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Por CYNTHIA SANTOS
Comprar
um carro zero quilômetro, há até pouco tempo,
parecia um sonho distante para grande parte dos brasileiros. Não
é mais. Com a estabilidade econômica, os juros despencaram
e os prazos de pagamento se estenderam, chegando a até
sete anos em algumas revendedoras. Em Indaiatuba, com a competição
interna provocada pela abertura de uma série de concessionárias
este ano, adquirir um carro novo ou seminovo se tornou algo seguro
e menos burocrático, para alegria dos consumidores.
Aliás, não são só os compradores que
estão felizes. Montadoras e revendedoras nunca viveram
momento tão promissor. A estimativa da Associação
Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) é
de que até o final de dezembro a produção
de automóveis no País atinja a marca de 2,96 milhões
de unidades, um aumento de 13,4% com relação ao
ano passado. Somente nos primeiros nove meses do ano, o crescimento
comparado ao mesmo período de 2006 foi de 10,6%.
O setor de veículos usados tem crescido em ritmo menos
intenso que o de novos, embora continue ganhando no número
de unidades. De setembro de 2006 ao mesmo mês de 2007, o
aumento nas vendas de carros usados foi de 5%. Até setembro,
foram comercializadas 5,17 milhões de unidades, contra
4,93 milhões em 2006. A proporção no País
é de um carro novo para cada três usados.
A preferência por carros novos deve-se além da vantagem
da necessidade de manutenção ser quase zero, à
taxa de juros menor. Foram estes motivos que levaram a engenheira
Kelly Cividati (foto acima), 25 anos,
a trocar seu Ford Ka ano 2000 por um Peugeot 206 zero quilômetro,
no final do mês passado. “A gente paga um pouco mais
pelo carro zero, mas também fica mais tranqüilo”,
explica. “Eu ia pegar um seminovo, mas a diferença
de preço para o zero não era tão grande e
a taxa de juros é menor, então, a longo prazo saía
mais barato pegar o zero quilômetro”, diz.
Para fazer a troca, Kelly deu o carro antigo como entrada e financiou
o valor restante em 72 meses. A engenheira conta que não
teve receio em se endividar para adquirir um carro melhor, já
que precisa do veículo para trabalhar. “Comprar o
carro já estava previsto no orçamento”, justifica.
Kelly, que concluiu o curso de engenharia de produção
mecânica pela Universidade Paulista (Unip) este ano, diz
que vai aproveitar o fim do pagamento das mensalidades para pagar
o carro novo. “Antes não dava, quem faz faculdade
abre mão de muitas coisas”, ressalta.
Outro fator que contribuiu para a escolha do modelo do carro foi
o motor bicombustível. O carro antigo da engenheira era
movido à gasolina e as despesas eram altas, já que
precisava ir a Campinas várias vezes por semana, devido
à faculdade. “O fato de ser flex contou bastante
na escolha”, revela. Kelly calcula que a economia nos gastos
com combustível com o carro novo chegue a 30% do que gastavam
anteriormente. “Com cinqüenta reais a gente quase enche
o tanque com álcool”, comemora.
Fazer inúmeras pesquisas de preços e taxas de juros
em Indaiatuba e região foi uma tarefa que Kelly não
dispensou para ter a certeza de que faria a melhor escolha. Ela
aconselha a quem está interessado em comprar um carro a
fazer o mesmo. “Eu não tenho paciência para
esperar três anos, por exemplo, para juntar o dinheiro e
comprar o carro”, explica. “Mas se for fazer o financiamento,
é bom pesquisar antes, não acreditar em tudo o que
o primeiro vendedor diz, não”, opina.
A engenheira destaca ainda a facilidade para se obter um financiamento
de automóvel. “Você só precisa mostrar
o holerite”, explica. “O que você tem de burocracia
para conseguir um financiamento imobiliário você
não tem para comprar um carro.” Kelly cita ainda
a competição no mercado interno de Indaiatuba, com
a abertura de novas concessionárias e a conseqüente
“briga” por clientes. “Hoje essa competição
está muito favorável para quem quer comprar um carro”,
acredita.
Pagamento
Não é só a engenheira Kelly Cividati quem
optou por um financiamento. Esta é a forma de pagamento
preferida dos consumidores, ficando com 42% das vendas, seguido
do sistema leasing, com 26%. Já o consórcio, que
tinha 19% do mercado no ano 2000, caiu para 4% em 2007 (Veja quadro
nesta página).
