo que passaram.”
Para quem desejar ajudar o telefone de contato é 3835-7771.
AVÓ
EXCEPCIONAL
A
vida da família de Undina de Oliveira Câmara,
74 anos, parece ter sido escrita por autor de novela. Atualmente,
a avó é a procuradora e responsável pela
neta Patrícia Naja, 18 anos. Mas não
foi sempre assim. A menina, que tem Síndrome de Down, foi
adotada pelo filho de Undina, o zelador Márcio de Oliveira
Câmara.
A avó conta que a história de sua família
se passou no Guarujá, onde o filho morava em um prédio
próximo ao seu. Foi quando uma vizinha de Márcio
contou a ele a história da criança de 6 meses de
idade, que havia sido deixada pela mãe com uma família
que passava dificuldades. A menina estava desnutrida e tinha necessidades
especiais.
Desesperado com a situação, ele procurou a família,
buscou a criança e foi à Justiça manifestar
o seu desejo de ser pai. O juiz deu a guarda por um ano, quando
a mãe foi chamada e reafirmou que não queria a criança.
A guarda foi renovada e depois de mais dois anos dada a adoção
definitiva. “Ele mudou muito depois disso”, relata
a mãe. “Era determinado e não queria nem que
eu ajudasse. Tinha muito amor pela Patrícia e fazia de
tudo por ela.”
Porém,
quando Patrícia tinha apenas 6 anos e
Márcio 33, ele ficou doente e faleceu.
Dona Undina lembra com lágrimas nos olhos que antes de
morrer o filho a fez prometer que não entregaria a menina
para ninguém. “Ele tinha medo e eu jurei que ficaria
com ela e desde então cuidei dela”, relata. “No
começo ela chorava bastante ao lembrar do pai e teve que
ter acompanhamento psicológico, mas nunca o esqueceu.”
Atualmente, a avó conta com a ajuda de uma filha, e relembra
o amor que o filho tinha por Patrícia. “Ele chegou
a ficar noivo, mas não casou. Dizia que a mulher tinha
que gostar mais da filha do que dele”, conta. “Patrícia
sempre foi muito paparicada pela família e pelas tias que
a amam. Uma das tias ela chama de mãe.”
Depois que o filho faleceu, Undina mudou com uma das filhas para
Indaiatuba. Apesar de ter no total dez netos e dois bisnetos,
a avó declara que não há nenhuma diferença
por Patrícia ser adotada, e se emociona novamente ao falar
sobre a neta. “Ela é muito carinhosa e eu não
admito que ninguém mexa com ela”, declara. “Para
mim, Patrícia é como uma filha, e na verdade nunca
achei que amaria alguém até mais do que minhas próprias
filhas.”
AMOR
DE PAI
Dizem
que nada sem compara ao amor de mãe. O exemplo do psicólogo
Antônio Carlos Gonsales Sanches, 45 anos, prova que este
comum pensamento na verdade é uma grande injustiça
com os pais. Pai solteiro e adotivo, ele conta que foi muito protetor
e presente na vida do filho. Apesar de contar com o apoio dos
pais, sempre cumpriu suas responsabilidades inclusive, em coisas
consideradas pequenas, como ir às reuniões escolares
e levar a criança ao médico.
Antônio
Carlos conheceu o filho Rogério
em um abrigo em 1993, quando fazia trabalho voluntário.
A criança tinha 5 anos e não estava disponível
para adoção, mas ele relata que houve uma afinidade
instantânea, quando sentiu que o pequeno seria seu filho.
Pediu permissão para levá-lo a festas de família.
Mas logo a criança voltou para a mãe biológica.
Algum tempo depois, a própria mãe, que não
tinha condições de cuidar do filho, ligou para o
psicólogo e disse que gostaria que ele ficasse com a criança,
que foi em seguida adotada. “Lembro que desde os 7 anos
de idade eu tinha uma certeza grande de que seria pai adotivo”,
relata. “Minha escolha não foi pelas características
físicas, mas pela intuição. O sentimento
de pai surgiu de repente, diferente de qualquer tipo de amor,
até mesmo do amor de filho.”
