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VIVACIDADE
na terceira idade


Eles optaram pela felicidade.
Conheça alguns bons exemplos de idosos
que decidiram aproveitar intensamente
esta fase da vida


Por TATIANE QUADRA

Esqueça os jogos de damas na praça, os bordados e os coques no alto da cabeça. A chamada “terceira idade” mudou. Práticas esportivas e sociais, estudo, trabalho e muita diversão fazem cada vez mais parte do dia-a-dia das pessoas com mais de 60 anos, classificadas como idosas no Brasil. Sabe-se que esta é a população é a que mais cresce no país. E não é para menos, já que a qualidade de vida aumentou. Mas essa melhoria não se deve simplesmente a ações governamentais em prol deste público, mas principalmente a um esforço dos próprios idosos que, ao que parece, decidiram reagir e mudar o estigma do envelhecimento, transformando esta fase da vida na melhor idade.

Segundo o último Censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, a população acima dos 60 anos atingia a marca de quase 15 milhões, correspondendo 8,6% dos brasileiros. O órgão afirma que os idosos ocupam cada vez mais um papel de destaque na sociedade, sendo que a estimativa, há oito anos atrás, era de que em 20 anos os idosos sejam 30 milhões, representando 13% da população. A perspectiva é de que, no mundo, em 2050, um quinto da população seja de idosos e declara: o crescimento da terceira idade, em números absolutos e relativos, é um fenômeno mundial e está ocorrendo a um nível sem precedentes.

Uma das explicações é o grande aumento da esperança de vida ao nascer, que vem sendo verificado desde 1950, influenciado pela melhoria na qualidade de vida em diversos segmentos, como, por exemplo, o da saúde. Nesse setor há diversas evoluções, no atendimento médico, medicamentos, diagnósticos. Além disso, a terceira idade descobriu o prazer e os benefícios da pratica de atividades físicas. Mas não é só o corpo, muitos exercitam a mente continuando ou mesmo iniciando os estudos, e há aqueles que continuam a trabalhar, mesmo após a sonhada “aposentadoria”. Os relacionamentos sociais também fazem parte da busca do bem estar e realizações pessoais.


Apaixonados
por musculação

É fácil perceber que o casal de aposentados Adelina Frutuose de Oliveira, 81 anos e João Francisco de Oliveira, 90 anos, realmente se ama. Até porque, durante a entrevista, eles permaneceram abraçados. E, além de não se separarem nunca, compartilham uma paixão: pela musculação. Eles freqüentam a Academia Municipal duas vezes por semana, onde permanecem uma hora praticando exercícios de resistência muscular, com carga moderada, porém bastante repetições.

Dona Adelina começou primeiro, malha há oito anos. Chegou a fazer hidroginásticas, mas diz que enquanto puder quer “puxar peso”. “Quando saio daqui dá uma disposição, uma vontade de correr. Me sinto bem demais”, afirma. A esposa insistira com João, que trabalhava como guarda patrimonial da Prefeitura, para praticar também. Há dois anos, quando definitivamente se aposentou, o marido se rendeu e gostou. Agora, além de ser o aluno mais idoso da musculação, caminha três vezes por semana. “Comecei a perceber as vantagens no meu corpo e a me sentir mais disposto”, relata.

A professora, Cristina Aparecida de Toledo confirma, não precisa “pegar no pé” do casal. Eles se exercitam de maneira certa e até ajudam a corrigir os outros alunos. “O resultado maior eles sentem no dia a dia, ao caminhar e nas tarefas de casa”, explica. “É só respeitar o treinamento, o que não pode é o exagero. Mas o melhor é que não há turmas separadas, proporcionando a convivência social.” Dona Adelina garante que está é a melhor parte. “Aqui a amizade é colorida, amo todos os colegas e quando não posso vir fico com saudades”, relata.

Mas os dois não se separam, estão sempre juntos na academia, cuidando um do outro. Os alunos acham bonito o esforço do casal. Tanto que, no dia 2 de setembro João ganhou uma festa surpresa de aniversário na academia, com o auxílio de Adelina. “Esta é minha companheira fiel, que me ajuda com a batalha”, comenta emocionado.


