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Nome de ruas:
Especial Barnabé


Conheça algumas das personalidades
homenageadas por logradouros da cidade
e um pouco mais desta importante família


:: Por TATIANE QUADRA

Dando uma rápida olhada na lista telefônica de Indaiatuba encontramos nada menos do que 15 ruas e avenidas com nomes de membros de uma família da cidade: a Barnabé. Além disso, há mais duas praças e três bairros. As muitas homenagens nos remete a importância deste sobrenome na história do Município. Fazendeiros, pecuaristas, agricultores, profissionais respeitados e o envolvimento com a política local são alguns dos destaques do clã dos Barnabé, que chegaram a cidade no século 19. Descubra um pouco da história de vida de algumas destas personalidades.


ÁRIO BARNABÉ

Uma das vias mais famosas da Zona Sul de Indaiatuba, a Avenida Ário Roberto Barnabé, recebe o nome de um importante pecuarista e cafeicultor da história local. Ário, que nasceu em 29 de abril de 1899, era filho de Reinaldo Barnabé e neto de Valeriano Barnabé com Adelina Boseli. Ele casou-se com Lilia Curti Elvira Barnabé e teve seis filhos, três ainda vivos: Tércio, Lea e Nelly, sendo que a última se casou com Odilon Ferreira que foi prefeito do Município. Já faleceram os filhos Gioconda, Darcy e Ary.

Ário herdou a Fazenda Engenho D’Água, porém adquiriu outras propriedades. Segundo a publicação de 1997 “Famílias Tradicionais e Ilustres de Indaiatuba”, o fazendeiro cultivava, além do café, milho, arroz e algodão, mantendo também a criação de gado. Seu “tino administrativo” permitiu que passasse pela crise do café, sem ter que se desfazer de nenhum de seus bens. Ele vendeu as terras da Engenho D’Água para uma incorporadora quando Clain Ferrari assumiu a Prefeitura local, em 1977. A área foi então loteada e atualmente abriga o Jardim Morada do Sol, motivando assim a homenagem com o nome da via.

O livro destaca ainda que Ário tinha como entretenimento a criação de cavalos de corrida, e que tinha por característica andar sempre de chapéu Panamá e carro Aero Wyllis. Ele faleceu em 3 de outubro de 1979, com 80 anos. A esposa viveu até 1998 em uma propriedade na Rua 15 de Novembro, ao lado da atual Caixa Econômica Federal (CEF), quando morreu com 98 anos.

FÁBIO ROBERTO BARNABÉ

Talvez uma das avenidas mais importantes de Indaiatuba, a Engenheiro Fábio Roberto Barnabé tem início na rotatória com as avenidas Conceição e Presidente Vargas e segue até o Jardim Morada do Sol, recebendo o mesmo nome nos dois sentidos. A marginal do Parque Ecológico recebeu este nome em homenagem ao engenheiro civil, que faleceu em 31 de dezembro de 1995, com apenas 39 anos, após lutar por três anos contra o câncer.

Fábio é bisneto de Paulo Barnabé, neto de Vitório Barnabé e filho de Algemiro Elotarco Barnabé, que foi vereador em Indaiatuba, e Leonor Tachinardi, que faleceu em 2005. Nunca se casou ou teve filhos, teve apenas namoradas. Porém, foi responsável por diversas obras, inclusive particulares, projetando até mesmo casas de banqueiros e a Unidade de Pronto Atendimento Dr. Mário Paulo, o Mini-Hospital.

O engenheiro foi secretário de Economia Planejamento na segunda gestão do ex-prefeito Clain Ferrari, na época em que o chefe do administrativo edificou parte do Parque Ecológico. Desta forma, Fábio participou do planejamento do que hoje é considerado o cartão postal de Indaiatuba. “Fábio foi até São Paulo e buscou Rui Otake, que arquitetou o Parque”, conta a irmã única, Célia Regina Barnabé Vicentin. “Além disso, fez obras em Campinas e Jundiaí e foi um dos fundadores da Faici.”

A família lembra que na ocasião da homenagem à Fábio Roberto Barnabé, tornando-o nome de avenida, houve oposição da Fundação Pró-Memória. Mas, 7 mil assinaturas foram coletadas em dez dias e o projeto de lei de autoria do então vereador Carlos Alberto Rezende Lopes, o Linho, foi aprovado na Câmara e entrou em vigor no dia 23 de março de 1999.


CLOTILDES PARATELLI BARNABÉ

A rua que fica no Jardim Flórida é uma homenagem a uma matriarca da família Barnabé. Porém, Clotildes não é descendente direta, mas sim esposa de Vital Barnabé, com quem teve dez filhos, sendo que o primeiro foi Aristidi Barnabé, também ex-vereador de Indaiatuba. Perdeu também dois filhos. Mas teve, no total, 23 netos e 25 bisnetos. A curiosidade nesta história é que a irmã de Clotildes, Maria Paratelli Barnabé, que também virou nome de rua, casou-se com o irmão de Vital, o Vitório Barnabé, avô de Fábio Roberto Barnabé. Os dois irmãos, Vital e Vitório, eram proprietários da Fazenda Morumgaba “de cima” e a “de baixo”, respectivamente, e ambos também foram homenageados através de nomes de rua.

