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Conserte sua postura


Crianças, adolescentes e adultos podem
sofrer com a dor nas costas, patologia que
atinge cerca de 80% dos brasileiros


:: Por FÁBIO ALEXANDRE

É comum entre os brasileiros dormir e acordar sentindo aquele incômodo nas costas. A popular dor nas costas, também conhecida como dorsalgia, é um problema de grandes proporções e umas das queixas mais freqüentes da humanidade. Estima-se que entre 65% e 80% da população mundial desenvolva a enfermidade em algum período de sua vida. Entre as crianças e adolescentes, a grande vilã é a pesada mochila em que carrega-se os livros e outros acessórios escolares. Já na fase adulta, a má postura no trabalho pode causar problemas como a escoliose, hiperlordose e a cifose, entre outras.

“No Brasil, pesquisas estimam que 80% das pessoas sofrem de intensas dores nas costas em alguma momento da vida”, conta o fisioterapeuta e acupunturista José Orlando Martyns, da Energy Fisio’s. A espinha dorsal é uma complexa rede que liga nervos, articulações, músculos, tendões e ligamentos e todos são capazes de produzir dor. Grandes nervos que se originam da espinha e vão até as pernas e braços podem espalhar dor para as extremidades. “Sua coluna é formada por vinte e quatro vértebras separadas e nove vértebras ligadas na base da coluna”, explica José Orlando. “Entre as vértebras separadas há coxins (discos) de tecido conjuntivo firme, que agem como amortecedores de choques e nos dão mobilidade para nos locomover, correr e saltar”, acrescenta.

Nossa coluna é sustentada e estabilizada pelas costelas, pélvis, músculos e ligamentos e possui cinco funções principais. “A primeira é sustentar a pesada parte superior do corpo”, ressalta o fisioterapeuta. “Em seguida, a coluna distribui o peso da parte superior do corpo para as pernas, através da pélvis e também flexiona as costas”, lembra. “Outra função importante é proteger a medula espinhal e os nervos, além de funcionar como junção da cabeça, tórax e pélvis”, acrescenta.

A dor nas costas pode ser constante ou intermitente e permanecer em um certo ponto ou “migrar” por outras áreas. Pode ainda ser sentida no pescoço e conseqüentemente deslocar-se pelo braço e mão, ou na parte superior das costas e também na parte inferior, descolando-se pela perna e pé. “A maioria dos problemas nas costas se desenvolve gradativamente, como resultado da má postura, excesso de tensão e esforço muscular”, observa José Orlando. “Alguns sintomas comuns são tensão muscular crônica, flexibilidade limitada, má organização postural e dor”, examina.

A dorsalgia pode também atrapalhar nosso cotidiano. “A dor nas costas pode afetar nossa disposição emocional”, garante o fisioterapeuta. “Assim como nossa capacidade de tensionar, causando dor no pescoço, tórax e ombros”, lembra. A postura viciosa no dia-a-dia pode levar a certas patologias relacionadas a coluna. “A pessoa que não se policia em seu cotidiano pode sofrer com patologias graves na coluna”, conta José Orlando. “Entre elas, as mais conhecidas são a hiperlordose, uma curvatura exagerada da coluna para dentro, que atinge as pessoas que passam muito tempo em pé; a escoliose, um desvio lateral da coluna que possui diversas origens; e a cifose, um desvio acentuado da curvatura da coluna na região torácica, popularmente conhecida como corcundez, cujas causas podem ser a má postura e a falta de condicionament físico”, explica.

Mesmo tratada como uma patologia, a dor nas costas tem caráter benigno e na grande maioria dos casos, sua “cura” está relacionada simplesmente a mudanças em seu cotidiano, principalmente no ambiente de trabalho. Entre os chamadas tranatamentos preventivos, o alongamento é o mais indicado deles, pois coloca os músculos para “trabalhar” e evita crises repetitivas.