Vida social ativa

Maria do Perpétuo Socorro Félix Machado, de 76 anos, é a disposição em pessoa. A cearense, com sotaque de carioca, que mora em Indaiatuba há 14 anos, é mesmo “arretada”. Uma mistura de atleta, turista de carteirinha e baladeira de plantão, dona Socorro é o exemplo de vida social na terceira idade. Seja no carnaval, ou nas festinhas dos netos em sua própria casa, ela sempre é sucesso garantido.

Ela faz questão de mostrar seus inúmeros certificados e medalhas: já participou dos Jogos Abertos da Terceira Idade (Jati), do Show de Talentos, desfile para Miss, atua em dois grupos da Terceira Idade, faz ginástica e dança, é dona-de-casa e cuida de dois netos, viaja com excursões sempre que pode, vai às todas as festas que pode e não dispensa uma “cervejinha” de vez em quando. “E a gente não tem que se divertir?”, argumenta. “A vida não acabou e vou levar até onde der. Nunca gostei de ficar parada. Ficar em casa fazendo o que? Gosto mesmo é de passear. Minha filha até briga comigo, mas a família estranha quando estou quieta demais.”

Histórias e fotos dos passeios não faltam. Se tem uma boa excursão ela faz as malas e vai. E faz questão de ressaltar que ama Festa do Peão e Junina e não perde um carnaval. Tanto que, mostra com orgulho o troféu que ganhou no ano passado pela fantasia mais original, quando “pulou” vestida de formanda no Centro Esportivo do Trabalhador. “Até na Zoff eu já fui, em uma matinê da terceira idade. Eu achei ótimo e quando eles ascenderam aquelas luzes foi muito bom. Todo mundo queria voltar lá”, lembra. “O que tiver eu vou, é só ter alguém pra me levar que já estou lá. Não reclamo de nada e não tenho nenhum problema de saúde.”

Dona Socorro enfatiza que adora participar dos grupos de Terceira Idade e diz que o melhor de tudo é fazer amizades. “É muito bom e divertido. Sempre tem bastante gente e muita bagunça. Tem umas lá que querem arrumar namorado, mas eu não, minha vida está muito boa, não quero ter que dar satisfação”, enfatiza. E se você pensa que, depois de toda essa agitação, ela dorme cedo se enganou. “Tem dias que fico acordada até 1 hora vendo tevê”, conclui.


A tradição da beleza

Até o dia 25 de setembro Joaquina Ribeiro Martins (foto a esq.) era a idosa mais bonita de Indaiatuba. Isso porque, nesta data ela passou a faixa de miss da Terceira Idade para Altair Garibaldi Rôfholi Guardia, 57 anos (foto abaixo). Porém, isso não minimiza o orgulho dessa dona-de-casa que resolveu deixar a timidez de lado e disputar o concurso promovido pelo Fundo Social de Solidariedade (Funssol), ganhando o primeiro lugar na segunda participação. “Acho que em 2006 não fui muito bem porque tinha vergonha”, explica. “Mas no ano passado falei ‘é tudo ou nada’ e resolvi olhar para cima.” Deu certo.


Dona Joaquina, que representou a cidade como a mais bela por um ano, disputou pelo grupo da Terceira Idade Alegria de Viver, do Serviço Social à Indústria (Sesi). “No concurso, tudo é muito legal. Os ensaios e principalmente as amizades que fazemos”, relata. “Tivemos duas trocas de roupa e quando chamaram meu nome como vencedora eu tomei um susto, fiquei paralisada. Foi uma surpresa, eu não esperava.”










Vaidosa, ela revela que gosta de se maquiar, se perfumar e só sai de casa arrumada. “Eu queria participar porque se ninguém vai acaba a tradição. Mas faz muito bem para o ego, me sinto bonita e jovem”, declara. “E a vida de miss é muito boa, o pessoal reconhece, cumprimenta, elogia. A família fica feliz, é muito legal.


Ela conta que, apesar do companheiro não comentar muito, todos percebem que ele ficou orgulhoso do resultado. “Precisamos viver a vida. Sei que muitas têm vontade mas não têm coragem e eu incentivo”, revela. “Podemos realizar este sonho e mostrar para nós mesmos que somos capazes.”