Clotildes era italiana e faleceu em 1980, dois dias após completar 93 anos. Segundo os familiares, ela ainda era lúcida, mas teve falência multipla dos órgãos. Além disso, a vida inteira tomou diariamente um cálice de vinho. Porém, a fazenda foi vendida após a morte de Vital, em 1953, para repartir com os herdeiros.

Outras ruas:
Alzira Barnabé – Jardim Tropical
Antônio Barnabé – Distrito Industrial Domingos Giomi
Benedita R. Barnabé – Jardim Morumbi
César Barnabé – Chácaras Alvorada
Maria Paratelli Barnabé – Jardim do Sol
Olindo Barnabé – Jardim Morada do Sol
Osvaldo Barnabé – Vila Suíça
Teodoro Barnabé – Terras de Itaici
Vitório Barnabé – Vila Brig. Faria Lima
Vital Barnabé – Vila Brig. Faria Lima

 

Início da família em Indaiatuba

A história da família teve início em Indaiatuba com a vinda da viúva Adriana Gorne Barnabé, que emigrou da cidade natal de Mântua, da Itália, para o Brasil, trazendo junto os três filhos: Seraphim, Valeriano e Paulo. Ela deixou uma filha chamada Rosalva, da qual não se tem notícia. De acordo com o livro sobre as famílias locais, o marido falecido de Adriana era Lorenzo Barnabé, e ela era teria vindo para a nossa região por volta de 1885, para trabalhar com os filhos na lavoura, como colonos. Porém, quando casados, os filhos passaram a adquirir terras. Valeriano casou-se com Adelina Boselli Barnabé, e foi quem comprou a Fazenda Engenho D’Água. Ele teve dois filhos, sendo que Reinaldo foi o proprietário da Fazenda da Grama.

Adriana faleceu em 11 de agosto de 1905, com 75 anos, e foi a primeira pessoa a ser sepultada no lado direito do Cemitério Municipal da Candelária, que recebe o nome de Taipas. A descendente Anadir Barnabé Galvão conta a que o prefeito major Alfredo de Camargo Fonseca, teria dito, na ocasião da inauguração do cemitério, que o primeiro a morrer ganharia a sepultura. “Ela disse: ‘que não seja eu!’ e a tarde faleceu”, lembra.

Árvore
O aposentado José Aristides Barnabé, 62 anos, filho de Aristidi Barnabé, já trabalha na montagem da árvore genealógica dos Barnabé há três anos. Ele explica que começou a pesquisa no site de relacionamentos Orkut, através de uma comunidade que reunia membros da família. “Tenho registrado mais de 500 parentes, porém sei que há muito mais”, afirma. “Ainda acrescento novos dados quando os consigo.”

Ele comenta que desde Adriana, a família Barnabé já está em sua sétima geração em Indaiatuba, através dos filhos Valeriano e Paulo. Isso porque, Seraphim se mudou para a região de Capivari e tem descendentes também na região de Bauru. “Há cerca de quatro anos a comunidade Italiana local fez uma bela missa em homenagem a nossa família na Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária e reuniu muitos membros”, lembra. “Minha curiosidade na história nasceu daí.”

 

Três bairros
em homenagem a Homero

Homero Paulo Lourenço Barnabé. O nome comprido do cafeicultor e pe-cuarista local lhe rendeu três homenagens: a Vila Homero, Parque São Lourenço e Jardim São Paulo. Neto de Valeriano Barnabé e filho mais velho de Antenor, nasceu em 8 de setembro de 1901 e morreu em 7 de março de 1980, com 79 anos. Ele casou-se com Luiza Zerbini Barnabé, que era tia do ex-prefeito Romeu Zerbini, também falecida em 1988. O casal, que chegou a comemorar bodas de ouro com 50 anos de união, teve cinco filhas: Elza, Norma, Anadir, Ernesta e Luiza, sendo que a primeira já faleceu.

Junto com o irmão foi dono da Fazenda da Grama e teve diversos imóveis pela cidade, incluindo os bairros que foram loteados e receberam parte de seu nome. Quando Homero faleceu, a esposa fez a divisão dos bens para as filhas através de sorteio. A filha Anadir Barnabé Galvão conta que ganhou as terras da Vila Homero e Jardim São Lourenço. “No São Lourenço fiz a capela e a rua principal, que também levam o nome do meu pai. Isso porque ele gostava muito do nome Lourenço”, relata. “Foi o primeiro loteamento de Indaiatuba. Minha irmã Luíza ficou com o local onde é o Jardim São Paulo.”


Curiosidade – No Jardim Morada do Sol há uma rua chamada Orlando Barnabé. Segundo a família, há aí um engano. Apesar de ser conhecido por Orlando, o falecido chamava na verdade Mário Aldo Barnabé. Desta forma, a homenagem não está correta.


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