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Faça sua parte


Dezembro é o mês em que mais se ajuda
o próximo, mas há famílias e entidades
precisando de apoio o ano todo



:: Por CYNTHIA SANTOS


Mamãe e
Papai Noel
no Natal dos
Amigos do ano
passado

Em dezembro, o clima natalino desperta no ser humano o desejo de ser mais solidário com as dificuldades alheias. Sair do seu próprio mundo e doar-se ao seu semelhante, nesta época do ano, parece tornar-se mais fácil. Por isso, é comum, juntamente com o período de festas, presenciar uma avalanche de campanhas de arrecadação de donativos para famílias carentes e entidades assistenciais.
A ajuda pode ocorrer por meio de presentes, doações em espécie ou um simples gesto de carinho. Independente da forma como o auxílio será dado, o importante é realizar o ato com desprendimento para tentar fazer o Natal do próximo um pouco melhor. Iniciativas há aos montes pela cidade, basta escolher a qual campanha aderir e fazer a boa ação.

Todos sabem que a união faz a força, mas poucos têm idéia das dimensões dos benefícios que uma amizade pode proporcionar aos menos favorecidos. Uma campanha até hoje anônima para grande parte dos moradores de Indaiatuba, promovida pela primeira vez há dez anos por um grupo de cinco amigos, ajuda em média 1 mil crianças carentes por ano. Batizada de Natal dos Amigos, a ação tem levado alegria para lares onde a esperança já havia feito as malas há tempos.

Decidir ajudar pessoas necessitadas pode acontecer em um estalo, em um momento de desespero em que não se tem idéia do que fazer para aliviar a própria dor ou assistindo à televisão. Sim, foi isso o que aconteceu com o idealizador da campanha Natal dos Amigos, Fabiano Lopes, mais conhecido como “Grande”, no final do ano de 1998. “A idéia surgiu quando vi na televisão uma reportagem relacionada à caridade. Tive vontade de me vestir de Papai Noel e sair distribuindo brinquedos”, lembra. “Achei que poderia fazer minha parte e trazer um pouco de esperança para algumas comunidades carentes de Indaiatuba.”

Grande conta que inicialmente a idéia era entregar brinquedos em uma única rua, em um bairro qualquer da cidade. Muito conhecido do público jovem de Indaiatuba e com a ajuda de mais quatro amigos (Fábio Bortolato, Enio Pallaro, Maurício Panzeri e Richard Semente), conseguiu montar uma verdadeira “corrente”, arrecadando muito além do esperado. “Passei a idéia aos amigos mais próximos e arrecadamos dinheiro. Compramos e embrulhamos 750 brinquedos, além de 250 bolas que recebemos de doação”, revela.

Na campanha Natal dos Amigos, a arrecadação não é apenas em brinquedos. Noventa porcento das doações são feitas em dinheiro. “Muitas pessoas que me ajudam na organização arrecadam entre familiares, amigos e colegas de trabalho”, conta. Algumas pessoas doam cestas básicas, caixas de leite, roupas, entre outros.

A campanha ganhou tanta adesão que não é possível mensurar números exatos. O idealizador da ação diz que, em média, 1 mil crianças são beneficiadas por ano. Já o número de presentes distribuídos não tem contagem. “Nunca uma criança ganha apenas um presente. Tem criança que chega a ganhar até cinco presentes”, explica. “Nem sempre nos bairros onde realizamos as entregas há o número suficiente de crianças para a quantidade adquirida.”

O Natal dos Amigos ajuda crianças independente do bairro, mas Grande conta que tem até um público cativo. “Tem uma criança, moradora no Jardim Carlos Aldrovandi, que desde a primeira campanha, em 1998, é presenteada”, revela. “Isso é legal, pois de certa forma acompanhamos o crescimento e o desenvolvimento de algumas crianças, o que só ajuda a ficarmos mais próximos.”

Plano
Os amigos não têm planejamento de quantidade de itens a serem doados ou de crianças a serem auxiliadas. Contam apenas com a solidariedade das pessoas e o trabalho árduo de arrecadação. “Nunca sabemos a quantidade certa de brinquedos, leite, refrigerantes e alimentos que serão adquiridos e distribuídos, afinal, recebemos doações até no dia da entrega”, justifica.

