O
charme de Indaiatuba –
176
anos
Cidade
encanta por seu clima
ensolarado e receptividade dos habitantes

Fotos: Eliandro Figueira e Caio Florentino/ACS-PMI
Esta
senhora velhinha – são 176 anos completados hoje, dia
9 de dezembro – é mais jovem do que muitos pensam. É
que a cidade tem um dos mais avançados pólos de tecnologia
do país, sendo uma das preferidas pelo Ministério das
Comunicações para o desenvolvimento da TV digital no
Brasil. Entre as estrelas industriais estão a Ericsson, Unilever,
Toyota, Metal Leve, a pista de provas e o Centro Tecnológico
e de Desenvolvimento de Projetos da General Motors. Por sua qualidade
de vida, mão-de-obra capacitada e boa infra-estrutura, Indaiatuba
está entre as 100 cidades mais desenvolvidas do Brasil.

Bosque
do saber
O nome confunde. Muita gente pergunta sobre as lindas praias –
alusão a Ubatuba. A confusão deve-se ao sufixo tuba,
que em tupi-guarani significa muito, abundância. No nosso caso,
muitas indaiás, tipo de palmeira rasteira com espinhos e coquinhos
apreciados pela fauna. Mas os encantos naturais não estão
entre os atrativos da cidade. Não temos praias nem montanhas
com cachoeiras.

Casarão Pau Preto
Entretanto,
conquistamos cada vez mais novos habitantes. O crescimento é
expressivo. Hoje, de cada dez habitantes, sete vieram de outras cidades.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
revelam que nas últimas duas décadas, mudaram-se para
Indaiatuba cerca de cem mil pessoas. A maioria, profissionais liberais,
empresários ou prestadores de serviços em busca de qualidade
de vida. Saíram de capitais ou grandes metrópoles cansados
da violência, da sujeira, e da fealdade dos outdoors espalhados
por ruas e avenidas.
Antes, em 1980, outro contingente migrou para Indaiatuba: moradores
de cidades do norte paranaense, nordestinos e mineiros vieram atraídos
pela promessa de novos empregos e por lotes baratos no que viria a
ser o maior bairro de Indaiatuba, o Jardim Morada do Sol. Parte desses
habitantes foi absorvida pelas indústrias mais antigas. Outros,
foram alocados no comércio ou como prestadores de serviços
na área da construção civil; muitos tornaram-se
caseiros ou empregados domésticos. A zona sul da cidade tem
hoje comércio pujante, boas clínicas médicas
e dentárias e toda a infra-estrutura necessária para
atender as necessidades dos moradores.

Prédio
da Prefeitura Municipal de Indaiatuba
O
crescimento com qualidade de vida passou pelas mãos de prefeitos
de diferentes partidos, todos empenhados em superar índices
positivos obtidos por seus antecessores. José Carlos Tonin
(PMDB), Clain Ferrari (PFL), Reinaldo Nogueira (em dois mandatos pelo
PDT) e atualmente José Onério (PDT), conseguiram abrir
novas estradas, pavimentar bairros, atrair empresas multinacionais
e favorecer o comércio e lazer de Indaiatuba.
Com a chegada de empresas de alta tecnologia, a demanda por mão-de-obra
especializada foi sendo suprida pela criação de cursos
profissionalizantes, como a Fundação Indaiatubana de
Educação e Cultura e Centro de Ensino Profissionalizante
de Indaiatuba (Fiec-Cepin), hoje referência nacional.
Segundo o prefeito José Onério da Silva a cidade se
destaca também por sua localização privilegiada,
ao lado do Aeroporto de Viracopos, com malha ferroviária e
rodoviária moderna e recebimento de gás natural. “Além
disso, criamos uma lei de incentivo fiscal moderna, permitindo que
grandes empresas se instalem aqui. Indaiatuba é a 50ª
cidade no Brasil em distribuição dos valores obtidos
com o IPTU”, explica e sugere a comparação: Belo
Horizonte aplica R$ 120 per capita; Porto Alegre, R$ 98. Já
Indaiatuba distribui R$ 149 de seu IPTU entre os habitantes e está
entre as cem cidades mais desenvolvidas do Brasil.

