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Tradições de Natal e Ano Novo

Simpatias, previsões, Missa do Galo, enfeites, 'caixinhas' e solidariedade marcam as festas

As festas de fim de ano - Natal e Réveillon - são marcadas por ri-
tuais (ou superstições) que perduram por muitas gerações. A árvore de Natal e seus enfeites simbólicos, bem como a Missa do Galo e até mesmo a celebração no dia 25/12 do nascimento de Jesus Cristo têm origens pagãs. Segundo astrônomos e pesquisadores da Nasa, a data mais provável do nascimento de Cristo é no fim de julho ou começo de agosto.

Como em 23/12 os romanos celebravam a Saturnália e os celtas comemoravam o Solstício do Inverno, a Igreja, então nascente, resolveu acabar com os ritos pagãos instituindo a data como a celebração do nascimento do filho de Deus. Mas cada enfeite natalino, cada tradição acabou ficando entre os povos, que apenas adaptaram esses costumes. Confira na reportagem a seguir algumas curiosidades sobre o Natal e Réveillon; saiba como as pessoas que precisam trabalhar nessas datas celebram e como a “caixinha” faz da tradicional gorjeta um aditivo maior para várias categorias de trabalhadores.

Missa do Galo
O Culto Solar da Tradição Cristã

Segundo regras ditadas pela a Igreja Católica, conhecida por leis canônicas, no Natal devem ser celebradas quatro missas: na vigília noturna, à meia-noite, na aurora e de manhã. De longe, a mais popular é a da meia-noite, conhecida como a Missa do Galo, celebrada na passagem do dia 24 para o dia 25.

Foi criada pelos católicos romanos no século V e não por São Francisco de Assis (segundo algumas versões). Mas sua origem é pagã, já que foi claramente inspirada nos ritos celtas, quando era celebrado o Solstício do Inverno (22/23 de dezembro) com objetivo de cultuar o deus do Sol. O cristianismo substituiu essa tradição pela festa de Natal, celebrando o nascimento de Jesus, o verdadeiro Deus Sol que traz a luz para a humanidade, vencendo as trevas.

A missa da meia-noite é simbolizada pelo Galo por ser o único animal que anuncia a todos que a noite está findando para dar lugar a um novo dia, aqui no sentido de nascimento de uma luz para o mundo, de renascimento de esperança para a humanidade e a morte da ignorância espiritual.

A Bíblia não faz nenhuma menção a missas, nem mesmo a do Galo, por isso, não se sabe ao certo porque a celebração da meia-noite do dia 24/12 ficou conhecida como a Missa do Galo. Nos países latinos, a tradição popular faz uma alusão direta à lenda que conta que a única vez que um galo cantou à meia-noite foi na noite do nascimento de Cristo. Outros acreditam que é devido a alguns peregrinos cristãos de Jerusalém que seguiam até Belém para celebrar a Missa do Natal na primeira vigília da noite dos judeus, o que acontecia na hora do primeiro canto do galo, mencionado por Jesus na traição de Pedro.

A tradição nem sempre é respeitada, e hoje a Missa do Galo acontece em outros horários. A permissão se deu no Concílio do Vaticano II, convocado em 1962 pelo Papa João XXIII e encerrado em 65 pelo Papa Paulo XI. O objetivo do concílio era a reforma da Sagrada Liturgia para que os ritos se adaptassem às necessidades dos novos tempos, facilitando a participação dos fiéis. Foram as conveniências, ou inconveniências, da vida moderna que levaram a mudança. “Um dos motivos
para a alteração foi o crescente aumento da violência nas cidades, o que desestimulava as famílias a saírem de suas casas durante a madrugada”, esclarece o padre Marcelo Previatelli, da Paróquia Nossa Senhora da Candelária.


Já na Paróquia de Helvetia (Igreja N. Sra. de Lourdes) as tradições continuam a ser seguidas. Depois de uma bela ceia é celebrada a Missa do Galo, como manda o figurino, à meia-noite. “Participam da missa em torno de 300 a 400 pessoas”, informa Hélio Carlos Amstalden, secretário da paróquia, onde também é celebrada a Missa da Aurora.

ENFEITES NATALINOS

Além do Carnaval, a única época em que
se pode abusar dos enfeites é justamente
o Natal. Dá para colocar pinhas, guirlandas,
anjinhos ou renas em todos os cantos da
casa, comércio ou escritório.
Você pode botar a criatividade para funcionar e fazer seus enfeites ou simplesmente comprar tudo pronto.