Geralmente as entregas são realizadas nos mesmos bairros. Um dos preferidos é o Jardim Morumbi, alvo da campanha desde 1998. “Naquele ano o bairro ainda estava em formação, e não existiam muitas casas. Chovia e as ruas estavam quase que intransitáveis”, recorda-se. “Encaramos os obstáculos e deu tudo certo.”

Outro xodó do Natal dos Amigos é o Jardim Carlos Aldrovandi. Nos dois bairros o grupo já tem um local definido para a entrega, conhecido dos moradores. “Geralmente eu e outros dois amigos vamos até os bairros e avisamos que o Papai Noel entregará presentes”, explica.

Algumas entidades também são ajudadas pelo grupo de amigos, como a Associação Filantrópica e Assistencial São Francisco de Assis. Algumas cartinhas da campanha realizada pelos Correios anualmente também são selecionadas e as entregas são feitas no dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Os amigos ajudaram ainda, nos dois últimos anos, famílias carentes cadastradas na Prefeitura, doando cestas básicas.



Crianças recebem
Papai Noel
em bairro
da cidade


O crescimento da campanha pode ser observado não somente pelo número de donativos, mas também pela quantidade de voluntários. Em 1998, eram cinco amigos. Hoje são oito organizadores. Além disso, aproximadamente 20 pessoas participam da arrecadação. Já a entrega dos presentes é a sensação da campanha: no ano passado o grupo mobilizou 78 pessoas. “É um crescimento considerável, pois na primeira campanha fomos em 15 pessoas”, lembra. “O interessante é que muitos amigos de outras cidades, como Salto, Itu, Campinas e São Paulo, contribuem com doações e também ajudam na entrega. Isso é gratificante, pois há um grande esforço em se deslocar até Indaiatuba e passar o dia, sob forte sol e calor, ou até chuva.”

Arrecadação
A mobilização dos participantes do Natal dos Amigos geralmente começa no final de novembro e se intensifica na segunda quinzena de dezembro. Geralmente a entrega dos presentes é feita no dia 23 de dezembro. Porém, como a quantidade de itens arrecadados sempre supera as expectativas, no dia 24 um grupo menor de amigos continua com a distribuição em outros bairros. “Nos últimos dois anos, a entrega foi feita até o dia 30 de dezembro”, diz.

Grande revela a sensação de bem-estar no momento da entrega dos presentes e descreve as diversas experiências que já teve nestes dez anos. “Não tem coisa melhor do que poder ajudar o próximo. É difícil definir tudo o que sentimos”, diz. “Em cada bairro é uma situação diversa, e cada pessoa reage de uma maneira diferente a todas as situações que vivenciamos nas entregas.”

A mudança que a ação social promove na vida dos próprios voluntários também é lembrada pelo idealizador da campanha. “Este ano, infelizmente, tivemos duas perdas de amigos que ano passado participaram pela primeira vez da campanha e se diziam ‘realizadas’”, conta. “Uma delas foi minha amiga Rissa Matsumoto, que inclusive foi minha maquiadora, e que postou uma foto em seu perfil no Orkut, com os dizeres: ‘Enfim, comecei a ver sentido no Natal’”, descreve. “A outra perda foi o João Augusto Mac Dowell, empresário de Campinas, que disse na época: ‘Em tanto tempo de vida, nunca vi nada igual’. Acho que só pelo depoimento dessas duas pessoas, que participaram de apenas uma campanha, dá pra tirar uma conclusão do que sentimos.” Grande acredita que seu caso é ainda mais especial, pelo fato de ser o Papai Noel. “Consigo sentir a emoção da criança por um simples abraço, uma conversa. Vejo a inocência e felicidade de algumas crianças e o medo em outras”, relata.

