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Carrilho é músico
com M maiúsculo

Ele integra a nova safra de músicos eruditos, com composições tocadas em vários países

Frederick Carrilho, 34 anos, já gostava de música antes mesmo de nascer. Calma, nada a ver com espiritismo e sim com uma possível linhagem genética. Na barriga de sua mãe “ouvia” Haendel, Ravel, Erik Satie, Debussy e Beethoven, além dos hinos e corais da Igreja Batista. “Meu avô era pastor e também saxofonista e em todos os cânticos era ele quem conduzia a congregação”, relembra Fred. Aos seis anos ganhou seu primeiro violão e não parou mais. Teve aulas com a professora Rosa Platz (a mesma de Toquinho e Ulisses Rocha), seguindo um currículo estrelar de professores e instituições de ensino.

Formou-se em violão erudito pela Faculdade de Artes Alcântara Machado, é mestrando pela Unicamp recebendo uma bolsa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Também foi bolsista por duas vezes seguidas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Brilhante
Além de suas atividades profissionais como concertista, guitarrista e compositor, Carrilho é professor de Violão Erudito e Popular, História da Música, Arranjo, Teoria Musical, Guitarra e Composição. “Com 14 anos eu estudava cerca de quatro horas por dia”. Aos 17 estreou como concertista, e hoje é considerado um dos maiores músicos brasileiros da atualidade. Foi convidado para participar de importantes festivais mundiais.

Dentre as 700 obras inscritas no festival Waging Peace Through Singing (Promovendo Paz Através do Canto), sua música “There Will Be Peace” foi exaltada como a mais brilhante. Ele foi o único latino-americano classificado no festival, o mesmo se deu em julho de 2005, no Oregon Bach Festival Symposium Composers quando estreou sua mais nova composição, “Journey to Eternity”. Ainda este ano participará da mais importante mostra de música do país: a Bienal de Música Brasileira Contemporânea, da Funarte (Fundação Nacional da Arte, Ministério da Cultura), estreando a composição Eventum III, para clarineta, trombone, percussão (dois performers), violão e violino.

ROCK
Uma de suas vertentes musicais também abriu vôo para o rock. “No início dos anos 80 um primo me mostrou ‘A Nigth of the Opera’, do Queen. Fiquei fascinado com os timbres de guitarra, os arranjos instrumentais e vocais, bem como a energia transmitida pelo grupo. A década de 70 é provavelmente o período onde ocorreu a maior evolução e digamos, revolução do ponto de vista técnico e inovador: é desta época que temos grupos e guitarristas como Frank Zappa, Pink Floyd, Yes, Rush, Jethro Tull, e outros”, avalia
Suas influências musicais vão desde Bach a Debussy, de Strawinsky a Xenakis, de Beatles a System of a Down.

“Gosto muito do que é criativo e visceral, original e que tenha energia. Procuro absorver sempre o que há de bom nos diversos estilos e gêneros musicais, e depois utilizar isso de forma mais ou menos consciente nas composições. A música do século XX é extremamente fértil e um universo musical mal explorado. O valor da obra de arte não deve ser medido pelo volume de sua propagação em massa, mas pela sua originalidade tanto do ponto de vista técnico quanto criativo.”

 

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