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O matrimônio e seus
bastidores


Cuidados dobrados com o buffet e álbuns
elaborados no estilo jornalístico são as
novidades para quem vai casar


:: Por FÁBIO ALEXANDRE



Os noivos Vanessa e Jaime
em flashesregistrados
pelo fotógrafo Luiz Miyake

 

Mesmo nos dias de hoje, onde um relacionamento não precisa necessariamente de um laço oficial para se manter, os casais sonham com um casamento inesquecível. A cerimônia é um momento único que significa um novo momento na vida a dois e exige um cuidado especial. Nos bastidores, empresas de organização e buffet e fotógrafos apresentam seus novos produtos relacionados ao matrimônio. Cuidados especiais com o cardápio da festa e álbuns de fotografia elaborados no estilo jornalístico são as principais novidades.

“Hoje em dia, os noivos podem optar por centenas de detalhes, dependendo de sua religião ou doutrina, assim como seu poder aquisitivo”, conta Eliseu Marques, diretor da Visual Buffet (Rua Haiti, 371 – Parque Boa Esperança). Contudo, um detalhe tornou-se essencial nos casamentos. “Antigamente, os noivos tinham um cuidado especial com a decoração, mas esqueciam o buffet. Quando você vai a um casamento, no que mais presta atenção? No cardápio variado ou no arranjo de mesa?”, indaga. “Atualmente, os noivos se dedicam mais à escolha do cardápio.”

No entanto, a decoração ainda é tópico importante na elaboração de cerimônias. “Contamos com diversas opções de flores, já que as estufas possibilitaram o cultivo de plantas de outras estações em qualquer época do ano”, conta Eliseu. A presença do cerimonialista é outra novidade. “O cerimonialista se dedica integralmente aos noivos, antes e depois da cerimônia”, revela. “É a pessoa responsável por cuidar dos detalhes, como reservar uma mesa para os padrinhos, orientar os noivos a como se portar e receber adequadamente os convidados”, observa.

A elaboração do cardápio é outro cuidado especial. “Os noivos precisam respeitar a preferência de seus convidados, por isso, não oferecemos um cardápio reduzido”, examina. “Afinal de contas, se temos um vegetariano na festa, por exemplo, seria complicado não contar com saladas. Os noivos precisam se atentar aos detalhes para não desagradar os convidados”, enfatiza. “Nossa preocupação é constante, pois o marketing boca-a-boca é uma de nossas principais ferramentas”, lembra Eliseu. “Se o cardápio desagradar, sabemos que as críticas cairão em cima da empresa responsável e nunca nos noivos”, pondera.

As cerimônias de casamento atuais estabelecem um ritual diferenciado. “No início da festa, os noivos chegam e jantam”, comenta o diretor da Visual. “Depois disso, eles se dirigem ao salão e abrem oficialmente o buffet para os convidados”, explica. “Antigamente, os noivos pagavam pelo buffet e não conseguiam comer, no meio de toda agitação”. Os cuidados com a higiene e limpeza também foram redobrados. “Contamos com uma equipe treinada e uniformizada, que se preocupa com todos os detalhes do casamento”, afirma Eliseu. “É desagradável chegar no local da festa e constatar que os banheiros e mesas não estão adequadamente limpas”, exemplifica. “Por isso, mandamos nossa equipe ao local para uma limpeza completa antes e durante a festa, e ainda disponibilizamos seguranças, já que o índice de furtos e roubos de veículos vem crescendo na cidade”, pondera.

Muito embora a maioria ainda considere maio o “mês das noivas”, Eliseu afirma que os meses mais procurados são abril e setembro. “Hoje em dia, os casamentos são planejados com meses de antecedência e os noivos podem antecipar o pagamento da cerimônia em planos especiais”, revela. Os pacotes especiais incluem ainda serviços de foto, vídeo, som e iluminação. “Atualmente, as cerimônias são divididas em etapas. Temos a recepção, o jantar e a festa. Cada período é devidamente respeitado”, comenta Eliseu. Outro item importante é a duração da festa. “Nos preocupamos em estabelecer um limite, para que todo o processo transcorra da melhor maneira possível”, informa.