Para o idealizador do Natal dos Amigos, a solidariedade é importante. “Acho que pelo fato de existirem muitas diferenças e indiferenças é que conflitos são gerados. É uma pena que o verdadeiro espírito natalino não seja alcançado por todos, e quem conhece desse sentimento, se restringe a fazer valer apenas em sua época própria, ou seja, no Natal.”

Grande enfatiza que a ajuda é bem-vinda no Natal, mas que famílias carentes precisam de apoio o ano todo. “As pessoas que não têm o que comer no Natal, não terão o que comer o ano inteiro, não terão dinheiro para comprar roupa no inverno e também não terão dinheiro para comprar ovos de Páscoa”, expõe.
Quem quiser ajudar a campanha Natal dos Amigos ainda tem tempo. Os interessados podem entrar em contato com os organizadores pelo e-mail natal.amigos@gmail.com.

Histórias
recheadas de emoção
Histórias emocionantes permeiam o trabalho do grupo realizador do Natal dos Amigos. Seja por um sorriso ou por algum gesto espontâneo quando uma família recebe mantimentos, cenas que trazem consigo alegria e esperança ficarão para sempre guardadas na memória dos voluntários.

O idealizador da campanha, Fabiano Lopes, o Grande (foto), conta que no ano 2000 o grupo foi até uma vila da cidade. Em uma casa bem humilde, quem recebeu o Papai Noel foi uma garotinha de aproximadamente 7 anos. “Dei o presente e, quando ajoelhei, ela veio me dar um abraço. Só depois entreguei a sacola com o kit que montamos com duas caixinhas de leite, um refrigerante de dois litros e um panetone”, lembra. “Quando a menina viu o leite, largou o brinquedo e foi correndo com a sacola gritando para a mãe: ‘Mãe, leite! Leite!’. Foi emocionante.”

Outra situação ocorreu no Natal de 2006, no Jardim Carlos Aldrovandi, e resultou em melhorias para um dos habitantes do bairro. O grupo de amigos fazia a entrega de cestas básicas quando chegou até eles um menino pedindo uma doação, pois não havia o que comer em sua casa. “Fomos até a casa e, ao entrar para deixar a cesta básica e leite, encontramos uma criança autista e com deficiência visual”, conta. Em janeiro de 2007, Grande voltou sozinho àquela residência e pediu permissão para que a família deixasse que a criança fosse encaminhada para tratamento adequado. “Até hoje a criança freqüenta o Cirva (Centro de Integração, Reabilitação e Vivência do Autista), instituição em Indaiatuba mais adequada para o tratamento de autistas”, comenta.

Para os voluntários, também é comum presenciar cenas tristes em casas que visitam no período de festas. No dia 27 de dezembro de 2006, Grande foi até um bairro da cidade para levar uma cesta para uma família. “Cheguei a casa e estavam a mãe e dois filhos, aflitos e com muita fome, porque passaram o Natal apenas com um caldo de feijão doado por um vizinho. Foi muito triste”, revela. “Essas são algumas de tantas outras histórias tristes, que nos deixam motivados e determinados para continuar a realizar a campanha no ano seguinte, sempre buscando aumentar o número de arrecadações, como também aumentar o número de pessoas atendidas.”


Conheça a Campanha
Natal Feliz


José Rubens e Joanna Joly, da Volacc (centro), com
a equipe Guia-se Web Design

Anualmente, a Guia-se Web Design promove uma campanha de arrecadação de recursos com seus clientes e amigos. A verba arrecadada é totalmente direcionada à compra de mantimentos que são doados à famílias carentes. As empresas doadoras têm um cartão de Natal virtual inserido em suas páginas na internet, com a divulgação da campanha. Os cartões custam R$ 60 com logotipo, e R$ 50 sem logotipo.

Para participar, não é preciso ter um site, já que é possível enviar o cartão via e-mail. Quem quiser ajudar, ainda tem tempo: a campanha segue até o dia 20 de dezembro e os cartões ficarão disponíveis nos sites até dia 6 de janeiro de 2009.
Mais informações no www.guiase.com.br ou pelo telefone 3894-2490.

