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Por CYNTHIA SANTOS
Ter
um cão recém-nascido é uma delícia.
Ele é pequenininho, faz inúmeras gracinhas, destroça
chinelos, tapetes, tudo o que vê pela frente e os donos
acham graça. Mas chega uma hora em que é preciso
impor limites e treinar o animal para que ele faça suas
necessidades no local correto, não destrua vasos de flores,
enfim, se comporte adequadamente, para evitar transtornos. Isso
é possível graças ao adestramento, a arte
de condicionar os cães a terem o comportamento desejado
pelos donos.
O adestrador Paulo de Tarso Silva, popularmente
conhecido como ‘Paulão’ e
dono da Major Adestramento para Cães, defende que o cão
não é “adestrado” e sim “condicionado”
a ter determinado comportamento. Ele trabalha com dois tipos de
adestramento, o simples e o complexo, que envolve treinos de obediência
e guarda. “Não trabalho com adestramento de cães
de companhia, para ensinar a fazer gracinha”, explica. Paulão
também é contra dar ração para o condicionamento
dos cães. Seu trabalho consiste apenas em utilizar o toque
e a voz, com adestramento à curta e média distância.
Entre os cães de grande porte, Paulão diz que treina
todas as raças. Já entre os de pequeno porte, os
que mais procuram adestramento são os donos das raças
poodle e cocker. “O poodle grava mil palavras na memória”,
garante.
O adestramento complexo, de obediência e guarda, dura de
dez meses a um ano. Embora o tempo seja relativamente longo, Paulão
diz que não é difícil adestrar o animal.
“Mais complicado é ‘adestrar’ o dono”,
revela. “Alguns donos de cachorros acham que o adestrador
é bombeiro, para ficar chamando na hora da emergência”,
explica. “Às vezes o dono me pede para ensinar algo,
mas não consegue fazer depois, em casa, porque não
prestou atenção às aulas.” O adestrador
também revela o risco de querer treinar o animal para o
ataque. “O dono acha ‘bonito’, mas tem que ter
voz de comando para segurar na hora do ataque”, lembra.
Muitos donos procuram o adestramento para corrigir atitudes erradas
dos cães dentro de casa. O adestrador ensina, então,
o que se deve fazer para que o animal seja disciplinado. “O
cão também tem que ser condicionado a comer nos
horários corretos, por exemplo”, esclarece. “Mas
se o cachorro já tem outro adestrador e o dono quer que
eu corrija o que está errado eu não aceito.”
Depois do adestramento, é importante que o dono do animal
mantenha uma rotina, inclusive com passeios. “Tem dono que
não leva o cão para passear depois que ele foi adestrado,
mas não pode, porque o cachorro fica muito agitado se ficar
somente dentro de casa”, explica.
O profissional explica que até os dez meses o cachorro
é considerado “criança”, dos dez meses
até um ano e meio é “adolescente” e
a partir daí entra na fase adulta. “Quando vamos
adestrar um animal temos que ter cuidado com sua estrutura, porque
nos primeiros meses ele é muito frágil”, diz.
Atualmente, o treinamento é feito na casa do proprietário.
Mas Paulão está construindo uma pista de adestramento
no quilômetro 5 da Rodovia Cônego Cyriaco Scaranello
Pires, que liga Indaiatuba a Monte Mor. As aulas ocorrem duas
vezes por semana, num total de oito aulas por mês.
Além de ser exímio adestrador, Paulão revela
que desenvolveu uma técnica para evitar que cachorras acabem
comendo os filhotes após o parto. “Descobri que trabalhar
com música clássica e barulho de água correndo
no final da gravidez serve para acalmar as fêmeas”,
revela. “Depois que comecei a usar esta técnica nunca
mais tive notícias de cão comendo o filhote”,
completa.
Arte
Paulão trabalha com cães há 31 anos e aprendeu
o ofício no 5º Batalhão da Polícia Militar
de Taubaté. Ele enfatiza que o adestramento não
é uma profissão, mas uma arte. “Não
adianta fazer curso para se tornar adestrador se não tiver
o dom”, argumenta. O profissional observa que a “essência”
do adestrador está acabando. “Hoje a maioria dos
adestradores trabalha somente usando petisco”, aponta. “Isso
acontece porque tem cão que não presta atenção,
é preguiçoso, e quem usa petisco quer resultados
rápidos. A recompensa que eu dou é o carinho.”
Os requisitos para atuar como adestrador, segundo ele, são:
ter paciência, persistência, perseverança,
carinho pelos animais e capacidade de observação.
“Tem que gostar do que faz, não trabalhar só
por dinheiro”, acredita. “Não adianta apenas
ter o curso de adestrador.”
Os telefones da Major Adestramento para Cães são
3834-8555, 3318-0937 e 9665-2008.