O boom no número de financiamentos é explicável:
as taxas de juros caíram a 0,99% ao mês nas concessionárias
e os planos máximos de pagamento este ano chegaram a 84
meses, sendo que em 2006 o maior prazo dado a quem queria adquirir
um automóvel era de 72 meses.
FORMAS
DE PAGAMENTO
Ano
Modalidade 2000 2007
À vista 24%
28%
Leasing 8%
26%
Financiamento 49% 42%
Consórcio 19%
4%
Concessionárias
têm boas expectativas
Moeda
estável, inflação controlada, poder aquisitivo
maior com o 13º salário injetado na economia. Estes
são alguns dos fatores que levam as concessionárias
estabelecidas em Indaiatuba a ter excelentes expectativas em relação
às vendas de final de ano. A competição por
sua fatia no mercado com taxas competitivas, que giram basicamente
em torno de 0,99% ao mês, tem levado ao aumento da demanda
e, conseqüentemente, contribuído para o esvaziamento
dos estoques de carros das revendedoras.
O mercado local é promissor. Nos últimos cinco anos,
a frota de automóveis de Indaiatuba cresceu 15,24%. O setor
de motos também só tem a comemorar, já que
no mesmo período o aumento foi de 112,48%, segundo dados
do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran). Os números
acabam atraindo a atenção de revendedoras. Somente
este ano, quatro grandes marcas se instalaram na cidade: Ford
Tempo, Republique Peugeot, Honda Caiuás e Maggi Toyota.
Estas vieram se juntar às mais antigas, Balilla (Fiat),
Ivesa (Volkswagen) e Automec (Chevrolet). Sem contar o vasto setor
de revenda de veículos usados, que praticamente monopolizam
a Avenida Visconde de Indaiatuba.
Instalada há três anos e meio em Indaiatuba, a concessionária
Automec, da rede Chevrolet, comemora vendas 29% maiores no mês
passado, em comparação ao mesmo período de
2006. Para o gerente comercial Witerley Duarte Filho, as expectativas
para dezembro são “maravilhosas”, sendo que
as vendas estão aquecidas desde o início do ano.
No mês passado, a revendedora da General Motors contabilizou
a venda de 109 veículos novos e 45 seminovos, somente para
Indaiatuba. “Mas também vendemos bem para Salto,
Elias Fausto, Monte Mor, Campinas”, diz o gerente da Automec.
A demanda por veículos é tanta que estão
faltando unidades no mercado. “Estou vendendo carros para
janeiro”, revela Witerley. “Para a linha 1.4, a espera
é de 60 dias, mas já chegou a 90 dias.”
Os veículos populares estão entre os mais vendidos
na Automec. Entre os modelos mais procurados estão o Celta,
comercializado a partir de R$ 24.600 e o Corsa Classic, que sai
por R$ 25.800. O prazo máximo de financiamento é
de 72 meses, com taxas a partir de 0,99%, mas o preferido pelos
compradores é o pagamento em 60 prestações.
“Oitenta porcento dos nossos clientes optam pelo financiamento
em 60 meses”, revela.
A recém-inaugurada revendedora Honda também espera
crescimento nas vendas este mês. “É uma situação
natural nesta época do ano, porém, desde a inauguração,
dia 27 de setembro, a Caiuás Indaiatuba registra bons índices
de vendas”, revela o diretor presidente do Grupo Caiuás
Honda, Marcelo Camargo.
Entre o modelo mais vendido atualmente, o Honda Civic está
disparado no ran-king, segundo Camargo, por ser moderno, confortável
e reunir atrativos procurados por clientes de todas faixas etárias.
A concessionária também trabalha com financiamentos
em até 72 meses e taxas a partir de 0,99%.
Recorde
A Ford Tempo, seguindo a tendência local, também
comemora recorde de vendas. O gerente Roberto Júnior revela
que a concessionária, inaugurada há dez meses em
Indaiatuba, aguarda crescimento de até 10% na procura por
veículos em relação aos demais meses do ano.
“O aumento está sendo percebido desde o mês
de outubro”, conta.