ESCOLA E TRABALHO

Como dito anteriormente, as pesadas mochilas escolares são as principais “culpadas” pelo surgimento da dorsalgia entre crianças e adolescentes, mas outros fatores podem contribuir para a chegada da dor nas costas. “A falta de postura na sala de aula é freqüente entre alunos de todas as idades já que, geralmente, as cadeiras escolares não são anatômicas e não respeitam a altura e o peso de cada um, ou mesmo certas limitações que podem infringir o aluno”, enfatiza José Orlando. “Por isso, o professor deve ficar sempre atento na sala de aula e incentivar os próprios alunos a policiarem sua postura na sala de aula, para que isso não se torne futuramente uma patologia”, conta.

Incentivar a prática esportiva ajuda a prevenir a dorsalgia. “Os professores de Educação Física também devem estar atentos ao problema e orientar seus alunos. O sedentarismo é uma das principais causas da dor nas costas e precisa ser ativamente combatido”, ressalta o fisioterapeuta. No caso das mochilas escolares, José Orlando “receita” duas medidas práticas. “A primeira é, logicamente, diminuir drasticamente o peso suportado pelas costas”, enfatiza. “A segunda é a utilização daqueles carrinhos, desobrigando a criança ou o adolescente a carregar todo peso”, lembra. “Além disso, as escolas podem investir em cadeiras ergonômicas, que resultarão em uma melhor qualidade de vida e aproveitamento dentro da sala de aula”, adiciona.

Já no ambiente de trabalho, as causas da dorsalgia são variadas. As chamadas lombalgias ocupacionais podem se originar no ato de levantar, carregar ou empurrar um peso exagerado; e em posturas erradas prolongadas tanto sentado como em pé. No entanto, fatores relacionados à personalidade também devem ser observados, uma vez que a fisioterapia atual aceita fatores psicossociais como determinantes. Ou seja, uma tensão emocional, insatisfação no trabalho, problemas econômicos e familiares, problemas psiquiátrico e o abuso de drogas podem transformar a coluna em um “órgão de choque”, no qual o indivíduo descarrega suas ansiedades e frustrações, dando causa a patologias diversas.

Certos cuidados no cotidiano podem ser determinantes para se evitar a dor nas costas. “Muitas vezes, o empresário não se dá conta de que carregar sua pasta somente de um lado pode causar dor nas costas”, lembra José Orlando. “Infelizmente, poucas empresas atualmente trabalham a postura de seus funcionários no ambiente de trabalho, principalmente aqueles que carregam peso”, lamenta o fisioterapeuta. Em algumas empresas, o emprego da ergonomia é freqüente. A técnica visa aplicar teorias, princípios, dados e métodos com o objetivo de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema, evitando desordens músculo-esqueléticas. “Atualmente, a quantidade de tempo de trabalho perdido em função de problemas nas costas tem aumentado consideravelmente”, alerta.

José Orlando lembra que, na maioria dos casos, pequenas mudanças na rotina são suficientes para se evitar o problema. “O cuidado com as costas é algo que todos deveríamos conhecer”, enfatiza. “Exercícios físicos freqüentes e cuidado com a postura são essenciais”, lembra. “Contudo, se a dor permanecer, procure rapidamente um especialista”.

 

DICAS PARA O COTIDIANO

1 - Ande o mais ereto possível. Imagine que alguém está puxando sua cabeça para cima. Endireite seu corpo e procure algo acima do horizonte

 

 

 

 

 

2 - Exite dobrar o corpo quando, estando em pé, realizar um serviço sobre uma prancha ou mesa; procure elevar o objetivo de trabalho

 

 

 

 

 

3 - Quando sentar-se, não cruze as pernas

 

 

 

 

 

4 - Quando sentado, evite dobrar o corpo sobre a mesa para escrever ou bater à maquina. Procure apoiar os cotovelos sobre a mesa. A poltrona ideal deve ter a altura da perna, profundida igual ao tamanho da coxa e encosto com inclinação máximo de 100º

 

 

 

5 – Procure dormir sempre de lado, com as pernas encolhidas e o pescoço paralelo ao leito, com o travesseiro mantido à distância. O colchão deve ser de boa qualidade com densidade proporcional ao seu peso e altura, apoiado em um estrado de madeira

 

6 – Evite levantar objetos do chão mais pesados do que 20% do seu peso corporal. Abaixe-se, mantendo sua coluna ereta

 

 

 

 

7 - Não coloque pesos acima da cabeça em prateleiras altas. Não carregue bolsas pesadas inutilmente o dia todo

 

 

 

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