As árvores de Natal podem ser pinheirinhos naturais (que devem ser plantados em terra depois) ou as artificiais, que estão cada vez mais bonitas. Fazia parte do costume enfeitar a casa e a árvore de Natal no dia 5/12 e desmontar tudo no dia de Reis (6/01). Hoje, ninguém quer esperar tanto e a decoração natalina já está nas vitrines no início de novembro.

O comércio também já vende nessa mesma data os enfeites e guirlandas – que podem ser encontrados em lojas de decoração, papelarias e nos bazares tipo 1,99. São bibelôs diferentes, como o Papai Noel que carrega um saca-rolha ou um abridor de garrafa. Ou o Papai Noel alpinista que pode ficar fora de casa (é de plástico e silicone) e dá um ar divertido. Renas agasalhadas com cachecol, sapinhos com gorro do Bom Velhinho também são um charme diferente.

Agradecimento:
SG Casa, Tulips, Detalhes, Brumat, Farmácia Claro, Vera Helena e Colonial Presentes

O R I G E N S

A idéia de enfeitar a casa no Natal tem origens pagãs, que remontam à antiga Roma e aos druidas (magos celtas). Árvores enfeitadas, velas e ceias vêm desde a época desses povos.

O papa Julius I (362 d.C.) determinou a comemoração do nascimento do Menino Jesus em 25/12, derrubando lendas pagãs, mas não suas tradições, que se mesclaram às do cristianismo. Assim, era importante celebrar o nascimento de Cristo enfeitando árvores como o pinheiro e carvalho. O termo druida significa “carvalho”, e também mago e encantamento.

Árvore
A verdadeira árvore de Natal é o pinheiro, porque ele nunca perde as folhas, considerada no cristianismo o símbolo da vida. Assim como o verde pinheiro, Jesus está sempre presente. São várias as versões sobre a árvore de Natal. A mais aceita atribui a tradição a Martinho Lutero, fundador do protestantismo no século XVI.

Ele teria montado um pinheiro enfeitado com velas em sua casa a fim de mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.

 

Velas No Solstício de Inverno dos celtas a fogueira era acesa para espantar maus espíritos. As velas do Natal têm essa origem, mas no catolicismo representam a luz do Senhor em cada coração. As lojas de Indaiatuba estão bem preparadas para atender a todos os gostos. Podem ser vistas em cores e modelos diferentes como árvores de Natal, flores, ramos de aspargos e muitas outras. No Natal ou no Réveillon elas servem para dar um toque luminoso na decoração. Enfeites com miçangas ou até cristais podem ser vistos em castiçais de uma ou mais velas. Ficam muito chiques e causam um efeito ampliador.

Christmas Nos países de língua inglesa, o Natal é chamado de Christmas, palavra derivada da expressão Christ’s mass, nome de uma antiga missa, realizada todo dia 25 de dezembro em comemoração ao aniversário do nascimento de Jesus.

Guirlanda
Uma guirlanda pendurada
na porta de casa indica a
presença do
Menino Jesus naquele lar.




Sino
As badaladas dos sinos de Natal representam a mensagem “Nasceu Jesus!”. Além disso, acredita-se que o som dos sinos possa afastar tudo de ruim e trazer boa sorte.


Presentes
Para muitos, Natal é sinônimo de distribuição de presentes. A raiz está no costume romano da Saturnália de dar lembranças de boa sorte às crianças. Essa tradição associa-se à da divindade cristã de São Nicolau, conhecido como um benfeitor anônimo, que ajudava as pessoas sem querer reconhecimento. Essas duas tradições se associaram aos presentes – ouro, incenso e mirra – entregues pelos Reis Magos ao Menino Jesus.

Papai Noel Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, nascido na Turquia em 280 d.C. Homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi transformado em santo (São Nicolau) após vários milagres serem atribuídos a ele. A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo e era representado com roupa marrom. Porém, em 1881, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o bom velhinho com trajes de inverno, nas cores vermelha e branca (as cores do refrigerante), com gorro vermelho enfeitado com um pompom branco. O sucesso da campanha fez da nova imagem a figura do Papai Noel como é visto hoje, seja no inverno do Hemisfério Norte ou no calor dos trópicos.


BOM PRINCÍPIO
Quem vem das capitais ou de grandes cidades pode estranhar um hábito típico do interior paulista, embora esteja sendo quase esquecido. No primeiro dia de janeiro crianças eufóricas tocam a campainha das casas desejando “bom principio” ou “boas festas”. Elas esperam em retribuição uma prenda ou uns trocados. Bem semelhante ao que é feito nos Estados Unidos no Halloween. Na hora, pode dar uma certa raiva. Certamente quase todo mundo foi dormir tarde, depois de festejar o Réveillon, e ser acordado as sete da matina não é nada agradável. Mas quando vemos aquelas carinhas eufóricas perguntando “tem boas festas?”, acabamos entrando no clima e damos alguns trocados que serão revertidos em guloseimas.

