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Dia do Vizinho

Vizinhos úteis ou
infernais?

Convivência entre
moradores próximos
nem sempre é harmoniosa

As cidades crescem, novos moradores aparecem e cada vez mais temos novos vizinhos, não importa se em conjuntos habitacionais ou em condomínios de chácaras. Com hábitos diferentes, como viver em harmonia? Pensando nessa convivência foi criado o Dia do Vizinho, comemorado em 23 de dezembro. Já dizia Jards Macalé, ícone da Tropicália: vizinho faz “vizinhada”. Claro que o termo tem conotação pejorativa. Mas será que ter vizinhos é sempre um tormento? Nem sempre. Muitos Boletins de Ocorrência (BO) mostram que o alerta de vizinhos permitiu à polícia prender ladrões em flagrante. São eles que denunciam maus tratos a crianças ou animais. Também se recorre a eles quando falta um ovo na receita de bolo ou quando precisa-se de determinada ferramenta.

O colunista Kleber Patrício viveu uma ótima experiência com vizinhos. Morando sozinho, com a companhia de um dogue alemão, saía cedo para trabalhar e voltava apenas à noite. Para sua surpresa, encontrava a louça lavada e quintal limpo. “A Madalena Toni era como uma mãe para mim. Ela ficava com a chave para qualquer emergência e, talvez por pena, resolveu dar uma ajuda. Nunca aceitou qualquer pagamento”, recorda o colunista com lágrimas nos olhos. É que Madalena faleceu há dois anos, vítima de câncer no pulmão. “Jamais a esquecerei”, completa.

Civilidade
Para harmonizar a convivência em condomínios horizontais e verticais, o síndico precisa estabelecer regras, que são votadas em assembléias. Em muitos edifícios a presença de cães não é permitida. Latidos são apontados como um dos principais tormentos a que vizinhos são submetidos. Isso vale para casas também. E os vizinhos que soltam seus cachorros na rua para que façam suas necessidades longe de seus próprios quintais? Gatos também invadem quintais alheios fazendo ali seu banheiro.

Abaixa o som!!
Talvez o pior tormento causado por vizinhos é o excesso de decibéis. O mais constrangedor é quando o som alto vem de acaloradas discussões entre marido e mulher. Acaba-se ouvindo segredos antes muito bem guardados. Como a bisbilhotice faz parte da “vizinhada”, imagine como a briga serve de material para fofocas.

Gracinha Lahr e seus pais – Arceu, Lazinha – moram na mesma casa há 40 anos e agora estão tendo problemas com vizinhos que alugaram a casa ao lado há poucos meses. Uma bolada já quebrou um vidro da família Lahr e o barulho é constante. “Quando a gente vai reclamar eles ficam agressivos. É muito chato, perdemos a tranqüilidade”, lamenta Gracinha.
O casal Iracema e Jonires Braga reside em Indaiatuba (no bairro Jardim Morada do Sol) há cinco anos. Eles já entraram até na Justiça em busca de qualidade de vida. “Tentei argumentar com um vizinho que o som estava alto, já era mais de meia-noite e ninguém conseguia dormir. Ele não abaixou o volume e tive que chamar a polícia. Aí, por implicância, ele passou a fazer isso todas as noites.” O caso foi parar no Ministério Público e os vizinhos se mudaram. Mas a casa foi alugada para seis rapazes “motoqueiros”, que infernizam os dois com o barulho dos motores.

E na casa ao lado, talvez por não ter o que fazer, um vizinho fica jogando bolas de gude contra a parede. Só que de noite. “Não dá para dormir, você vai pegar no sono e de repente aquele tec, tec, tec”, reclama Jonires, que chamou novamente a polícia. Ele ainda lembra um fato comum que inferniza a rua toda. É quando deixam o carro estacionado na rua e o usam como caixa de som. “Eles abrem o porta-malas, com aqueles alto-falantes e ficam tocando aquelas ‘músicas de presídio’ [rap ou hip hop] e não se consegue nem falar ao telefone ou ouvir TV.”

O QUE MAIS IRRITAM OS VIZINHOS
- Ensaio de bandas de rock
- Cultos de igrejas evangélicas
- Latidos
- Barulho de salto alto no andar de cima
- Uso de furadeira/ aspirador em horário impróprio
- Varrer lixo da calçada para a casa vizinha
- Conversa alta em qualquer horário
- Música alta em qualquer horário
- Queimada de galhos e folhas (em chácaras)

 
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