Sem idade
para aprender

Se tem uma coisa que Maria Torres Filleto, 82 anos, gosta é de aprender. Apesar de sempre ter sido uma mulher esforçada, e que não consegue ficar parada, foi há apenas três anos que ela descobriu o prazer de estudar. Até então, ela sabia escrever apenas o nome, mas foi através de uma amiga com quem fazia caminhada que descobriu o curso de alfabetização da Faculdade Aberta à Terceira Idade de Indaiatuba (Fatid-Id).

Maria conta que já aos 8 anos de idade se tornou empregada doméstica para ajudar a sustentar os irmãos mais jovens. Durante sua vida sentiu falta de estudar, e apesar de sempre ter conseguido trabalhos que envolviam certa responsabilidade, não conseguiu a evolução profissional que desejava. “Eu pensava em estudar, mas só sabia de cursos a noite e longe, e tinha vergonha de contar que não tinha nenhum grau de escolaridade”, diz. “Quando eu decidi estudar na Fatid meu marido chegou a se opor, dizendo que eu era velha demais. Argumentei com ele que para fazer o serviço de casa a idade não importava. Meu sobrinho me incentivou e eu fui.”

A estudante não tem dúvidas, foi “a melhor” decisão que tomou “na vida”. Agora, se orgulha ao contar que conhece todas as letras, está lendo e fazendo lição sozinha e adora caça-palavras. Estuda na Fatid de quarta e quinta-feira e faz aulas particulares de reforço. “Eu tinha até dor na nuca de tensão nervosa. Agora tenho uma saúde de ferro e não tomo nenhum remédio”, enfatiza. “Eu queria nascer agora para ter essa felicidade de estudar. Eu tenho vontade de viver, dançar e me divertir, dentro dos meus limites.”

Mas, Maria não quer parar por ai. Conta que, depois que se formar na alfabetização vai fazer espanhol e informática. “Só saio de lá com 100 anos, se me mandarem embora”, declara. “Quero aprender para conviver com as pessoas e acho que nunca é tarde. O conhecimento facilita a vida.” Boa aluna, ela não fala na aula, sempre presta atenção. Mulher valorosa é voluntária na Fatid e no Lar São Francisco de Assis. Vaidosa, caminha sempre que pode e em 2006 ganhou como princesa da Terceira Idade. Esposa dedicada, cuida da casa sozinha, paga as contas e faz bolo para vender. Além disso, fala com carinho do marido Anésio Filetto, 82 anos, que é taxista ativo, casados há 53 anos. “Ele aparenta mais idade e não é alegre como eu, mas eu amo esse homem. Nunca fez nada de errado e é um exemplo para Indaiatuba”, elogia.


Trabalho na maturidade

Segundo o IBGE, 62,4% dos idosos brasileiros são responsáveis pelo seu domicílio. O engenheiro industrial mecânico José Carlos Bannwart, 67 anos, é um deles. Ele atua em uma empresa que já foi dono e sócio, mas vendeu, e hoje é gerente de produção. Além disso, é presidente da Sociedade Escolar São Nicolau de Flüe, conhecida como comunidade de Helvetia, onde atua desde 1977 e exerce seu quinto mandato. “Ainda não tive tempo para a terceira idade”, justifica.

José Carlos executa um serviço de planejamento, onde usa bastante da engenharia para resolver os problemas das máquinas, e criando dispositivos para a melhoria do trabalho. Aposentado desde 2000, poderia ter entrado na Previdência Social sete meses antes, mas não teve tempo para isso. “”Eu gosto do meu trabalho, só não gosto dos problemas administrativos que ele envolve. Mas nunca pensei em parar. Pensaria só em ter um negócio próprio para sobreviver”, conta.

