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Por TATIANE QUADRA
A
cena é cada vez mais comum. Pessoas retiram os laptops
de suas malas e se conectam a rede mundial, sem ligar nenhum cabo
ao equipamento. Essa isenção de fios para entrar
na internet é conhecida como wireless ou wi-fi, e tem sido
utilizada pelas áreas de comércio e serviços,
como atrativo de clientes. Em Indaiatuba, hotéis, restaurantes,
cafés, faculdades e até mesmo supermercado, motel,
salão de beleza e loja de conveniência oferecem o
acesso, na maioria das vezes de forma gratuita e livre a todos.
E eles garantem, faz a diferença!
Em alguns setores, a oferta do serviço já é
mais comum, como por exemplo, na área hoteleira. A gerente
do Ybiá Hotel, Ana Carolina Bannwart, conta que sempre
ofereceu a conexão à internet de forma gratuita
aos hóspedes, porém, via cabo. Há um ano
o hotel se adaptou às mudanças tecnológicas
e possui wireless nos apartamentos e áreas sociais. O serviço
é gratuito e livre, não sendo necessário
pedir autorização para o uso. “Fizemos a mudança
porque a pessoa fica livre e tem acesso em qualquer lugar, sem
depender de um ponto, que antes existia apenas na escrivaninha
dos quartos. É uma facilidade, e o hóspede pode,
por exemplo, conectar da cama”, explica. “Este é
um diferencial significativo e decisivo na escolha do hotel, que
tem um público de empresários.”
A procura é tão grande que, até mesmo estabelecimentos
menores já optaram por este tipo de rede. Um exemplo é
a Pousada Itaici, que após notar que alguns não
se hospedavam pela falta do wi-fi, resolveu se atualizar. “Influencia
muito na decisão e sempre perguntam se temos o sistema
no momento da reserva”, revela o sócio-proprietário
João Gustavo Barnabé. “Além disso,
tem que funcionar bem, porque tem cliente que trabalha a tarde
toda aqui e, se tiver problemas na conexão, reclama.”
Antes disso, alguns hóspedes chegavam a conectar por internet
discada, na linha do telefone, mas agora o sistema sem fio funciona
em toda a pousada, através de uma senha que é informada
no check-in e trocada toda semana por segurança.
Alimentação
A
área de alimentação também é
uma das quais a oferta de wi-fi para os clientes cresce muito.
Diversos restaurantes da cidade já possuem o sistema, como
a Casa da Esfiha. “A procura estava grande e nós
tomamos a iniciativa. Não tem que pagar nada, é
só sentar e conectar”, conta o sócio-proprietário
João Hélio Batista. “E os clientes usam bastante.
Tem dia que parece uma lan house. O pessoal senta e fica a tarde
toda fazendo trabalho, e consumindo.”
O McDonald’s de Indaiatuba também oferece uma hora
de acesso gratuito aos clientes com notebooks. Já para
aqueles que são assinantes de um provedor de internet com
wi-fi incluso no pacote, em parceria com a empresa Vex - como
é o caso do Uol, Terra, Yahoo, entre outros - têm
acesso ilimitado, durante todo o dia. Para navegar, basta pedir
um cartão no balcão do restaurante e seguir as instruções
de conexão.
O mesmo ocorre com o Fran’s Café, que também
funciona como ponto de internet livre para os assinantes de provedores
ligados à Vex, que conectam com senha própria. Para
os demais, são vendidos cartões que permitem 2 horas
de acesso a R$ 2,50. “Quase todos os dias temos alguém
usando a internet aqui, e consequentemente consumindo”,
diz a proprietária Cássia Prestes.”
Outro estabelecimento local que oferece wi-fi aos clientes é
a loja verde do Pão de Açúcar. No total,
a rede tem o serviço em mais de 30 supermercados, disponível
nas áreas de cafeteria, e o de Indaiatuba é um deles.
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o acesso
à internet por meio de banda larga sem fio reforça
o conceito do grupo de oferecer soluções diferenciadas
que facilitem o dia-a-dia dos clientes. “Isso permite que
nossos clientes, em meio às compras ou durante uma pausa
para o lanche, acessem seus e-mails, paguem suas contas ou dêem
uma olhada em sites de notícias, com todo conforto e comodidade”,
explica o diretor de Operações da rede, João
Edson Gravata.