De acordo com o gerente, o carro da Ford mais vendido é
o Fiesta, mas o verdadeiro “sonho de consumo” é
a EcoSport, cujo modelo top de linha custa aproximadamente R$
70 mil. “Todo mundo comenta que veio ver um Fiesta, mas
que uma dia chega lá, na Eco”, conta.
A demanda pelo carro mais popular da Tempo é grande, e
a espera chega a 30 dias. “Mas pelo que sei a Ford é
a que está conseguindo atender mais rápido”,
diz. O Fiesta é encontrado a partir de R$ 28,5 mil. A concessionária
é a que tem o maior prazo de financiamento: 84 meses, com
primeira parcela para depois do Carnaval e juros a partir de 0,99%
ao mês.
Das
caminhadas ao acelerador
Dois
anos atrás, ao atingir a maioridade, a esteticista Stephanie
Marcolino, 20 anos, não imaginava que estaria
motorizada tão cedo. Nos seus planos mais ousados, ela
imaginava apenas adquirir uma moto, tanto pelo preço mais
acessível como pelo baixo custo de manutenção.
Enquanto isso, não acontecia, dependia do pai para ir de
casa, na Vila Costa e Silva, ao trabalho, no Centro. Para voltar
para casa, encarava uma caminhada de 30 minutos.
Ex-consumidora “compulsiva” de roupas e sapatos, Stephanie
conta que demorou um ano para começar a fazer aulas para
retirar carteira de habilitação. “Não
sobrava dinheiro e eu fui adiando meus planos”, lembra.
Mas, assim que começou a fazer as aulas de habilitação,
surgiu a vontade de comprar um carro e não mais uma moto.
“Acabei nem tirando carta de moto”, revela. “Comecei
a trabalhar no salão, a ganhar mais e vi que dava para
comprar um carro em vez da moto.”
O primeiro carro da esteticista foi comprado em setembro. O Celta
ano 2006 foi adquirido na concessionária Chevrolet de Indaiatuba,
mas, devido a um desejo de Stephanie, o veículo foi “importado”.
“O meu sonho mesmo era um carro vermelho”, explica.
“Cacei esse Celta, porque queria de qualquer jeito. Aí
não tinha aqui em Indaiatuba e tiveram que trazer de Sorocaba.”
Hoje, o carro é o xodó da esteticista, que o deixa
sempre impecável. “Cuido bastante, lavo toda semana”,
diz
Embora não tenha uma renda fixa, Stephanie conseguiu o
financiamento total do carro com facilidade. A opção
escolhida foi o parcelamento em 60 meses, o que não assusta
a jovem, que diz que o sacrifício de pagar as prestações
vale a pena. “O importante é não pensar que
tem cinco anos pela frente. Quando você vê, passou
rapidinho”, acredita.
Esse é o mesmo conselho que ela dá para quem quer
comprar um carro e tem dúvidas quanto a assumir uma dívida
alta por um prazo relativamente longo. “Quem quer mesmo
comprar deve meter a cara porque depois dá tudo certo”,
garante. “Se eu dependesse de guardar dinheiro para comprar,
não teria o meu (carro) nunca.”
Independência
Para bancar o sonho do carro próprio, Stephanie conta que
tem economizado bastante. “Gastava muito com roupas e sapatos,
hoje me controlo mais”, revela. A esteticista, que trabalha
no mesmo salão de beleza da mãe, conta que trabalha
exclusivamente pensando na prestação que tem a pagar
todo mês. “Vou dando o dinheiro para minha mãe
e quando chega perto do pagamento eu pergunto quanto falta e trabalho
para completar o valor”, diz.
As vantagens de ter condução própria e deixar
de depender do pai ou andar a pé são lembradas por
Stephanie, que hoje usa o carro para trabalhar e, claro, passear.
“Nossa, ter carro é maravilhoso, você fica
completamente independente”, lembra. “Antes, meu pai
trazia a gente para trabalhar de manhã e, à tarde,
muitas vezes, a gente voltava para casa a pé. Eram uns
30 minutos de caminhada, se a gente andasse rápido.”
VEÍCULOS
EMPLACADOS EM INDAIATUBA
Tipo Quantidade
Crescimento
2002
2007 5
anos
Automóveis 47.902 55.205 15,24%
Motos 9.634
20.471 112,48%
Ciclomotos 3.518 3.528
0,2%
Motonetas 1.848 4.666
152,48%
Total 62.902
83.870 33,33%
Planejar
é preciso
Planejamento
é a palavra-chave na hora de comprar um carro. A constatação
é do delegado municipal do Conselho Regional de Economia
de São Paulo (Corecon-SP), Aroldo Luiz dos Santos.
