
O nome incrustado no caule da velha
mangueira
Por Irmão Anézio
avendrame@itelefonica.com.br
A
mangueira estava repleta de mangas, verdes, amarelas, vermelhas, todas
as cores eram exibidas por aquela frondosa arvore naquele terreno
abandonado quase no centro da cidade, tal imagem, foi revelada após
a queda do muro que a protegia.
Tal arvore, uma vez foi-me de uma passagem agradável tarde
na companhia de um amigo que me levou ate aquele local, dizendo-me
que:
No caule de tal mangueira, encontrei escrito o nome Anna, fiquei imaginando
quem seria tal pessoa, se foi um homem que escreveu ou se foi à
própria.

Com tal pensamento apanhei algumas mangas e voltei para casa no meu
novo fusca, adquirido há poucos dias atrás. No dia seguinte
bem cedo fui até o armazém, e pelo vitraux vi se tinha
alguma pessoa sob a mangueira, não tinha ninguém, e
assim fui observando nos dias seguintes, sem nenhum resultado positivo.
Fui ate a Helvetia e conversando com um amigo lhe falei da mensagem
nominativa que se lia no tronco da mangueira, e lhe falei do nome
com dois enes.
O Paulo, meu amigo dizia que desconhecia se ali existisse alguém
com esse nome.
Tomei um café, e voltei pra casa. A grande mangueira estava
intacta, pássaros em sua fronde, formigas e pequenos roedores
pelo solo. Sem se importar, com quem chega para usufruir de seus frutos,
forma com sua sombra um local para se repousar.
Com aquele nome visto no tronco, transformava-se agora em mensageira
sentimental.
A busca da possuidora daquele nome foi se esfriando.
Agora que podia pensar em outras coisas, e assim a nova casca foi
cobrindo, as letras, deixando o nome no esquecimento.
Fazendo sua visita habitual ao seu banco, Odorico foi convidado pelo
gerente a adentrar a copa e saborear um café fresquinho. Lá
estavam outros clientes e uma bonita senhora loira com olhos azuis
chamou a atenção de Odorico, lhe foi apresentada e quando
disse o nome Ana, Odorico lhe perguntou se era com dois enes, ela
disse que sim, seus pais eram italianos. Odorico começou a
sorrir e Anna não entendia o porquê.
Depois de uma pequena explicação, Anna entendeu a risada.
Odorico lhe perguntou se gostaria de ver tal arvore. Marcaram encontro
e no dia aprazado la estava Anna no interior do pequeno armazém,
Odorico a cumprimentou e a levou até a Mangueira.
Uma pomba branca levantou vôo graciosamente, chamando a atenção
dos dois, as demais ficaram comendo a quirela que seu empregado punha
toda manhã. Anna ficou maravilhada com o porte majestoso da
arvore à sua frente.
Pediu ao empregado se podia pegar algumas mangas maduras, Odorico
satisfez seu pedido, procuraram em vão ver o nome escrito,
um pequeno talhe é o que era possível ver. Ana agradeceu
as mangas oferecidas, e se apresentando disse morar no Condomínio
Xanadu junto de seus pais.
Odorico na manha seguinte foi ate o banco para saber mais sobre tal
mulher, lhe informaram que Anna era medica geriatria, havia se mudado
recente para Indaiatuba. Estava com seu consultório num dos
prédios do centro da cidade.
Odorico, pegou seu telefone e ligou para marcar uma consulta.
Foi mais um encontro que uma consulta. Os dois se conheceram melhor,
combinaram almoçar juntos no dia seguinte, e no fim de semana
fazer um passeio.
Anna havia tido um companheiro na época de estudante, o ajudou
a se formar, depois de formado, fugiu para a Bahia a deixando na mão.
Foi uma decepção que lhe trouxe mais cautela nas próximas
relações. Os dois agora estavam sempre juntos, viajaram,
num cruzeiro sugerido pela Casagrande Turismo, depois se alongaram
para a Europa, Madri, Barcelona, Roma e Latina onde Anna tinha seus
parentes paternos.
Ficaram encantados pela recepção oferecida por parte
dos parentes e os convidaram a vir ao Brasil. Odorico ficou perplexo
com os museus visitados, das cidades com suas historias, Na cidade
de Siena viram o Palio, em Gubbio, na Perguia, assistiram a Giostra
del Saracino di Arezzo foligno, em Veneza as regatas no Grande Canal
e no Piemonte o Carnevale. Que representa a revolta do povo contra
o tirano.
Voltaram de avião, satisfeitos pela oportunidade de estarem
tão bem por tanto tempo. O Vinho, a Pasta Ciuta, e as musicas
com bandolins, fizeram em Odorico o despertar de sua veia poética.
Anna continua com seu consultório em São Paulo, Odorico
está no além. Na sala de espera todos olham intrigados
entre os diplomas de Anna uma folha de mangueira bem conservada.
FIM