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Mistérios de Indaiatuba

Em todas as cidades - independente de seus tamanhos - correm lendas ou contam-se ''causos''.

Muitos são lendas mesmo, mas existem fatos em Indaiatuba que foram checados e surpeendem
pelo inusitado

Um exemplo é a morte do major Alfredo Camargo Fonseca, ex-prefeito de Indaiatuba e de sua companheira de longa data, dona Chiquinha. Ambos faleceram no mesmo dia e hora, com apenas quinze minutos de diferença. Outro caso interessante, mas não se sabe o quanto há de lenda nele, é o que ficou conhecido como “O Crime do Poço”, que vai virar livro a ser lançado pela Fundação Pró-Memória em 2007, quando o caso completa cem anos.

O jovem caixeiro-viajante Domenico de Luca foi barbaramente assassinado em 1907, logo após sua chegada em Indaiatuba. Ele viajava por várias vilas e cidades e desapareceu numa delas, embora não se soubesse qual.O corpo não foi achado. Algum tempo depois a mãe do rapaz sonhou com um poço nos fundos de uma casa. E foi exatamente seguindo as instruções dela que a polícia encontrou o cadáver escondido num poço de água.








O túmulo de Domênico de Luca
com placas de agradecimento
por graças alcançadas









A reportagem encontrou mais mistérios. Lamentavelmente, nem todos os que vivenciaram fatos estranhos quiseram ser identificados.

Indaiatuba já teve o chupa-cabras, nos anos 80, quando no bairro Mirim, então rural, apareceram mortos bezerros, carneiros e cabritos. Os animais eram encontrados sem sangue no corpo. Aventou-se ação de extraterrestres, mas análises dos cadáveres revelaram que carnívoros do tipo doninha e furão poderiam ser os responsáveis. O caso ainda está aberto, sem conclusões definitivas. Também nos anos 80 a Tribuna de Indaiá reportou o temor de moradores com o que ficou conhecido como o “Lobisomem da Vila Avaí”, na verdade um enorme cão da raça dogue alemão, negro, que fugia do sítio onde morava e subia nas janelas das casas do bairro. Em pé, com as patas dianteiras para cima o cachorro media 2,15m. Na década seguinte começaram relatos freqüentes de aparições de disco-voadores em locais inusitados como o Córrego Barnabé, na altura onde era a Fazenda Bicudo.

Grupos foram formados (e ainda atuam) para fazer contatos com os ETs. Um funcionário do Aeroporto de Viracopos, que prefere o anonimato, afirmou ter visto um Ovni perto da cabeceira da pista. “Não fui só eu, todos viram e o radar registrou. Mas foi tudo muito rápido”, relata.

O túmulo de
Estevinho Piria,
tido como
milagreiro








‘Morta’ viu tudo
Um caso comprovado, com dezenas de reportagens na época, aconteceu em São José dos Campos com uma profissional da área de saúde. Aliás, o assédio foi tanto que ela se mudou para Indaiatuba e só aceitou falar do caso se não fosse identificada. Maria (nome fictício) sofreu grave acidente na Via Dutra (que liga Rio de Janeiro e São Paulo). Com o impacto foi lançada contra uma pedra, batendo a cabeça.

“A partir daí passei a ver tudo como se estivesse no alto. Vi a chegada dos bombeiros e o diálogo deles. Diziam que nada podia ser feito, ‘ela’ já havia morrido. Mesmo assim fizeram massagem cardíaca e respiração boca-a-boca enquanto eu era levada para um hospital. Os mesmos procedimentos foram tentados lá, tudo sem sucesso. Cobriram o corpo e o enviaram para o necrotério. Um atestado de óbito foi emitido. Eu assistia a tudo sem a mínima emoção. Já no necrotério, uma funcionária ia preparar o corpo quando notou uma reação nos meus dedos. Ouvi quando ela gritou avisando que eu estava viva. Aí, ‘voltei’”, conta.

Maria foi levada para a UTI onde passou vinte dias. Quando recobrou a consciência, contou tudo o que havia visto, identificando cada bombeiro, médico ou enfermeiro, dando detalhes impressionantes. O caso foi parar nas TVs, jornais e revistas. Foi quando decidiu morar em Indaiatuba para não ser mais incomodada. Mas aqui, ela passou a ter “contatos” com pessoas já falecidas que faziam dela seus “canais”.