Indaiatuba oferece serviços de qualidade na área de buffet. “Tempos atrás, os noivos procuravam empresas em cidades da região”, recorda Eliseu. “Agora contamos com uma equipe competente e auto-suficiente para organizar todos os detalhes do casamento”, garante. Com tantas opções, a questão parece ser uma só: quanto você pode gastar?

Álbuns trazem
estilo jornalístico

Fazer uma bela festa e não registrá-la é praticamente um “crime”. Por isso, ao longo de décadas, os álbuns de casamento se tornaram obrigatórios desde o advento da própria fotografia. Passando pelo preto e branco até a chegada das fotos coloridas, os álbuns ganharam formas e estilos diferentes.

“Acompanho as mudanças desde a década de 60, quando mesmo nas cidades pequenas, o álbum fotográfico de casamento já era ‘moda’”, recorda o fotógrafo Antonio da Cunha Penna, do Foto Silva & Penna (Rua Cerqueira César, 1.178 – Centro). “Naquela época, contávamos com apenas dois estúdios na cidade que seguiam os padrões: sair da Igreja, ir ao estúdio e fazer fotos 18x24 centímetros posadas, todas em preto e branco”, conta. “Raramente eram feitas fotos na Igreja, devido às limitações técnicas. Na época, cada clique demandava uma lâmpada. Por isso, saía caro fazer muitas fotos”, enfatiza.

A partir da década de 70, com a miniaturização dos componentes, os flashes se modernizaram. “Com esta nova tecnologia, podíamos fazer mais fotos. Mesmo assim, as poses permaneceram sem espontaneidade alguma”, lembra Penna. “Na metade da década de 70 surgiram as primeiras fotos coloridas, ainda um luxo para a maioria”, afirma. “Por isso, a predominância era do preto e branco”.

Quando começou a trabalhar com fotografia em 1983, Luiz Miyake, da Mak Foto (Rua Independência, 61 – Cidade Nova), seguia um roteiro restrito. “As fotos seguiam um roteiro: Civil, Igreja, Praça e festa. Sempre todas posadas. Mudava apenas os personagens”, conta.

Assim foi até o final da década de 90. “Usávamos no máximo seis rolos com 36 poses”, observa Miyake. “Depois tirávamos uma prova para os noivos e as fotos escolhidas saíam exatamente como eles haviam visto. Não dava para editar”, recorda. Na mesma época, uma profissional desenvolveu em São Paulo uma nova técnica. “A fotógrafa Camila Butcher passou a empregar o estilo jornalístico nas fotos de casamento. No entanto, ainda esbarrávamos no preço dos rolos de filme”, enfatiza Penna.

Em 2000, a tecnologia digital causou uma revolução. “Antigamente, fazíamos de 70 a 100 fotos por casamento. Hoje, fazemos de 300 a 500 fotos”, informa Penna. O lançamento de novos softwares possibilitou a manipulação das fotos. “Hoje é possível moldar as fotos de acordo com o gosto do cliente”, esclarece Miyake. Com estas novas possibilidades, o estilo jornalístico ganhou força. “Basicamente, empregar o estilo jornalístico significa fotografar sem a atenção dos fotografados, captando imagens espontâneas e registrando o momento presente em tempo real. Empregando esta técnica, contamos uma história, que vai do making of até a festa”, resume Penna.

Se na época dos filmes e flashes gigantescos, a presença de um auxiliar era imprescindível, hoje as coisas mudaram. “Faço a cobertura de casamento com outro fotógrafo da minha equipe. Um se encarrega das fotos tradicionais, enquanto o outro se preocupa com closes menos casuais”, comenta Miyake. “Depois os noivos escolhem suas fotos preferidas e damos início à montagem. Neste processo, algumas fotos que ficaram de fora acabam sendo usadas para compor a foto editada”, observa.

O resultado é único. “Se antigamente o álbum trazia uma foto por página, atualmente os álbuns lembram um livro, com várias fotos editadas em uma única pagina, com direito a misturar cores e utilizar o preto e branco como um recurso estilístico”, explica Penna. “Assim conseguimos criar efeitos antes inimagináveis”, enfatiza.

O preço do álbum editado varia entre R$ 2 a 3 mil. “Inicialmente, a maioria acha caro”, observa Miyake. “Mas depois que os noivos analisam o resultado final, simplesmente não resistem”, garante.

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