“Apesar
da crise,
ano foi produtivo”
Para
o deputado Neuton Lima, a crise
no governo Lula não impediu que o Brasil caminhasse rumo ao
desenvolvimento
P
E R F I L
Rubeneuton
Oliveira Lima
Idade: 40 anos
Nascimento:
27 de abril/1965
Profissão:
advogado com sete especializações, pós-graduado
em Ciências Políticas e Desenvolvimento Urbano
Estado Civil:
casado há 11 anos
Nome da esposa: Simone Magda Alves Faria
Filhos:
Raí, 8, e Neuton, 6.
Eleições:
1989-1993
(vereador em Indaiatuba)
1997-1999
(vereador em Indaiatuba)
1999-2003
(deputado federal)
2003-2007
(deputado federal)
Giancarlo Marx - Colaboração
Até
quem nunca soube ao certo qual a função de um deputado
federal se indignou profundamente com o “escândalo do
mensalão”, que tomou conta da imprensa nacional desde
janeiro deste ano. A cobertura que a mídia deu à denúncia
do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi decisiva para que houvesse
maior cobrança por parte do eleitorado, que nas eleições
de 2006 deve estar muito mais atento. Por outro lado, a “overdose
de mensalão” nos meios de comunicação acabou
sufocando as boas notícias dessa legislatura. Creia ou não,
elas existem.
Para o representante de Indaiatuba na Câmara Federal, o deputado
Neuton Lima (PTB), o governo Lula tem lá seus méritos.
Entre janeiro e outubro, o Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) registrou 1,52 milhão de novos empregos. Também
em outubro, o programa Bolsa Família já atendia 7,6
milhões de famílias, e a expectativa é de chegar
a 8,7 milhões ainda em 2005. O PIB opera com um superávit
estimado em R$ 2 trilhões até o fechamento do ano.
Na Câmara não foi diferente. Neuton destaca a importância
da Medida Provisória 255, conhecida como “MP do Bem”.
Entre outras coisas, a MP visa aumentar o espectro de empresas que
podem se enquadrar no Simples, o que significa menos impostos e mais
emprego. “A Câmara aprovou um projeto de suma importância
mas quase nada foi dito na mídia em relação a
isso. Graças a essa omissão, a maior parte da população
não faz a menor idéia do teor da MP do Bem”, desabafa
o deputado.
Projetos
Neuton também teve mais um ano de mandato bem produtivo. Recentemente,
ele conseguiu recursos da ordem de R$ 2 milhões para a consertar
os estragos provocados pelo tornado que passou pela cidade em maio
deste ano. A verba veio do Ministério da Integração
Nacional, através de uma audiência conseguida pelo deputado
com o ministro interino, Márcio Lacerda, e o secretário
Jorge Pimentel. Na ocasião, o ministro recebeu o representante
da Prefeitura de Indaiatuba, e um grupo de empresários da cidade.
Também foram empenhadas este ano as verbas para a construção
de um Centro de Convenções, implantação
de uma nova biblioteca municipal e de três projetos de inclusão
digital através de unidades móveis. Nesses projetos,
jovens carentes receberão capacitação gratuita
em informática. Além disso, este ano, o deputado trouxe
diversos recursos para a Saúde, incluindo a manutenção
do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc). Isso tudo se tratando
apenas de Indaiatuba, sem contar as emendas de bancada e os benefícios
às outras 604 cidades onde ele teve votos. Essas verbas só
são chamadas de “empenhadas” quando o governo assina
um acordo se comprometendo em mandá-las.
Cassação
Neuton
garante que não tem raiva de Sandro Mabel (PL-GO), que foi
o responsável pelo seu pedido de cassação. O
episódio – que em seguida se configurou como represália
do PL ao então presidente do PTB, Roberto Jefferson –
acabou não trazendo conseqüências mais graves, já
que Neuton foi absolvido por unanimidade, e Mabel teve que responder
por quebra de decoro parlamentar (acusar injustamente um outro parlamentar).
“Mas o tempo é senhor da razão. No dia de votar
a cassação dele, ele me encontrou umas cinco vezes nos
corredores da Câmara. Em todas elas ele me pedia desculpas por
haver encaminhado o meu pedido de cassação. Quando estávamos
na fila de votação outros deputados brincaram comigo,
dizendo que dariam tudo para ver o meu voto. Aí eu abri o voto,
que era pela absolvição dele. Não guardo rancor,
simplesmente porque isso não acrescenta nada a ninguém.
Deus é o justo juiz”, afirma.
Passada a tempestade, Neuton quer manter o foco em seu mandato atual
e na disputa eleitoral do próximo ano. Eleito deputado federal
pela primeira vez em 1998, com 37.604 votos, ele saltou para 127.677
votos em 2002. “Espero ter uma expressiva votação
em 2006”.
Adiando
o sonho de ser prefeito
Mesmo permanecendo com a candidatura impugnada até a última
semana de campanha, Neuton Lima teve um desempenho surpreendente na
disputa pela Prefeitura de Indaiatuba. No final do pleito, ele totalizou
22.301 votos, contra 35.112 do prefeito eleito, José Onério
da Silva (PDT).
“Ainda tenho o sonho de ser prefeito para trazer para a minha
cidade tudo o que for possível em se tratando de verbas e recursos
federais. Mas no momento eu sou deputado, e preciso trabalhar por
Indaiatuba como deputado”, confidencia.
Na análise dele, a disputa ajudou a divulgar o seu nome por
aqui, o que deve aumentar a expressividade de sua votação
para deputado em 2006. É que nas eleições federais,
as urnas de Indaiatuba vinham registrando números bem abaixo
do ideal, apesar de se tratar do domicílio do deputado, e mesmo
com todos os benefícios trazidos para a cidade.
“O principal motivo para isso é, sem dúvida, a
dissidência política na cidade. Eles tinham a ‘máquina’
contra nós, e nos boicotaram em diversas ocasiões. Eu
fui ignorado em inaugurações e eventos da municipalidade”,
analisa. Até mesmo nas vezes em que o objeto da inauguração
era uma conquista sua na Câmara Federal, como por exemplo, na
inauguração do Hospital Dia Renato Riggio Júnior,
Neuton Lima sequer foi citado.
“Para se ter uma idéia, tentaram cassar minha candidatura
a prefeito porque eu trouxe ambulâncias para a Apae, Casa do
Caminho. Era óbvio que eu seria absolvido, mas o objetivo ‘deles’
foi atingido, e o desgaste, me levou a perder a eleição
municipal”, avalia.