Unindo trabalho
e solidariedade

Muitas são as pessoas que querem fazer um trabalho voluntário, mas nem todas sabem a quem e como ajudar. Às vezes, por meio do próprio trabalho diário é possível fazer uma boa ação. Foi o que descobriu a Guia-se Web Design, empresa indaiatubana que desenvolve sites. Desde 2003 os colaboradores desenvolvem a Campanha Natal Feliz, em prol de entidades assistenciais da cidade. A empresa comercializa cartões de Natal personalizados e a renda obtida é revertida na compra de cestas com mantimentos.

A campanha começou em 2003, devido à necessidade da empresa padronizar os cartões de Natal da sua clientela. “A solicitação para esses cartões era grande e era difícil nossos clientes aceitarem essa padronização, se não houvesse uma causa maior”, explica o proprietário da empresa, José Rubens Rodrigues, mais conhecido como “Bubi”. “Com isso juntamos a nossa vontade de ajudar o próximo com a necessidade de atender nossos clientes.”

Em seis anos de trabalhos, a Guia-se ajudou três diferentes entidades, sendo que há quatro anos consecutivos a Voluntários de Apoio no Combate ao Câncer (Volacc) é a escolhida. Em 2003, a campanha ajudou a Sociedade Interativa Sol Nascente de Indaiatuba (Sisni), arrecadando R$ 630. No ano seguinte, a instituição beneficiada foi o Lar São Francisco, com R$ 900. Em 2005, a iniciativa da Guia-se atingiu R$ 1.604, que foram revertidos para a Volacc. Desde então, a entidade é beneficiada ano a ano. Em 2006 foram R$ 2.188,54 e no ano passado foram R$ 3 mil. A meta em 2008 é chegar aos R$ 4 mil.

A entidade contemplada é escolhida conforme a identificação da empresa e seus colaboradores com os princípios norteadores da instituição. “Como já havíamos desenvolvido um bom relacionamento com a Volacc e nos identificamos com os ideais da entidade, resolvemos beneficiá-la”, conta Bubi. “Caso a verba obtida supere a necessidade de arrecadação de cestas, escolheremos outra entidade.”

Dificuldades
Atingir a meta da campanha não é fácil. Este ano, para alcançar os R$ 4 mil, há 70 participantes. “Nossa maior dificuldade é entrar em contato com as pessoas que tomam a decisão”, revela o proprietário da Guia-se. Bubi acredita que realmente as pessoas se tornam mais solidárias nesta época do ano, entretanto, outro obstáculo é que muitas já colaboram com outras entidades da cidade.

Embora as dificuldades existam, o sentimento de ajudar o próximo é gratificante. “Nossa alegria é imensa”, conta. “O grande sentimento que nos resta após a doação é que, além de transformar o Natal de outras pessoas, nós transformamos o nosso Natal também.” As ações da Guia-se, aliás, não estão restritas apenas as festa de fim de ano. A empresa fez o antigo site da Volacc, a hospedagem da página na internet da Sisni e é responsável pela home page da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “Caso tenha alguma entidade que necessite, analisamos o caso e, se pudermos, procuramos ajudar também”, garante.

Desenvolver ações solidárias, além de ajudar quem necessita, pode auxiliar aquele que ajuda a enxergar que seus problemas são menores do que o das pessoas mais carentes. “Começamos a ver que os problemas das outras pessoas são muito maiores que os nossos”, argumenta. “Quando proporcionamos um mundo melhor para nosso próximo, nem que seja para uma só pessoa, automaticamente, o nosso mundo também melhora.”

Àqueles que não participam de uma ação solidária, ainda dá tempo de fazer um esforço e ajudar os mais necessitados. Procure uma entidade, uma família carente, um vizinho que precise de ajuda. O que importa é doar-se com desprendimento, pelo simples prazer de sentir útil e capaz de fazer o bem. O bem-estar que um ato de solidariedade irá proporcionar é umas das conseqüências. “A solidariedade nos ajuda, nos trazendo uma paz interior que muitas vezes é maior do que a ajuda que oferecemos”, explica Bubi. “Se meu exemplo de colaboração motivar pelo menos uma pessoa a ajudar o próximo, considero minha missão cumprida este ano.”

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