O engenheiro assume que percebe os limites que tem e que gostaria de ter mais liberdade e mais tempo para viajar, porém afirma que não consegue se imaginar sem nenhuma atividade. “Tenho medo de parar, porque é capaz de eu morrer e eu prefiro morrer em pé”, brinca. “Não dá para parar de exercitar a cabeça, pois enquanto estamos pensando somos úteis e a idéia da aposentadoria é ser um fardo. Eu quero sempre trabalhar em algo, mesmo que seja menos nobre.”
Apesar disso, José Carlos deixar de ter um emprego que nunca ficaria sem atividades. Sempre gostou, fundou e participou de associações, incluindo a de Helvetia e a Sociedade de Etnias que organiza a Festa das Nações Unidas de Indaiatuba (Fenui), entre tantas outras. “É um trabalho sem salário, mas que dá a satisfação de ser útil”, revela. “Sempre fui um jovem idealista, e lembro quando preenchi uma plano de carreira de uma empresa que questionava: ‘se você morresse hoje, pelo que seria lembrado?’. Aquilo mexeu comigo, e guiou minha vida.”



Indaiatuba:
a cidade dos idosos

Seg undo a Prefeitura, Indaiatuba já possui cerca de 180 mil habitantes e destes, 18 mil, ou seja, 10%, são pessoas acima de 60 anos de idade. Desta forma, o número de idosos no Município está acima da média nacional. E muitos desses, em busca de uma melhor qualidade de vida, se organizam em grupos abertos para a população acima dos 45 anos. Os chamados grupos da Terceira Idade têm o objetivo de promover atividades de lazer, cultura, informação, atualização e inserção social do idoso.

Estão registrados junto ao Fundo Social de Solidariedade (Funssol) de Indaiatuba, 14 grupos dos quais dez tem como papel principal a promoção social, que é o que fundamenta o trabalho do Projeto de Atenção a os Grupos de Terceira Idade. Há cerca de idosos inseridos nestes grupos, e de acordo com um levantamento finalizado em agosto, a faixa etária média dos integrantes é entre 60 a 69 anos. A maioria divide-se entre casados e viúvos, com predominância de mulheres.

Há uma calendário de atividades festivas específico para esta população, iniciando em fevereiro com o Baile de Carnaval, onde os integrantes são incentivados a desfilar fantasias e blocos para animação dos foliões. Em maio há comemoração do Dia das Mães, em junho a Festa Junina, em agosto o Dia dos Pais, em setembro a festa de gala do Miss Terceira Idade e em dezembro o encerramento do ano, com a Festa de Natal.

Além disso, na área da saúde física, há dois projetos básicos do Funssol. O de alongamento postural mantém aulas exclusivas para os grupos realizadas nos locais de reunião e atendendo em média 150 idosos. Já o Projeto Acqua Vitae realiza aulas de hidroginástica na piscina coberta do Centro Esportivo do Trabalhador, atendendo em média 400 pessoas ao mês que têm aulas duas vezes por semana.

Academia
Quem pensa que academia não é lugar de idoso está muito enganado. Prova disso é que existe uma aula específica para este público, que é aplicada pela Fit Work desde maio em parceria com o Funssol e os grupos de Terceira Idade, proporcionando preços diferenciados. A aula que recebe o nome de bodyvive, faz parte dos Bodys Systems, e tem como alvo pessoas acima dos 45 anos.
O treino de baixa intensidade dura cerca de 55 minutos, visa trabalhar o sistema cardiovascular, força muscular, fortalecimento abdominal e lombar e alongamento, com o uso de bolas e elásticos. “A idéia é fazer com que esta geração conheça a atividade física e ingresse no programa de treinamento”, comenta o professor Fábio Campos. “Além de auxiliar quem tem dificuldade motora, a aula proporciona diversão e interação, já que utilizamos músicas da década de 50.”



Conheça os grupos da Terceira Idade

Nome do Grupo - Endereço das Reuniões - Número de Participantes
Nova Vida Comunidade São João Batista
R. Chile, 493 - Jd. América - 40
Amigos para Sempre - XVI de Janeiro
R. Sebastião, 97 - V. T. Santos - 80
Viver a Esperança - Clube Sol Sol
R. Augusto Wolf, 151- Jd. do Sol - 120
Idade Dourada - As. dos Aposentados
Rua Com. Antônio N. Ibrain, 299 - Cecap 100
Vivência Sede do Clube da GM
Rua Bororó, 162 - Vila Soriano - 110
Irmãos Solidários Sede do 12 de Junho
Jardim Morada do Sol - 90
Amor e Esperança Salão Igreja Candelária
Rua Padre Vicente Rizzo - 45
Aparecida Galvão Centro Comunitário Vale do Sol
Jardim Vale do Sol - 55
Raio de Sol Creche Joana Gurgel
Rua Pedro Batista Apolinário, 34 Pq. Residêncial Indaiá - 40
Vivendo e Aprendendo Sanfli
Rua Orestes Mazoni, 144 - CECAP - 35
Alegria de Viver Sesi - Av. Francisco de Paula Leite, 2701 - 250
Caminhando com Jesus Salão Paroquial
Rua Antonio Brega, 271 - Jd. Oliveira Camargo - 40
Reviver Sede do Clube da GM
Rua Bororó, 162 - Vila Soriano - 50
Fatid Fatec - Indaiatuba - 400