‘CAIXINHA’
Embora o hábito de dar gorjeta não seja freqüente em Indaiatuba, no Natal algumas empresas permitem que seus funcionários coloquem uma caixinha embrulhada para presente com os dizeres “Boas Festas”. Na parte de cima, estrategicamente cortada, uma fenda para receber dinheiro dos clientes. O valor apurado é dividido com todos os empregados e não só com os que atendem diretamente o público. Nas grandes metrópoles havia um costume bastante constrangedor e, de certa forma, mal intencionado. No caixa dos salões de beleza, um Livro Ouro registra os mimos (seu valor) que cada cliente destina à “caixinha”. Ou seja, o freguês, ao ver valores altos, fica sem graça de oferecer menos. As categorias mais tradicionais que pedem “caixinha de Natal” são garis e carteiros, que deixam cartões em cada casa lembrando da data.

Em clima de festa...
com muito trabalho

Hotel Ybiá

Todos já estão em clima de festa, enquanto passeamos pelo enfeitado centro da cidade podemos até sentir o “cheirinho” de Natal no ar. E nessa hora nos damos conta que alguns irão comemorar o Natal com muito trabalho! “Quando escolhemos certas profissões, como a medicina ou, como no meu caso a hotelaria, estamos cientes que abdicaremos de algumas coisas, como o Natal e o Ano Novo em família”, assegura Ana Carolina Bannwart subgerente do Hotel Ybiá, que há cinco anos passa o Natal e o Réveillon trabalhando.

Hospital
Santa Ignês

Quem também não pára são os profissionais da saúde. Mas não pensem que eles não comemoram. Mesmo sendo o hospital um local pouco agradável, os que estão de plantão fazem sua festa com tudo a que se tem direito, mas, é claro, longe dos familiares. “Fazemos uma ceia e todos os funcionários e também os pacientes confraternizam”, revela Heloisa Rigo, enfermeira-chefe do Hospital Santa Ignês. “Na noite de Natal não temos muito trabalho. É no dia seguinte que acontecem as entradas, principalmente traumas devido ao excesso de bebidas alcoólicas”, explica Heloisa.

Por isso não esqueça, se beber não dirija, chame um táxi, pois também os motoristas estarão de plantão. “O celular sempre toca no melhor da festa”, conta o taxista José Cretaldi, que na noite de Natal tem que deixar a família para socorrer esses festeiros que bebem além da conta ou mesmo aqueles que provam da ceia de um amigo e já corre para festejar na casa de outro. “Minha família não gosta nada dessas escapulidas, todos reclamam dizendo que isso não é hora de trabalhar”, diz José, acrescentado “nós nunca podemos apreciar um bom champanhe, pois temos que ficar em estado de alerta”.

Os funcionários de hotéis, clubes e restaurantes, que oferecem deliciosas ceias de Natal, não podem comemorar como aqueles para quem proporcionam uma grande festa, mas eles também têm seu momento de descontração junto aos amigos de trabalho. “Na hora do brinde é feito um intervalo para que todos confraternizem, mas logo em seguida eles voltam a servir” confidencia Ana Carolina. É claro que todos sentem falta da família, e para evitar decepções as empresas fazem revezamento, quem trabalha no Natal não trabalha no Ano Novo e vice-versa. Desse modo a família pode ser recompensada.

Solitário. É assim que imaginamos o Natal dos arrecadadores de pedágio, em meio à estrada, sozinhos dentro de suas cabines. Mas não é bem assim. Eles também festejam, “a concessionária nos proporciona uma grande ceia, revezamos o trabalho, e comemoramos com muita alegria”, informa o arrecadador Eric Fagundes da Silva que há quatro anos trabalha na Rodovia das Colinas (que administra a SP-75, entre outras). “É claro que lá em casa sentem a minha falta, mas todos reconhecem o meu trabalho, tanto meus parentes quanto a Colinas”, completa ele. Quem também passa por lá pra apreciar a ceia e a confraternização é a Policia Rodoviária. Os viajantes também aproveitam para saudar com os arrecadadores. “São votos de Feliz Natal ou bom Ano Novo”.

É isso, no Natal não tem quem não comemore, trabalhando ou não
a sensação de felicidade invade a todos, mesmo os solitários maquinistas de trem apitam diversas vezes para celebrar a data.


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