Praça Prudente
de Moraes - Centro
Só
em 2005 foram abertas 56 novas indústrias, 520 estabelecimentos
comerciais e 346 prestadores de serviços. Em 2003, o rendimento
médio dos salários era de R$ 1.034 e o índice
de desemprego é de 7%, bem menor que a média do Estado,
em 12%. Indaiatuba está à frente de capitais, como Aracaju
(SE) e Rio Branco (AC) em termos de PIB. O Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH), que mede a qualidade de vida de uma cidade, é
alto em Indaiatuba: 0,829 em 2000, segundo o IBGE. Para comparação:
Salto registra 0,809; Hortolândia, 0,790; já Campinas
tem IDH maior, 0,852.
Tornado
Indaiatuba todo ano é citada na mídia nacional e internacional.
É que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
realiza na cidade suas famosas reuniões. Suas súmulas
conseguem, invariavelmente, pautar o Planalto e o Congresso. Jornalistas
erram ao citar “Itaici” (bairro) como a “cidade”
em que os bispos se reúnem. Também as revistas de celebridades
passeiam por aqui. A reunião de belos, chiques e riquésimos
atrai colunistas e colunáveis. Gisele Bündchen, por exemplo,
era vista com freqüência fazendo compras em supermercados
ao lado do então namorado Rico Mansur. Todas as tops models
marcam presença nas grandiosas festas do Helvetia Pólo
Club, nas quais são servidos caviar, salmão e champanhes
de safra nobre.
Suíça Brasileira – esse título
só Indaiatuba pode ter, já que é a cidade com
descendentes suíços do mundo. O bairro histórico
de Helvetia abriga o mais antigo Clube de Tiro do Brasil, inaugurado
pelos suíços em 1881. Alemães, italianos, e posteriormente
japoneses, formam etnias atuantes, um dos fatores que fizeram com
que o crescimento com qualidade de vida fosse exaltado em jornais
e revistas especializadas.
Talvez o mais famoso acontecimento da cidade tenha sido o tornado
registrado em maio de 2005. Na verdade, dez anos antes, outro vendaval
arruinou a cidade e a vizinha Itu. Mas não se “viu”
um tornado. Nessa ocasião, Indaiatuba ficou sem energia elétrica
por quase uma semana. No tornado de 2005, o bairro mais atingido foi
o Distrito Industrial, que ficou completamente destruído.
Claro que esse crescimento traz mazelas, como o aumento de assaltos
e furtos de veículos. Em passado recente tivemos índice
elevado de seqüestros. Entretanto, Indaiatuba não tem
favelas nem mendigos e a maioria dos criminosos capturados mora em
outras cidades. Vieram fazer seu “trabalho” aqui porque
imaginaram que a propalada pujança dos habitantes – e
rotas de fuga em estradas de terra – facilitasse a ação.
A bandidagem importada se deu efetivamente quando Indaiatuba foi reportagem
de capa da revista Exame, em 98, como a primeira em qualidade de vida
entre cidades brasileiras com até 200 mil habitantes.
Aos poucos, a área rural, com fazendas e grandes sítios,
foi mudando seu perfil. Muitas das propriedades foram desmembradas
e acabaram virando condomínios e loteamentos de chácaras.
Vista do alto, Indaiatuba conquistou inusitado padrão: sua
periferia, em 360o, é rica e cerca todo o núcleo urbano.
A agricultura já não é tão forte, embora
a cidade seja a principal produtora de uva niagara, a de mesa. Fatores
climáticos permitem que as uvas plantadas aqui sejam as primeiras
a chegar ao mercado, em novembro. Em Jundiaí, produtor da mesma
uva, a fruta só amadurece em janeiro. Também é
muito grande o número de haras na cidade, criando cavalos de
diversas raças. É que Indaiatuba é o maior centro
de pólo, com mais de 70 campos do jogo. Em média, cada
jogador, num time de seis atletas, usa quatro cavalos por partida.
Cultura

Prédio
do Ciaiei
Com
o crescimento da qualidade de vida, em menos de 20 anos a cidade passou
a contar com comércios sofisticados, suprindo praticamente
toda a demanda, inclusive com butiques requintadas. O bistrô
Le Triskell, tem destaque e é um dos raros elogiados em guia
gastronômicos e turísticos do país. “Saímos
da França e decidimos montar o bistrô em Indaiatuba,
cidade que já conhecíamos. A grande freqüência
se divide entre moradores da cidade e pessoas de Estados vizinhos”,
revelam Gilles e Vera Mourier. Um dado relevante mostra o grau cultural
de seus habitantes. As cinco modernas salas de cinema, de propriedade
da família Lui, conseguem um feito que nem todas as capitais
de Estado alcançam: a exibição mundial de lançamentos
co-mo “Harry Potter” e “Homem-Aranha”, por
exemplo. “Os lançamentos nacionais chegam aqui, muitas
vezes até antes de cidades maiores”, explica Paulo Celso
Lui, acrescentando que essa conquista deveu-se à análise
de dados feitas pelas grandes distribuidoras de filmes.
Outro fator emblemático é a abertura da franquia La
Selva, que vende jornais, livros e revistas nacionais e importadas.
“Vendo muitos livros diariamente”, resume Miguel Costa,
franqueado. “Há três anos recebi um convite da
gerência do Shopping Jaraguá para abrir uma franquia
aqui. Estudei o nível cultural da cidade e fiquei impressionado.
Um ano depois tive que ampliar o espaço”, completa. O
empresário ressalta que a venda de pocket books, em inglês,
surpreende. “Vejo pelo tipo de livro comprado ou examinado,
o perfil dos compradores e posso assegurar que Indaiatuba tem muitos
leitores cultos”.

Fazenda
Charoleza
Entre
os neo-indaiatubanos, expressiva parte do PIB nacional, como os Souza
Aranha, Matarazzo, Setúbal, Mansur, Diniz, Bárbara,
Benjamin Steinbruch, Hafers, Moroni, entre outros. Também intelectuais
e artistas como Jaime Pinsky, Lima Duarte e Derico, do Sexteto do
Jô.
Maria e Dinho Ouro Preto (ele, do Capital Inicial) e a família
vêm para Indaiatuba sempre que podem. Os três filhos do
casal adoram o sítio comprado pelo avô, pai de Maria,
em 1972, no Morro Torto. “Quando quero descansar e curtir a
natureza, é em Indaiatuba que me sinto bem, adoro o sítio”,
enfatiza Dinho. Maria faz questão de vir pelo menos a cada
quinze dias (“quando posso, vou todos os fins de semana”)
e freqüenta estabelecimentos comerciais (vai sempre na Pepi’s
e no Le Triskell), shoppings, cinemas e serviços médicos.
Nossa relação com Indaiatuba pode ser definida em uma
palavra: afeição”, resumem Dinho e Maria.