::
Por CYNTHIA SANTOS
A
Revista da Tribuna volta a trazer nesta edição
mais um pouco da história de Indaiatuba. Os moradores mais
antigos podem até ter conhecido algumas personalidades
que dão nomes às ruas e avenidas do Município,
mas como Indaiatuba tem um grande número de pessoas que
adotaram a cidade como sua morada há pouco tempo, nem todos
sabem quem são os ilustres personagens que emprestam seus
nomes às vias públicas. Alguns se destacam por ter
participado da vida política da cidade; outros pelos trabalhos
sociais em entidades. Mas todos se encaixam no mesmo requisito:
receberam a condecoração merecidamente.
Jacob
Lyra
A
via que recebe o nome de Jacob Lyra, no Parque das Nações,
abriga órgãos públicos como o Banco do Povo
e o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT). A homenagem é
justa: ele foi prefeito de Indaiatuba por dois mandatos, de 10
de junho a 31 de dezembro de 1947, e de 1º de janeiro de
1952 a 31 de dezembro de 1955.
Jacob Lyra nasceu em 17 de outubro de 1899, em Indaiatuba. Era
filho de Luiz e Giserda Lyra, e teve 14 irmãos. Foi casado
com Maria José de Assis, com quem teve um filho, Hélio.
Envolvido na vida política da cidade, sempre fez campanhas
a pé, de porta em porta, já que nunca teve carro,
segundo entrevista concedida à Tribuna em 1986. Seu maior
orgulho foi ter lutado pela construção do Ginásio
Municipal de Esportes, concluído na gestão do ex-prefeito
Lauro Bueno de Camargo. Entre as suas realizações
no Município em seu segundo mandato estão a construção
de um posto de saúde e do Hospital e Maternidade Leonor
Mendes de Barros. Este, seria hoje o prédio onde está
instalada a unidade 2 da Fundação Indaiatubana de
Educação e Cultura (Fiec), no bairro Cidade Nova.
Lyra também foi responsável pela instalação
de dois consultórios de dentistas, em Itaici e no centro
da cidade, e pela construção do Grupo Escolar Itaici.
Também construiu a Escola Mista no Bairro Santa Cruz e
deu início à construção de um Ginásio
Municipal. Ainda foi responsável pela pavimentação
de 38 mil metros de ruas da cidade, pela abertura da estrada que
liga Jundiaí ao bairro Itaici, e inaugurou o prédio
da delegacia e da cadeia com recursos do governo do Estado. Faleceu
em 1987, aos 88 anos.
Zephiro
Puccinelli
O
farmacêutico e manipulador de medicamentos Zephiro Puccinelli
dá nome para uma das ruas mais conhecidas do Jardim Morada
do Sol. Nela, ficam a Unidade Básica de Saúde “Dr.
Mário Paulo” (Mini-Hospital), a Faculdade Unopec
e a Paróquia Santo Antônio. A homenagem deve-se aos
trabalhos filantrópicos de Puccinelli no Município.
Nascido em 14 de junho de 1898, em Monte Mor, era filho de Pedro
e Francisca Puccinelli. Tinha quatro irmãos: Germano, Amadeu,
Aurora e Mariana. Zephiro se formou em 1926 no curso superior
na Escola de Farmácia de Ribeirão Preto. Dois anos
depois, mudou-se para Indaiatuba, onde viveu até sua morte,
em 30 de janeiro de 1953. Foi casado com Glória, com quem
teve os filhos Maria da Glória e Joab José. Além
de Indaiatuba, exerceu a profissão de farmacêutico
em Jaboticabal, Monte Alto e na cidade natal, Monte Mor.
Segundo os arquivos da Fundação Pró-Memória,
Puccinelli era colaborador de asilos e orfanatos e participou
da vida do Município em todas as atividades relacionadas
a sua profissão. Além da ajuda à entidades,
consta que o farmacêutico, que era proprietário de
um estabelecimento no cruzamento das ruas 7 de Setembro e Pedro
de Toledo, atendia muitos clientes sem cobrar pelos serviços,
indo até mesmo nas residências fazer atendimento.
Major
Alfredo de Camargo Fonseca
A
Avenida Major Alfredo de Camargo Fonseca, mais conhecida como
a “Avenida da Santa Rita”, tem como homenageado um
homem que dirigiu Indaiatuba por 29 anos, cinco meses e oito dias.
Filho de Luiz Augusto da Fonseca e Brasília de Camargo
Fonseca, Alfredo nasceu em Itu, em 16 de junho de 1869. Cursou
o antigo primário no Colégio São Luiz, em
sua cidade natal, e o secundário no Colégio Northon,
em São Paulo.
Segundo os arquivos municipais, desde jovem Major Alfredo de Camargo
Fonseca dedicou-se à lavoura, tendo adquirido a Fazenda
Santa Maria, em Indaiatuba. Mais tarde, tornou-se proprietário
de uma cervejaria, também sediada na cidade. Teve a infância
marcada por idéias republicanas do pai, que era membro
da Convenção Republicana de Itu. Devido à
influência política desde a mais tenra idade, na
fase adulta tornou-se presidente do Partido Republicano em Indaiatuba,
dedicando-se praticamente até o final de sua vida à
política. Foi prefeito da cidade por quase 30 anos não
consecutivos.
Deixou a vida política em 1939, para cumprir um decreto
do então presidente da República Getúlio
Vargas, que proibia o exercício do cargo de prefeito a
cidadãos com mais de 68 anos de idade. O major faleceu
dois anos depois, aos 71. Sua esposa, Francisca Silva Dineli,
ao saber de sua morte, teve um infarto fulminante e acabou sendo
sepultada ao lado do marido, no Cemitério da Candelária.
Em 1997, no aniversário de 56 anos de morte, um novo túmulo,
de granito, foi inaugurado para o casal. Entre os feitos de major
Alfredo de Camargo Fonseca à frente da administração
municipal, está a preocupação com o abastecimento
de água. Em 1906, começou a buscar crédito
para resolver o problema. Dois anos depois, enquanto não
conseguia recursos para uma estação de tratamento
de água, mandou instalar torneiras nas esquinas da área
central para que os habitantes pegassem água. Em 1915,
mandou construir uma represa, caixa de bombas, lavanderia e a
caixa d’água abaixo da linha férrea, no Bairro
Santa Cruz.