O economista destaca que o mercado está favorável
para quem precisa adquirir um veículo, mas enfatiza que
é importante pesquisar bastante e colocar todas as despesas
na ponta do lápis. Comprar por impulso acaba gerando prejuízos
caso o consumidor tenha que se desfazer do carro por não
conseguir dar conta dos gastos.
Santos explica que os consumidores estão adquirindo bastante
veículos porque o mercado está estável e,
entre os bens de consumo, o carro é o que tem a taxa de
juros mais baixa, ficando em torno de 28,4% ao ano e 2,1% ao mês.
Para ter uma comparação, o crédito consignado
ficou com a taxa de juros de 30% ao ano e os eletrodomésticos
com 54%. “Comprar o carro não tem risco nenhum”,
considera. “Além dos juros baixos, tem as facilidades
de pagamento, como prazos estendidos a até 72 meses.”
O mercado está tão favorável, que, de acordo
com dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras
das Montadoras (Anef), de janeiro a setembro, o saldo da carteira
de financiamento de autos foi de R$ 76,1 bilhões, 24% a
mais do que os primeiros nove meses de 2006. O saldo é
superior ao crescimento do mercado de crédito bancário
como um todo, que ficou em 16,6%.
Mas Santos alerta que, quando o consumidor vai fazer o financiamento,
tem que tomar cuidado para não comprometer muito a renda
mensal. “O aconselhável é comprometer no máximo
20%, para não ter problemas”, avisa.
Para quem está precisando mesmo de um carro, Santos avisa
que “a hora é agora”. “Nunca existiu
uma situação tão favorável para se
comprar como a que estamos vivendo, tanto pela estabilidade econômica
como pela probabilidade de você continuar empregado”,
reconhece. Mas é preciso pesquisar preços e não
se iludir com o taxa de juros divulgada. As concessionárias
divulgam que os juros são a partir de 0,99%, mas é
preciso computar ainda o Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) e a Taxa de Abertura de Crédito (TAC),
que varia de R$ 500 a R$ 1 mil.
Poupar dinheiro para dar entrada no valor do carro e não
optar pelo financiamento total são algumas dicas do economista.
No entanto, é preciso lembrar que há despesas embutidas,
como o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA),
que representa 4% do valor do carro, e o seguro, que pode chegar
a 10%. “Uma pessoa que assumir uma dívida de 48 vezes
de R$ 728 pode contar que vai gastar pelo menos R$ 900 reais por
mês, somando as despesas extras”, adianta. Se o comprador
perceber que não vai ter dinheiro para pagar todas as despesas,
deve dar uma entrada menor. “Se não tiver dinheiro
para pagar IPVA, depois do vencimento tem multa de 20%, e se cair
no cheque especial para pagar o imposto, os juros são de
139% ao ano”, explica.
Oferta
Devido a esses motivos, planejamento é fundamental. “Se
você compra um carro por impulso, não agüenta
pagar as parcelas e despesas e precisa se desfazer dele, dificilmente
você conseguirá vender pelo valor de mercado, porque
a oferta hoje é muito grande”, analisa.
Observar as taxas de juros proporcionais ao prazo de pagamento
é outro fator que não deve ser esquecido pelo comprador.
Atualmente, segundo Santos, há uma contradição
no mercado de veículos. “A taxa de juros é
maior para quem paga em menos tempo”, explica.
Iludir-se com taxas supostamente baixas e preços “arrasadores”
na primeira loja que visitar é um erro. Planejar - e pesquisar
muito – é imprescindível para quem quer comprar
qualquer bem de consumo e pagar em prestações a
perder de vista. Anotadas as dicas, boas compras.