Viva feliz e saudável

Não há como fugir, quando falamos em terceira idade pensamos na manutenção da saúde. E realmente é importante que este item seja observado para que os idosos possam aproveitar de forma plena esta fase da vida. Para isso, não há nenhum segredo ou forma mirabolante. Segundo a geriatra Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira, as dicas são simples, mas funcionam.

Em primeiro lugar, adote bons hábitos de alimentação. Coma vegetais, legumes, cereais, verduras e evite as frituras e gorduras, bem como o consumo excessivo de doces. Varie ao máximo os alimentos e tome leite, que é fundamental fonte de cálcio para os ossos. Vale ressaltar que, o abuso do café não é bom, atrapalha a absorvição deste cálcio.

Na questão dos hábitos a médica alerta: evite fumar e consuma álcool de forma moderada. “Atualmente temos vários métodos para ajudar a parar de fumar”, informa. “E beber pode, mas pouco. Sabemos que um cálice de vinho por dia para a mulher e até dois para o homem, por dia, pode ser benéfico, já que contém os flavonóides, que tem ação antiinflamatória para as artérias.”

Práticas esportivas são fundamentais, mas antes passe por avaliação médica geral, e não apenas cardiovascular. A idéia é definir a forma mais adequada de se exercitar e adaptar as condições de saúde para evitar lesões. As orientações vão desde o tipo de exercício até a intensidade. Atividades para a saúde mental também são recomendadas. “O cérebro pode ser trabalhado não apenas com palavras cruzadas, mas com outras ações incluídas no dia-a-dia, como ver um filme, tocar um instrumento, pintar um quadro e até mesmo jogar baralho com os amigos”, revela. “São dicas de coisas simples mas que efetivamente levam a gozar de boa saúde.” Por fim, não pode ser descartado o bom convívio social, que inclui o relacionamento com a família e amigos, ter uma religião, bem como atividades de lazer.

Check-up básico
De acordo com a doutora Celene, é importante que os idosos façam exames médicos periódicos, que envolvem diversas especialidades. Apesar disso, o geriatra é o clínico geral desta faixa etária, e tem uma visão global da saúde, conhecendo as alterações naturais do envelhecimento. O médico pode fazer a avaliação inicial do caso, encaminhar para um especialista, se necessário e fazer a interação entre as áreas. “Nós sabemos melhor o perfil do idoso, que tem uma propensão maior a efeitos colaterais de remédios”, argumenta. “E como normalmente eles não tomam apenas um, os medicamentos podem interagir entre si e trazer malefícios. Nós fazemos este diálogo, individualizando o tratamento.”

A periodicidade da checagem varia para cada paciente, podendo ser semestral ou anual. Entre os exames recomendados estão os cardiovasculares, que inclui medição de colesterol, teste de glicemia, sondagem dos níveis de pressão e eletrocardiograma. Também é importante checar a possibilidade de osteoporose em mulheres com mais de 60 anos e homens com mais de 70. “Pessoas que fumam e comam corticóide e medicamento para convulsão tem que fazer a avaliação antes”, alerta.

É necessário ainda estar alerta para os exames preventivos de câncer. Os mais comuns são os de intestino para todos; avaliação ginecológica (mama, endométrio e colo de útero) para as mulheres e urológico, para detecção de problemas na próstata para os homens. Caso o paciente ou a família note um problema de memória, alteração de comportamento ou da capacidade intelectual, também é importante buscar acompanhamento médico.

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