Foram necessárias adaptações para que Antônio
Carlos assumisse o papel de pai, mas ele diz que isso ocorreu
com facilidade. “Na época eu tinha três empregos
e tive que deixar um e reorganizar minha rotina”, lembra.
O pai nunca abriu mão de que o filho conhecesse a própria
história e a respeitasse. “Também proporcionei
o acesso à mãe, já que ele não teria
uma substituta. Aos 16 anos ele tomou a decisão de romper
este laço”, conta. “Mas nunca houve confusão
de qual era a família dele. Sempre trabalhei com a verdade
porque acho que todos têm direito de ser donos da própria
história.”
Atualmente Rogério tem 19 anos, e o pai conta que a relação
dos dois é boa. “Ele é bastante reservado,
temos diferenças e respeitamos o espaço de cada
um, mas nos damos muito bem. Nunca pensei em ter um filho biológico,
pois não há diferença na adoção”,
explica. “Mas já pensei em adotar uma menina e só
não o fiz devido a minhas responsabilidades e compromissos.”
PROJETO
DE VIDA:
diminuindo desencontros
Segundo a Assessoria de Comunicação Social do Tribunal
de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), na Vara
da Infância e Juventude de Indaiatuba há atualmente
54 casais na fila de espera por um filho adotivo. São pessoas
que esperam ansiosamente a oportunidade de se tornarem pais e
mães. Em contrapartida, 25 crianças e adolescentes
vivem hoje nos dois abrigos existentes na cidade. Há, portanto,
mais de dois casais para cada criança. Por que então
os pretendentes à adoção passam anos aguardando
pelo tão desejado filho? Ou: Por que crianças ainda
vivem anos dentro de instituições sonhando com o
dia em que farão parte de uma família?
A resposta é uma só para ambos os questionamentos:
o desencontro. O perfil que os pretendentes traçam ao escolherem
que tipo de criança desejam adotar não é
condizente com a realidade dos abrigos, não apenas do nosso
Município, mas do Brasil. No país da diversidade,
pessoas que buscam a adoção ainda preenchem a ficha
assinalando que desejam apenas um filho, menor de 3 anos e de
cor branca. Que seja menina também é uma das grandes
preferências. Porém, a grande maioria dos abrigados
possui um ou mais irmãos, é maior de 3 anos, e de
cor negra ou parda.
O que fazer para diminuir a distâncias entre o grande número
de pais que querem adotar e as crianças que aguardam uma
nova família? Para o Grupo de Apoio à Convivência
Familiar e Comunitária – Projeto de Vida, a conscientização
é o caminho. Criado em abril de 2006, o objetivo do trabalho
é fazer parte do elo de proteção integral
à criança e ajudar na alternativa da criança
ou adolescente de ter uma vida familiar por meio da adoção.
Por intermédio de uma parceria com a Vara da Infância
e da Juventude, o projeto promove palestras com os pretendentes
à adoção sobre temas pertinentes, como questões
jurídicas, aspectos psicológicos de crianças
institucionalizadas, como revelar a adoção, entre
outros.
O evento ocorre sempre no quarto sábado de cada mês,
às 16 horas, na Câmara, sendo que a participação
é gratuita. De acordo com o grupo, cerca de 30 pessoas
participam de cada palestra, sendo que mais de 200 já foram
atendidas, incluindo de cidades próximas.