Pregos no corpo
Talvez o caso mais interessante acontecido na cidade tenha sido o de Silvana (nome fictício), há cerca de 25 trinta anos e que foi alvo de reportagem em revista científica americana. A moça tinha agulhas, pregos e arames em todo corpo, alguns incrustados nos ossos. A radiografia impressiona, de fato, são dezenas espalhados no corpo. “Eu sentia dor quando os objetos estavam para sair. O local ficava inflamado até aparecer a ponta da agulha ou do prego”, relembra. Os familiares recorriam a médicos do Hospital Augusto de Oliveira Camargo, que precisavam realizar cirurgias para a retirada dos objetos. Como novos pregos apareciam, a família entrou em contato com um centro espírita. João Martins, da Loja Central, hoje falecido, e outros médiuns, como Neuza Santi e AnézioVendrame participaram de algumas sessões. Durante esses trabalhos os objetos iam saindo facilmente.


Aqui foi onde tudo começo - a casa já não existe mais


“Não ficavam com sangue nem nada, saíam ‘limpos’, embora muitos pregos estivessem enferrujados”, relata Neuza. Tudo começou quando Silvana foi fazer exames pré-nupciais. A quantidade de agulhas e pregos revelados no raio X deixou os médicos espantados. Foi quando cientistas americanos passaram a estudar o caso, que foi relatado na reportagem feita na época. Os pesquisadores constataram que seria impossível que a própria paciente tivesse enfiado (alguns) dos objetos, o que poderia se configurar em transtorno psiquiátrico.

“Evitamos que o caso chegasse aos meios de comunicação. A família de Silvana estava muito assustada. Até o padre Quevedo, parapsicólogo, quis estudar o assunto. O trabalho foi feito durante muito tempo e os pregos e agulhas que saíam foram guardados num vidro desses de maionese na casa de João Martins e do médico que a atendia no Haoc”, acrescenta Neuza. Infelizmente os dois já faleceram e suas viúvas não guardaram o estranho material. Hoje, Silvana está bem. “Levo vida normal, graças a Deus tudo passou”, comemora.

Animais
Alguns casos envolvendo animais emocionam pela demonstração de fidelidade e amor ao dono. Maria Cândida de Almeida Sampaio Filha, ex-presidente da fundação mantenedora do Hospital Augusto de Oliveira Camargo, lembra da devoção de um cachorro quando seu dono, um lavrador japonês ficou internado por mais de um mês. “O animal chegou e foi direto para a janela do quarto onde estava seu dono e não mais saiu dali. Não sei como ele descobriu. Levamos comida e água diariamente, já que ele ficava deitado, esperando. Quando o paciente teve alta, seu cão entrou no carro com ele e nunca mais apareceu.”

Outro fato interessante aconteceu com Selena Monteiro, que foi secretária municipal da Habitação. Conhecida como boa amazona, participa de romarias e cavalgadas mensalmente. Deixava seu cavalo, uma égua e um burro numa chácara que tinha em Itaici.

Três anos depois, já tendo vendido a chácara, chegou de uma romaria e deixou Noronha (nome do cavalo) num sítio cercado na divisa com Salto. “De repente ele apareceu perto da chácara. Não sei como ele conseguiu localizar o local, principalmente por ter saído de lá três anos antes.O engraçado é que o sítio onde o Noronha estava permaneceu com a porteira fechada e nenhuma cerca havia sido danificada. Adoro o Noronha e sei que esse amor é recíproco!”

Inusitado também é o “caso de amor” entre Jaime Gardinali (foto), que trabalha com terraplenagem, e as cobras. Ele as adora e parece que o sentimento é recíproco, já que uma delas corre até ele assim que o vê.

“Eu tenho medo que matem as jibóias que existem por aqui. Elas são mansas e podem ser até adestradas. Quando a pessoa vê uma cobra, me chama. Eu as levo para casa, cuido delas se estiverem feridas, as alimento e na primeira oportunidade as devolvo para a natureza.” Para alívio de muitos ele acrescenta: “levo para locais de mata, longe de qualquer propriedade. Assim elas vivem em paz sem incomodar as pessoas”.

- Existem muitos, muitos outros casos interessantes. Quem sabe numa próxima edição damos seqüência ao tema?
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