No supermercado, a navegação é totalmente
livre para todos assinantes de provedores ligados a Vex. Porém,
o benefício se estende também aos que são
“Cliente Mais”, com o fornecimento de um cartão
de acesso no balcão de atendimento.
Diferentes
Quem deseja aproveitar as oportunidades e utilizar
a internet nos estabelecimentos que oferecem este serviço,
deve estar atento aos lugares que tem um selo com o símbolo
avisando que o local é uma “Wi-fi Zone”. Muitas
vezes, podemos nos surpreender com os comércios inesperados
que permitem o acesso sem fio.
É o caso da loja de conveniência Proost, que fica
no posto de combustíveis Vienna, da Petrobras, em uma rotatória
entre as avenidas Conceição e Bernardino Bonavita.
O local possui wireless livre e gratuita para uso de todo e qualquer
cliente há pouco mais de dois meses. “Como estamos
próximos ao Pólo, temos bastante executivos que
freqüentam a conveniência, e a procura estava grande”,
explica o proprietário do local Gerson Proost. “Surgiu
a oportunidade e nós instalamos. E quem usa acaba consumindo
algo. É um chamariz e tenho sentindo bons resultados.”
Como o posto também possui wireless, o cliente da loja
deve pedir uma senha para ter o uso liberado. O local ainda tem
um computador para quem não possui notebook, porém
ai o serviço é cobrado.
E não pára por aí. Já existe motéis
que oferecem a internet wireless. É o caso do Liverpool
Loft Motel, que oferece o serviço desde 2005, em todas
as suítes, com acesso gratuito. A gerência garante
que este foi o primeiro motel da região a trazer esta comodidade,
isso porque, o local recebe muitos hóspedes que vêm
a Indaiatuba a trabalho e necessitam da conexão para verificar
e-mail ou acessar outras ferramentas de trabalho. Também
há o salão Gê Beleza, que oferece a navegação
via wireless para as clientes que freqüentam o local.
Wi-fi
a serviço da educação
Mas, não é só a serviço da atração
de clientes que a internet sem fio atua. Também temos em
nosso Município instituições de ensino superior
que possuem redes wi-fi para auxiliar nos estudos dos universitários.
É o caso da Faculdade Politécnica de Indaiatuba,
a Unopec, que possui o sistema em cerca de 90 a 95% da área
da unidade, e busca melhoria do sinal e velocidade para uso de
toda a comunidade acadêmica.
Os
alunos têm acesso livre ao sinal, mas devem possuir a senha
informada pela faculdade, que restringe o uso de sites de relacionamentos.
Isso porque, o objetivo é agregar ferramentas e possibilidades
em sala de aula, auxiliando no trabalho dos docentes e estudo
dos discentes.
Também a Max Planck já tem o sistema em sua unidade
1, da Vila Georgina, e está com projeto de instalação
no prédio 2, do Jardim Leonor. Se o professor autorizar,
é permitido o uso dentro da sala de aula, apesar da instituição
ainda estar buscando melhorias no serviço. O wireless foi
instalado porque, como há dias em que os computadores do
laboratório estão em uso para aula, era necessário
atender as necessidades dos alunos que desejavam fazer pesquisas
e trabalhos. Não há restrição no acesso.
Acessando
informações
de qualquer lugar
Mas
será que realmente vale a pena investir e oferecer este
serviço? Será que isso agradará e atrairá
clientes? O educador físico Valter da Hora Santos
Neto, 24 anos, (foto) é uma prova que
sim. Segundo ele, para os momentos de lazer, durante os finais
de semana, é indiferente freqüentar um local que possua
ou não wi-fi. Mas, durante o período de serviço,
que no caso é de segunda a sexta-feira, ele procura optar
por estabelecimentos que disponibilizam a internet sem fio, facilitando
o trabalho. “Freqüento sim alguns lugares que possuem
wireless e geralmente vou aos restaurantes e cafés que
disponibilizam esses serviços”, afirma. “Costumo
utilizar a internet, para facilitar o meu trabalho, pois posso
entrar em contato com os meus alunos e clientes de uma maneira
mais rápida e eficiente, sem necessitar da utilização
da telefonia celular.”