Além disso, é possível marcar um atendimento
individualizado para que os pretendentes possam conversar sobre
adoção. Em todas as abordagens é enfatizado
que a prioridade na adoção é a criança,
e não os pais. A técnica química Maria
Sueli dos Santos, 47 anos, membro do Projeto de Vida,
comenta que a maioria dos pretendentes é de casais brancos,
com a média de idade acima dos 35 anos e com problema de
fertilidade. Porém, há ainda casos de mães
e pais solteiros que buscam a adoção. “Buscamos
tratar também a questão da adoção
como parte do planejamento familiar, e não apenas para
preencher uma necessidade momentânea”, comenta. “Aqui
é na verdade um espaço para troca de experiências.”
O TJ-SP informa ainda que há na cidade 14 famílias
com a guarda provisória de crianças.
Assuntos
Dentro do Projeto de Vida é discutido todos os ângulos
de uma adoção, como a necessidade de que o casal
esteja em sintonia na decisão e conscientes do que querem;
a necessidade da segurança emocional; o respeito à
história da criança; a revelação da
adoção, mesmo que tardia; entre outros.
Com este trabalho, o grupo já está sentindo mudanças
nas expectativas de pais que freqüentam o grupo e abrem,
não apenas os olhos para a realidade das crianças
abrigadas, mas os braços para novas possibilidades. “Entendemos
o sonho de ter um filho recém-nascido, mas temos que encarar
que a verdade é outra. Não precisamos de um grupo
de apoio para a adoção de bebês”, analisa.
“Temos que pensar que a adoção não
é um ato de caridade, e sim de amor.”
Sueli
sabe o que fala. Junto com o marido, o engenheiro químico
Paulo Sérgio Pereira dos Santos, 47 anos,
tem três filhos biológicos e sete adotivos, somando
dez no total, com idades entre 8 e 20 anos. Casados há
21 anos, Paulo e Sueli nunca fecharam definitivamente o número
de filhos que teriam.
“O que nos levou a ter tantos filhos, certamente foi o compromisso
com a vida, com o bem-estar do próximo. Todas as crianças
estavam fora do padrão desejado e em algum lugar esperando”,
relatam. “Sempre nos perguntam se eles sabem de sua condição
de adotivos. A resposta é sim, pois está na cara
e na pele. Mesmo assim as pessoas enxergam semelhanças
em todos nós, e rimos muito porque sabemos que só
o que nos une é o amor que sentimos.”
Exemplo
A
empregada doméstica Giselda Aparecida,
40 anos, e o auxiliar de produção José
Luís Prisnitz, 38 anos, são um exemplo
de casal que mudou de opinião ao participar das reuniões.
Eles são casados há 12 anos e por dificuldade para
ter um filho biológico optaram pela adoção.
Estão há três anos na fila de espera, desde
que definiram que queriam apenas uma menina recém-nascida
ou até com 6 meses de idade e branca. Após freqüentar
as reuniões por um ano, decidiram há dois meses
mudar o perfil de expectativa. “Aguardamos uma criança
de até 5 anos e pode ser, sim, um casal de irmãos”,
diz Giselda. “Às vezes fico nervosa, porque não
sei quanto tempo ainda vai demorar e fico pensando se vai ser
hoje ou esta semana. Mas é uma expectativa boa, de trazer
uma pessoa nova para a família.”
SEM
EXPECTATIVAS
DE ADOÇÃO
Mônica*,
que no dia 19 de outubro completa 15 anos, vive há quatro
na Associação Beneficente Irmã Dulce (Abid).
Uma das muitas qualidades da menina é a capacidade de encarar
a vida de frente, com mais coragem do que muitos adultos. Mas
ela tem opiniões firmes sobre a situação
das crianças abrigadas. “Não acho certo que
os pretendentes escolham os filhos como se fosse por um catálogo”,
critica. “Não sou uma peça de roupa e acho
um grande preconceito determinar quem será seu filho pela
idade, cor ou comportamento. Tem que adotar pelo desejo de ser
pai.”
A
jovem afirma que não tem expectativas de ser adotada e
que só faria parte de uma nova família se pudesse
levar também os três irmãos que estão
abrigados com ela, de 8, 9 e 12 anos. Mas ela não sofre.