DICAS
NA HORA DE COMPRAR
1
Pesquisar os preços e taxas, sempre
2
Negociar com uma contra- proposta em mãos
3
Separar valores que serão gastos no começo do ano
(IPVA, licenciamento e DPVAT)
4
Verificar se será fácil vender o carro quando precisar
5 Não comprometer mais do que 20% da renda
mensal com despesas com o carro
6
Se possível, comprar um carro zero quilômetro, que
tem taxas mais baixas e não precisa de manutenção
nos primeiros anos de uso
Seguro
é item indispensável
Comprado
o carro, é hora de pensar nas demais despesas, e o seguro,
com a onda de furtos que atinge a cidade, é um item indispensável
e que, portanto, deve constar no orçamento quando se pensa
em adquirir um automóvel. Embora a despesa seja alta –
às vezes chega a 10% do valor do carro, dependendo do perfil
do usuário e do modelo do veículo – não
é aconselhável deixar a concessionária sem
ter contratado uma seguradora.
A explosão na venda de carros em Indaiatuba é percebida
por corretores da cidade. Somente em outubro, o aumento na procura
por seguro para carros zero quilômetro ficou entre 15% e
17% na MB Corretora de Seguros, de acordo com o corretor Nilson
Miranda, o Gaúcho. “As concessionárias estão
vendendo muitos carros”, analisa. “Recebemos uma pesquisa
que dizia que em outubro o Brasil já atingiu a marca dos
carros vendidos em 2006 inteiro.”
Segundo Gaúcho, hoje 99% dos carros novos saem da concessionária
com seguro. “Mas sempre tem uns loucos que preferem arriscar,
mesmo sabendo que o índice de furtos da cidade é
alto”, conta. “O problema não é ter
o carro, mas sim mantê-lo. Não compre o carro se
não for fazer seguro.”
Diante da violência na cidade, tanto a procura por seguro
de carros zero como usados tem aumentado. “O carro zero
é o sonho de consumo de muitas pessoas hoje, e é
mais viável comprar um novo, pois além da taxa de
juros ser menor, o seguro é mais baixo”, aponta o
corretor.
Para contabilizar no orçamento das despesas mensais, é
importante lembrar que o valor do seguro depende do modelo do
veículo e do perfil do proprietário. “ O preço
varia muito, mas um Volkswagen, por exemplo, que é um carro
muito roubado, se o dono for jovem, o seguro pode chegar a 10%
do valor do veículo”, revela Gaúcho.
Na MB Corretora de Seguros, entre os carros novos mais segurados
estão os populares, com valores entre R$ 25 mil e R$ 30
mil. O público jovem, segundo Gaúcho, está
aumentando. “O número de segurados com idades entre
18 e 25 anos aumentou muito, porque o poder aquisitivo dessa faixa
da população está aumentando também”,
observa.
Ano
bom
Na Indaseg Corretora de Seguros, o aumento na demanda é
percebido desde o início do ano, quando concessionárias
começaram a trabalhar com prazos de financiamento estendidos
a até 72 meses. “Hoje está muito fácil
adquirir um carro, até pessoas com restrição
no CPF conseguem”, comenta a corretora Cristiane Regina
Lorenzetti.
A corretora também explica que o preço do seguro
corresponde, em média, a 10% do valor do veículo.
“Vários itens são levados em consideração,
como a sinistralidade, o custo de reposição de peças,
a idade e tempo de habilitação do condutor”,
diz.
Os carros mais segurados na Indaseg acompanham a tendência
de mercado, ou seja, são os mais populares: Celta, Uno,
Corsa, Gol e Palio, cujos valores flutuam entre R$ 25 e R$ 30
mil. Cristiane confirma que a faixa etária dos compradores
de veículos vem diminuindo. “A maioria dos clientes
tem sempre menos de 35 anos”, conta.
A corretora lembra que nem sempre quem compra um carro leva em
consideração o valor do seguro e demais despesas,
o que pode ser arriscado. “O seguro é essencial,
princpalmente se o carro estiver financiado, mas o pessoal que
vai comprar um carro tem que pôr no orçamento o valor
da parcela, e somar a ele o seguro, IPVA, licenciamento, seguro
obrigatório, despesas com combustível, e rezar para
não ter manutenção”, argumenta. “Um
veículo zero quilômetro com parcela na faixa de R$
299 mensais, acaba ficando R$ 499 se você colocar todas
as despesas que vai ter com o carro”, enfatiza.
Em decorrência da falta de planejamento, a inadimplência
no mercado de seguro veicular aumentou nos últimos meses,
chegando a 10%, segundo Cristiane. “Temos um alto número
de cancelamento por falta de pagamento do seguro porque a pessoa
começa a pagar e depois de uns seis meses não agüenta
manter todas as despesas”, explica.