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Carrapato espanta
turistas de áreas rurais


Risco iminente deixa a população
em estado de alerta

O verão e as férias deste ano vêm sendo ameaçados pelo risco de se contrair uma patologia de origem animal. A febre maculosa, que já está popularizada como a “febre do carrapato”. “Estou atendendo bastante gente aqui dizendo que acha que está com febre maculosa. As notícias deixam as pessoas alarmadas”, analisa a médica infectologista, Nancy Villaron.

Para ela, o que tem gerado tanto pavor na população é a cobertura que a imprensa nacional tem dado aos casos de óbito pela febre maculosa confirmados nas cidades de Campinas, Piracicaba e, mais recentemente, Rio de Janeiro. Junte-se isso ao fato de que estamos exatamente no período de desova do carrapato-estrela – que é o transmissor da doença – e pronto. Está instalada uma nova fobia.

O cavalo é o principal hospedeiro do carrapato-estrela e Indaiatuba, uma das capitais dos criadores da raça Campolina, está simplesmente infestada desses insetos. Mas o principal vetor da febre maculosa não é o cavalo, mas sim a capivara. O motivo para isso é bastante simples: os animais domésticos são medicados freqüentemente, enquanto que as capivaras, na natureza, acabam se tornando um “habitat” menos inóspito para o carrapato.

Isso não significa que todo Amblyomma cajannense (nome científico do carrapato-estrela) seja transmissor da febre maculosa. Para que isso aconteça, ele precisa ter permanecido aderido à pele de um animal infectado pelo Rickettsia ricketsii no mínimo quatro horas. E para passar a bactéria são mais quatro horas aderido à pele do ser humano. “Pessoas com muitas picadas podem apresentar um quadro febril, mas isso é devido a uma simples reação alérgica. Não há motivo para pânico, uma vez que esse quadro não tem nenhuma relação com a febre maculosa”, explica Nancy Villaron.

A principal dica para quem pretende ir ao campo nesse verão é evitar áreas com superpopulação de capivaras, ou locais muito próximos a pontos onde já foram comunicados casos da doença. A febre maculosa é uma doença de notificação compulsória, o que significa um controle quase que total quanto à sua área de atuação. Seguindo essas recomendações básicas, o risco de contaminação pode ser reduzido a zero.

Mais medo
Outro surto importante, este de âmbito mais global, é o da influenza aviária, ou “gripe do frango”, que vem fazendo vítimas na Ásia. O medo de uma pandemia de gripe aviária também é grande por aqui, ao ponto de esgotarem os estoques do medicamento Tamiflu, um dos mais indicados para controle do vírus influenza.

Por enquanto essa gripe só é transmitida de ave para ave através do ar. Seres humanos só são contaminados se manipularem o animal infectado. A previsão é que pandemia se instale na Ásia quando esse vírus mutar, e puder se transmitir através do ar, como uma gripe comum, também entre seres humanos. Nesse caso há também a possibilidade de que mutação chegue ao ponto do vírus resistir ao Tamiflu, o que seria, uma catástrofe.

No início de dezembro, Nancy esteve em um congresso de infectologia no qual foram apresentados dados ainda mais alarmantes quanto à gripe do frango. Segundo os especialistas a taxa de mortalidade do vírus pode chegar a 0,6% da população, e esse percentual seria atingido em apenas seis semanas. O Brasil não possui nem mesmo a estrutura médica suficiente para tratar de tantos infectados. Por isso o Instituto Butantã luta para desenvolver uma vacina, que deve ser aplicada em pelo menos 50% a população, a fim de minimizar os efeitos da catástrofe.

Já a tão falada febre aftosa – terror dos produtores de gado – não chega a afetar humanos. Inclusive o leite (devidamente pasteurizado) e a carne de animais contaminados poderiam ser consumidos sem qualquer risco de adquirir a doença. Apesar disso, animais contaminados com aftosa, assim como é com gripe do frango, são abatidos para evitar o contágio geral.

Fique por dentro

Febre Maculosa
Sitomas - Febre alta, dor de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele (máculas). Também há enjôo, vômito e diarréia.
Contágio - O carrapato-estrela infectado pica o animal. Todos os carrapatos daquela espécie que se alimentarem do sangue do animal tornam-se vetores da bactéria. Se permanecer mais de quatro horas aderido à pele, ele transmite a febre maculosa.

Febre Aftosa
Sintomas - Na fase inicial observa-se febre, dor de cabeça e anorexia. Em seguida é notada a formação de aftas na boca, mãos, e pés.
Contágio - O vírus entra através de lesões na pele durante o contato com animais enfermos ou pela ingestão de leite não pasteurizado. Não é tansmitida pela ingestão de carnes e derivados.

Gripe Aviária
Sintomas - Corrimento mucoso nas fossas nasais (às vezes com sangue), perda de apetite, dificuldades motoras, inchaço e coloração arroxeada nas barbelas e cristas.
Contágio - Pelo contato direto com as secreções dos sistemas respiratório e digestivo das aves doentes. Os ovos ou a carne devidamente assados, cozidos ou fritos, não propagam o vírus.

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