Diz que se sente aceita na Abid, e que os voluntários,
funcionários e moradores são como uma grande família.
“No começo eu via os outros irem embora e ficava
triste, me perguntando se eu nunca iria também. Mas hoje
sei que ninguém tem culpa de eu estar aqui dentro”,
reconhece. “Eu me acostumei com a situação
e sou feliz sem expectativas. Aqui tenho uma vida normal, o que
muda é que não estou com meu pai e minha mãe.”
Mesmo assim, Mônica sonha com um futuro melhor e diz que,
se pudesse escolher, teria uma família estruturada. “Não
importa como seria minha casa, ter dinheiro ou nome. Mas se existisse
amor, carinho e compreensão essa seria a família
ideal de qualquer criança”, argumenta. “Mesmo
se isso não acontecer, quero vencer na vida e dizer com
orgulho que vim de um abrigo.”
Entidade
A psicóloga da Abid, Daniella Araújo, explica que
a prioridade do trabalho da entidade é o resgate à
família. Quando não há mudanças significativas
no lar que possibilitem o retorno da criança, o Fórum
é informado. É sempre a Justiça quem toma
a decisão da destituição do poder familiar.
Quando os pretendentes chegam ao abrigo com a determinação
oficial da Vara da Infância para visitar uma criança,
a psicóloga os convida para uma entrevista e conta as características,
personalidade, história de vida e da família do
abrigado, além de mostrar uma foto. “Muitos já
desistem de conhecer a criança nesta etapa”, conta.
Depois vem a fase da aproximação, através
das visitas, com o objetivo de criar o vínculo. A criança
é então levada para o novo lar quando a Justiça
dá a guarda para os pais. Esse processo, que pode levar
uma semana ou meses, foi implantado em parceria com a Vara da
Infância e Juventude. A idéia é construir
uma relação saudável entre a criança
e a família, evitando assim o sofrimento. “Quando
uma criança é devolvida é uma catástrofe
emocional para ambos os lados”, relata. “Este é
o problema da idealização e falta de preparo.”
Daniella comenta que acontece de pretendentes ansiosos irem até
a Abid pedindo para ver as crianças, mas isso não
é permitido, até porque algumas ainda estão
na fase do resgate à família. A outra entidade local
que abriga jovens é a Associação Filantrópica
e Assistencial (AFA) São Francisco de Assis.
*Nome fictício
CAMINHOS DA ADOÇÃO
1 O pretendente
deverá se habilitar pela Vara da Infância e da Juventude
da cidade. Desta forma, ele entrará no Cadastro de Pretendentes
à Adoção local e estadual
2 Após os esclarecimentos, o pretendente
receberá um modelo de requerimento para a habilitação,
bem como uma lista de documentos que deverão ser por ele
providenciados
3 O pretendente passará por entrevistas com a equipe
técnica da Vara, composta por assistente social e psicólogo,
podendo haver visita domiciliar
4 A equipe técnica elabora um parecer sobre
a existência de condições para que o pretendente
possa adotar uma ou mais crianças e/ou adolescentes
5 O pedido de habilitação será
encaminhado ao Ministério Público para opinar pelo
deferimento, ou não, do pedido de habilitação.
Em seguida, será a vez do Juiz da Infância e da Juventude
decidir
6 Habilitado, o pretendente à adoção
será chamado pela Vara da Infância quando surgir
uma criança ou adolescente que corresponda ao seu ideal
de adoção. Caso haja empatia entre o pretendente
e a criança, terá início o processo efetivo.
7 O pretendente à adoção
receberá a criança ou adolescente sob guarda, dando
início ao que se chama de Estágio de Convivência,
que terá a duração que o juiz entender necessária.
Haverá o acompanhamento da equipe técnica, que ao
final elaborará parecer favorável, ou não,
à adoção.
8 Após manifestação do Promotor
de Justiça, o juiz decidirá se concede ou não
a adoção.