Somente
depois da morte podemos julgar se fomos felizes ou infelizes em vida
Por Irmão Anézio
avendrame@itelefonica.com.br
“ Nunca se deve perder de vista o último dia do homem,
nem declarar que alguém é feliz antes de vê-lo
morto e reduzido a cinzas”
Ovídio
É conhecida a história do Rei Creso. Que feito prisioneiro
por Ciro, fora condenado à morte. Ao aproximar-se a hora do
suplício, pôs-se a gritar: “Sólon, Sólon”.
Comunicada a exclamação a Ciro, este indagou de sua
significação, e Creso lhe explicou para sua desgraça.
Estava confirmando a verdade de certa máxima que Sólon
lhe transmitira: “Os homens, quaisquer que sejam os favores
quem que os cumule a sorte, não podem estimar-se felizes enquanto
não vêm chegar o seu último dia, e isso em virtude
da instabilidade das coisas humanas que um por menor basta para mudar
inteiramente”.
Nos adaptamos a todas as exigências da vida, nos portamos quais
artistas diante das situações, porém quando diante
da morte, somos sempre nós próprios. Daí vem
a verdade, e que felicidade sente aquele que vê seu nome na
frente de hospitais que ele mandou erigir, de faculdades que construiu,
das fábricas onde centenas de operários tem o ganho
do pão de cada dia. E que infelicidade tem aquele que embora
num hospital caro, cuidado pelos melhores doutores, vê ao seu
redor, poucos seres e suas recordações são mesas
de jogo, viagens, roupas caras, carros importados, enfim, uma vida
jogada no lixo.
Nesse momento um professor lembra os alunos que hoje são doutores.
Daí aceitar-se com razão a máxima tão
justa de Sólon. Mas, como se trata de um filósofo, para
o qual os favores e as desgraças da sorte não contam
nem como coisa feliz nem como coisa infeliz, pois ele encara grandeza
de poder como acidentes mais ou menos sem importância em nossa
vida, penso que sua intenção seja mais profunda e tenha
querido dizer, com isso, que essa felicidade de nossa existência,
depende da tranqüilidade e da satisfação de um
espírito reto, da resolução e da firmeza de uma
alma serena, não deve ser atribuída ao homem enquanto
não representa o último ato - e sem duvida - o mais
difícil da comedia de sua vida.
Eis porque a esse momento devem relacionar-se todos os demais atos
de nossa vida. É o dia principal, o dia que valoriza todos
os outros. É o dia que julgará todo passado, deixo que
a morte se pronuncie sobre minhas ações; por ela se
verá se minhas palavras saem dos lábios ou do coração.
Disse um conhecido escritor.