O professor conta que usa wi-fi há cerca de dois anos,
e sempre que pode acessa a internet para verificar a caixa de
e-mails ou em busca de informações diversas. “Conecto
sempre que possível, principalmente durante o meu período
de intervalo e pausa para as refeições”, diz.
“Eu costumo sempre carregar o meu laptop durante o meu dia-a-dia,
pois nele salvo as minhas aulas, informações sobre
alunos, matéria de trabalho, entre outros.”
Para Valter, a internet wireless gerou uma grande facilidade aos
usuários de laptops, já que agora não existe
mais a necessidade de cabos, modem, entre outros utensílios.
“Podemos nos conectar sem a utilização de
nenhum aparelho adicional, exceto o notebook e esta vantagem de
utilizarmos a internet em lugares diversos”, opina. “Acho
que o serviço vem crescendo porque os estabelecimentos
percebem que a população está cada dia mais
adaptada a modernidade, e então procuram se adaptar para
não perder para a concorrência.” Ele analisa
que, a utilização do laptop se torna cada dia mais
essencial, o que até mesmo alavanca a venda destes computadores
portáteis. “Conheço muitas pessoas, assim
como eu, que utilizam e possuem um note por utilidade e não
por facilidade ou comodidade”, comenta.
Segurança é
fundamental
A desobrigação da utilização de fios
na telecomunicação traduz os dois nomes: wireless
e wi-fi. Este serviço não é tão novo:
existe já há dez anos. Mas segundo o consultor técnico
Anderson Tartarini, ele está mais acessível a população
há cerca de dois anos. “Uma coisa incentiva e atrai
a outra. Temos a mobilidade nos notebooks, que a partir deste
período já saem todos com a placa necessária
para conexão, e a possibilidade de se oferecer Internet
em qualquer lugar”, avalia. “Atualmente as coisas
estão mais acessíveis. Há três anos,
um laptop custava no mínimo R$ 3,5 mil, sem visar a qualidade.
Agora vemos aparelhos a R$ 1,2 mil.”
A
empresa Arganet Comunicação e Monitoramento Digital,
estabelecida em Indaiatuba, é uma das que oferece o serviço
de instalação de redes. Entre os clientes de Internet
wireless possui, além de empresas, clubes, hotéis,
restaurantes, a Padaria Suíça, e um condomínio
residencial. “É uma tendência, e quem oferece
serviços vai acabar agregando este, pois são utilizados
aparelhos e configuração simples, funcionando de
forma fácil. Dependendo do local, é necessário
apenas ter uma banda mais potente para oferecer livremente”,
explica. “Mas é um atrativo para os clientes, principalmente
nas áreas de consumo e negócios. O único
problema é o controle.”
O proprietário da Arganet, César Cotrin, analisa
que, apesar de ser um serviço benéfico, o uso está
exacerbado e sem controle. Isso porque, diversos estabelecimentos
simplesmente contratam um serviço de Internet em banda
larga, coloca um roteador sem fio e distribuem o sinal pelo ambiente.
“Normalmente colocam senhas que podem ser facilmente quebradas.
E qualquer pessoa entra na Internet, acessa qualquer site, faz
qualquer coisa, sem que se pense em uma forma de controle, em
quem vai fiscalizar isso”, fala. “É legal oferecer
wireless. Mas isso requer proteção com nome, senha,
histórico e controle do usuário. O problema é
quem quer ceder acaba fazendo na maneira mais fácil e a
comodidade gera insegurança.” Ele lembra que o Shopping
Jaraguá de Indaiatuba já solicitou um projeto para
disponibilizar wi-fi. “Mas chegamos no impasse que seria
necessário um espaço e funcionário para cadastro
dos usuários”, conta. “Ainda está sendo
estudada a melhor maneira.”
Por fim, a empresa comenta que o serviço de 3G, oferecido
pela telefonia móvel, com acesso por um modem externo,
também deverá ser mais um serviço agregado,
mas não substituirá o wireless. “Em Indaiatuba
ainda não funciona bem, mas em Campinas o sinal é
bom e não notamos queda no número de clientes”,
finaliza o consultor.