| Como
você
se chama?
Nomes
tradicionais voltaram à moda

Izaltino,
o ''Neto'', com
a filha Ligia
e esposa
Márcia
Os
cartórios de registro civil de todo o Brasil – Indaiatuba
inclusive – revelam que nomes bizarros ou relativos a astros
estrangeiros estão caindo de moda. Voltam com força total
os tradicionais e simpáticos Beatriz, João Augusto, João
Vítor e nomes compostos começando com Ana ou José,
Lucas, Matheus (com ou sem th), Gabriel (Gabrielle, Gabrielly), Isabela
(com variações Isabelle, Izabelly) conforme livros de
registro em Indaiatuba. Em 2006, apenas poucos Thiago (o nome era moda
nos anos 80) e Daniele, outro modismo. Aqui e ali via-se algum estrangeirismo
como Jhony, ou nomes diferentes, como Daysa, Denner, Dafny, Higor ou
Gyovanny.
Segundo o oficial registrador civil de Indaiatuba, José Emygdio
de Carvalho Filho, com 35 anos de carreira e atual presidente da Associação
Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, os nomes estranhos estão
mesmo em desuso. Segundo ele, os nomes tradicionais, com grafia mais
simples, estão aumentando de um tempo para cá. Ele adverte,
entretanto, que alguns pais ainda insistem em homenagear seus filhos
com nomes de ídolos do esporte ou astros do cinema e TV.
É o caso de Taffarel, nome indeferido, já que é
um sobrenome. O goleiro da Seleção Brasileira não
pôde ser homenageado, mas Ayrton Senna, sim. Uma criança
foi batizada como Ayrton Senna da Silva. “Não objetei,
já que o sobrenome da mãe era Senna e o do pai, Silva”,
diz o oficial, acrescentando “sou rígido, mas não
arbitrário”. É que lei brasileira permite que oficiais
não registrem crianças cujos nomes a exponham ao ridículo.
Isso inclui a grafia incorreta de um nome. Um exemplo é Washington,
que virou Uóston, Woxington e até Oazinguito. Outro é
o do músico Michael Jackson que aqui gerou uma variedade interessante
de Maico, Maicol, Maicou ou Maicon. “Como oficial peço
aos pais que escrevam o nome que desejam dar aos filhos. Se a grafia
está incorreta, aviso. Se mesmo assim quiserem manter o nome,
acato. Só indefiro nomes muitos estranhos ou com grafia que exponha
a criança ao ridículo. Mas os pais podem recorrer através
de pedido ao juiz corregedor de registros públicos de Indaiatuba.
“Meu filho ‘escapou’ de receber o nome do pai, Orzimeire,
que já tinha recebido esse nome do pai dele. Quando soube que
queriam dar o nome de Orzimeire Neto para meu filho, providenciei correndo
o registro com nomes que gosto: José Fernando”, explica
Rita Rocha Pedrina. De fato, é tradição em algumas
famílias colocar o mesmo nome do pai, avô e bisavô,
mesmo que seja absolutamente estranho. É de se questionar, será
que os hoje adultos não sofreram o bastante na escola com a brincadeira
de coleguinhas para insistirem em batizar seus filhos assim?
Já Izaltino Corrêa de Toledo Neto nem quis saber de seguir
a tradição, embora Izaltino não seja nem um pouco
bizarro. “Meu avô e meu pai tinham esse nome, mas preferi
batizar meus filhos como Felipe e Ivan. Todos me conhecem por Neto,
não gosto do meu nome, mas tive que aceitar”, diz.
Outros nomes, embora diferentes, não soam mal, como o da radialista
Aydil Bonachela. Poucos sabem o nome verdadeiro de Tininha Jurado, uma
das mais atuantes ‘‘domadoras” do Lions Club de Indaiatuba:
Argantina. A origem é a Grécia Antiga e gerações
de brasileiros receberam nomes baseados nos deuses do Olimpo ou filósofos
como Sócrates. Tininha prefere o apelido, já que quando
precisava declinar o nome sempre escutava um “como é que
é?”. Já o caso do deputado (Rube)Neuton Lima é
singular. São oito irmãos e todos receberam nomes derivados
de Rubem. Além de Rubeneuton, tem Rubenilton, Rubeneia, Ruberleide
e por aí vai.
Também pelo nome se vê a fonte inspiradora dos pais. Muitos
gostam de colocar nomes de personagens ou autores de livros marcantes.
Assim, temos aqui uma Ana Karenina, um Dorian, um Victor Hugo e até
um Cervantes. Mas também existe um Magaiver e um Tabajara (embora
este seja um sobrenome conhecido).
É importante que os pais evitem constrangimentos futuros aos
filhos. Juntar sílabas dos nomes dos avós ou dos pais
pode ser uma bela homenagem, mas um desastre para quem se chama Careuza
(Carlos + Neuza) ou Niljor (Nilton e Jorge, avôs da criança).
Você
sabia ?
- Em Indaiatuba nascem em média 200 crianças por mês.
Curiosamente, morrem no mesmo período o dobro de pessoas.
n Jafa Lei recebeu esse nome devido a irritação do pai.
Quando o oficial perguntou pela segunda vez o nome da criança
o pai gritou “Já falei!”.
- Em Mossoró (RN) existe a tradicional família dos Rosado.
Cansado de escolher nomes para a numerosa prole, a partir do sexto passou
a batizá-los com números, primeiro em português,
depois em francês. Hoje, já existem Dix-Sept Sobrinho,
Vingt e Vingt-Un Neto.
- O senador e ex-presidente José Sarney conseguiu a proeza não
só de incluir o apelido (Sir Ney) em seu nome, como dá-los
como sobrenome aos seus filhos (Roseana Sarney, etc)
- Acredite, os nomes a seguir são verdadeiros, colhidos em listas
de INSS e Cartórios Eleitorais: Ava Gina (homenagem às
atrizes Ava Gardner e Gina Lollobrigida), Jacinto Leite Aquino Rego,
Cafiaspirina Cruz, Comigo É Nove na Garrucha Trouxada, Vicente
Mais ou Menos de Souza, Flávio Cavalcante Rei da Televisão,
Jotaká Dois Mil e Um, Maria-Você-Me-Mata, Última
Delícia do Casal Carvalho, Restos Mortais de Catarina, Caso Raro
Yamada, Lança-Perfume Rodometálico de Andrade e Rolando
Escada Abaixo (filho do escritor Oswald de Andrade).
|