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São Silvestre

Uma festa pela boa saúde

Em 81 anos de história a prova teve
muitas mudanças, se modernizando
e atraindo cada vez mais atletas

Quinze mil pessoas correndo pelas ruas de São Paulo. Não é difícil imaginar que, quando o jornalista Cásper Líbero instituiu a primeira Corrida de São Silvestre em 1924, ele sequer sonhava que ela atingisse essas proporções. Na primeira edição haviam 60 inscrições, das quais compareceram apenas 48. Isso foi há 81 anos. Para criar a prova, Cásper Líbero se inspirou numa corrida noturna francesa em que os competidores carregavam tochas de fogo durante o percurso. Depois de assistir ao evento em Paris, ele não teve dúvidas de trazer o projeto para São Paulo. Então, à meia-noite de 31 de dezembro de 1924 foi disputada a primeira São Silvestre, nome que homenageia o santo do dia.

Até a sua 20ª edição, a São Silvestre era disputada apenas por brasileiros. Somente a partir de 1945 ela assumiu caráter internacional com a presença de convidados do Chile e Uruguai. Depois disso, correram pela ruas de São Paulo atletas americanos, europeus e asiáticos. Hoje o destaque fica por conta dos africanos, que historicamente são os maiores vencedores da prova.

Quando a ONU instituiu o Ano Internacional da Mulher, em 1975, o jornal A Gazeta Esportiva, que organizava a prova, criou a primeira competição feminina. Nesse primeiro momento a largada era realizada em conjunto com a masculina. Apenas a classificação foi em separado. As principais alterações que conduziram a São Silvestre ao modelo atual aconteceram a partir de 1989. A maior delas foi a mudança do horário da prova para as 17h (15h para as mulheres), o que aumentou consideravelmente o número de participantes. Também inverteu-se o sentido do percurso, e separou-se a corrida masculina da feminina dando maior destaque a ambas.

Dois anos depois, em 1991, o percurso foi ampliado para 15 mil metros, atendendo às especificações da Associação Internacional das Fedeações de Atletismo (IAAF) para poder integrar o calendário de provas de rua.

A 74ª edição (em 2000) ganhou mais duas novidades: chip para os corredores de elite e a abertura das duas pistas da Paulista para a chegada. As mudanças tiveram o objetivo de preparar a prova para a virada do século, bem como aumentar o número de participantes, ambas com sucesso. Este ano, na 81ª edição, os organizadores encerraram as inscrições novamente com 15 mil participantes. Todos os inscritos receberão um kit, com camiseta da prova e um exemplar da revista Andar & Correr, edição especial sobre a Corrida de São Silvestre. A retirada do kit e chip deverá ser feita de 26 a 30 de dezembro, das 10 às 18 horas, no Ginásio Mauro Pinheiro, Rua Abílio Soares, 1.300, Ibirapuera, em São Paulo.

Indaiatuba na São Silvestre

Depois de correrem a Maratona de Curitiba atletas do Projeto Saúde disputam a mais importante prova
de rua do calendário nacional


Marcelo Picchi, Edson Zerbini, Adelson Carneiro e Edivaldo Alves

Este ano um grupo de cerca de 70 corredores de Indaiatuba deverá participar da Corrida de São Silvestre. Entre eles estão oito membros do Projeto Saúde, lançado em 2004 pela Sapataria São Vicente, sob o treinamento de Adelson Carneiro – que correu a prova em sete edições anteriores.

O projeto começou com 20 participantes, e hoje são apenas oito. “Há muita empolgação no começo, mas se trata de uma profunda mudança de hábito. Nem todo mundo está preparado para algo tão radical”, explica o proprietário da Sapataria São Vicente, Edson Zerbini.

Entre as dificuldades que o grupo encontra estão acordar cedo (eles começam o treino às 6h30 da manhã), diminuir as saídas noturnas e selecionar melhor aquilo que vai compor a alimentação. “Sair da zona de conforto é difícil, mas depois desse esforço percebemos os benefícios e não conseguimos mais parar”, define.

O treinador Adelson Carneiro completa: “Esse tempo de adaptação varia de uma pessoa para outra. Alguns enfrentam a maior dificuldade por dois ou três meses e logo superam o sedentarismo. Outros podem levar até um ano. Aí vai contar, mais do que qualquer outra coisa, o quanto a pessoa está determinada a atingir seu objetivo”, diz. A expectativa do grupo é de completar o percurso de 15 quilômetros com tempos que podem variar entre 1h15min e 1h25min.

Formação
Os atletas do Projeto Saúde começaram a treinar em março de 2004, com o objetivo de correr a São Silvestre daquele ano. No entanto, o volume de trabalho da loja nos últimos meses de 2004 atrapalhou o ritmo de treinos, e não foi possível para a equipe correr a prova.

Em 2005 Adelson fez um levantamento do calendário de provas de rua, e selecionou as principais. A idéia foi de participar de uma série de provas de rua a fim de manter o ritmo de treinos até a São Silvestre.

O maior desafio foi no último dia 13 de novembro, a Maratona de Curitiba, com seus assustadores 42 quilômetros. “O objetivo ao competir uma maratona era exatamente o de testar os limites psicológicos. O que mais contou foi a cabeça de cada corredor, e nesse quesito nos saímos muito bem”, analisa o treinador.
Edson complementa falando sobre os treinos. “O treinamento para a maratona é muito puxado, e toda hora dá vontade de parar. Quando nos acostumamos com essa sensação é que estamos mais aptos para uma prova longa como essa”, diz.

Para Curitiba foram apenas quatro integrantes do Projeto: além de Adelson e Edson, seguiram para o Paraná os atletas Edivaldo Alves e Marcelo Picchi. Todos concluíram a maratona com tempos entre 4h10min e 4h30min. Segundo Adelson essa é uma das provas mais difíceis do circuito nacional porque, além do tamanho do percurso, os atletas têm que encarar o relevo acidentado, com subidas e descidas constantes.

“Via de regra quem corre uma maratona termina a prova jurando que nunca mais vai encarar os 42 quilômetros. Mas o nosso pessoal terminou muito tranqüilo, à tarde foram passear um pouco, e já marcaram a próxima para julho em Blumenau”, recorda Adelson.
Para a São Silvestre, boa parte dos corredores indaiatubanos deve compartilhar um ônibus fretado. Como em anos anteriores o grupo, de quase 50 atletas, vai junto a São Paulo. “A maioria treina separado por serem especialistas em provas de distâncias diferentes, mas na verdade somos todos amantes das provas de rua. É isso que realmente importa”, analisa Edson.

Ainda segundo ele, entre os outros motivos para o treinamento separado, estão a disponibilidade de horários e os níveis de condicionamento. “Eu treino como forma de lazer, mas há quem leve a coisa muito mais a sério, visando competir mesmo”, conclui.

 

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