Expediente Redação Anuncie Opinião
   00:00:00


Conexão com
o mundo


Muito mais que turismo, a experiência
de uma viagem internacional pode proporcionar a obtenção de conhecimento e mudar sua visão


:: Por TATIANE QUADRA

Desenvolver o conhecimento em outras línguas, aprimorar a formação educacional, interagir com culturas diferentes, viajar e conhecer outros países, amadurecer. Seja qual for o objetivo estabelecido, o intercâmbio deixou de ser exclusivo para jovens, e atualmente são procurados até mesmo por adultos e profissionais maduros. Quem já fez garante que foi a melhor experiência de sua vida. Já para quem tem o desejo de encarar este desafio, mas não sabe como escolher dentre as opções e se preparar para isso, a Revista da Tribuna traz uma série de relatos e dicas.

O analista de sistemas Fernando Davanço (foto), é uma prova de que intercâmbio não é algo reservado exclusivamente aos adolescentes. Aos 35 anos, ele acaba de retornar de uma viagem a Austrália, onde permaneceu oito meses aprimorando seu inglês. Apesar de conhecer o idioma, há mais de dois anos não o estudava, e queria obter a fluência para uso profissional. “Trabalho com TI (Tecnologia da Informação) e os programas, os melhores livros, são todos em inglês. Por isso ele é pré-requisito”, argumenta. “Fui exclusivamente com o objetivo de estudar, sem se preocupar em procurar trabalho.”

Davanço, que chegou a pensar em ir para os Estados Unidos da América (EUA), conta que optou pela Austrália pela facilidade em obter um visto, e porque já tinha um conhecido morando no país. “Ele é dono de uma agência, e me indicou as melhores escolas e os valores”, conta. “Optei por um curso de 28 semanas, no qual eu estudava das 9h às 15h30, em Gold Coast, que é um local turístico, onde se conhece pessoas de todos os lugares.”

O estudante inicialmente ficou na casa do amigo, mas depois alugou um quarto na casa de uma senhora. “Nas escolas há murais com anúncios e as agências ajudam há encontrar lugares. As informações são acessíveis e as pessoas auxiliam”, comenta. “Há opções como homestay, que é ficar em uma casa de família como se fosse sua casa; o sharehouse, quando você apenas aluga um quarto no imóvel; e também os estudantes que se unem para alugar um apartamento. Tudo lá se paga por semana. E você acha um lugar legal para ficar por no máximo US$ 150 por semana.”

Planejamento
Segundo o analista, muitos jovens vão até à Austrália com pouco dinheiro, suficiente para um ou dois meses, e procuram emprego no país, principalmente em lanchonetes, para poder se manter e viajar. “Isso não é aconselhável. Eu me planejei com uns seis meses de antecedência e levei dinheiro o suficiente para os estudos e hospedagem”, relata. “Fiz pouco turismo perto do que todo mundo faz, já que viajei apenas pela Austrália. Mas essa não era minha prioridade.”

Para Davanço, a melhor parte da viagem foi conhecer outras culturas, através das pessoas dos mais variados países que encontrou. “O principal é conhecer gente de todos os lugares. É uma experiência de vida e minha vontade é viajar mais. Quando você vai pela primeira vez dá apenas o start, não pára mais”, declara. “Além disso, alcancei meu objetivo. Isso não será determinante para eu arrumar um emprego, pois inglês não é mais diferencial. Mas foi muito importante.”

Casamento e mestrado nos EUA

Há cerca de um ano a consultora de marketing Heloísa Ifanger, 30 anos, se prepara para realizar sua segunda experiência no exterior, um mestrado em administração com duração de dois anos nos Estados Unidos. Mas, desta vez ela não vai sozinha. Heloísa se casa no dia 18 de julho em Indaiatuba com o analista financeiro Benoit de Gailzain, 25 anos, e ambos embarcam no dia 23 do mesmo mês.

O intercâmbio faz parte da vida do casal. Isso porque Benoit é francês e ambos se conheceram no Brasil por conta de um intercâmbio. Ele havia estudado aqui e retornou para fazer estágio. O namoro começou há três anos, e apesar do projeto de se casarem já existir, a nova possibilidade na vida de Heloísa acelerou a decisão. A consultora, que atua em um banco, recebeu o patrocínio da empresa e irá para a Kellogg School of Management com o curso pago, além de receber a ajuda de custo.

Ela conta que, há 10 anos participou do programa Au Pair, trabalhando como baby sister em uma família americana. Durante o ano que permaneceu nos EUA viajou bastante, estudou marketing em uma universidade e tirou a proficiência em inglês. “Quando voltei foi fácil conseguir um trabalho. Um mês depois estava empregada”, relata. “É até clichê falar que o inglês é importante para conseguir uma colocação profissional. Depois aprendi espanhol, italiano e agora estudo francês.”

Porém, Heloísa queria mais. Seu desejo sempre foi trabalhar legalmente fora do país. Além disso, sempre ouviu falar nos programas de MBA dos Estados Unidos, que têm o objetivo de formar lideranças. “Há uma lista das 10 melhores universidades. Eu me inscrevi e participei do processo seletivo por um ano, fazendo provas, inclusive de inglês. Passei nos Estados Unidos e na França”, relata. “Meu chefe sabia que eu estava participando e sempre me incentivou e, além de mim, o banco patrocinará outras quatro pessoas. Minha única obrigação é depois trabalhar em empresas do grupo por três anos.”

Organização
Organizar a vida que levarão lá fora não foi difícil. A própria universidade entra em contato e ajuda, indicando sites com moradias, sobre como tirar o visto, entre outros. “Há uma equipe que assessora essa mudança. Eles indicam até onde comprar um computador, e há ainda programas para os cônjuges” comenta. “Também pessoas que já fizeram o curso, e alunos que estão lá, dão muitas dicas. A escola nos dá os e-mails de alunos brasileiros que ajudam em tudo, inclusive onde comprar passagem barata, se vale a pena adquirir um carro lá.”

A consultora comenta que já sabia que o desenvolvimento profissional e pessoal são os grandes ganhos do intercâmbio, mas fica feliz em agora viajar com segurança financeira. “Vou em outra situação. Não para melhorar o inglês, mas para estudar com os melhores professores do mundo”, enfatiza. “Estou vivendo o melhor momento da minha vida. Vou casar com quem eu amo e ir para fora do país com segurança financeira, além de voltar empregada. Não há nenhum receio.”

O casal conta que, apesar de Benoit trabalhar no Brasil, não houve nenhum impasse na decisão de se casarem e mudar para lá. Pelo contrário, ele a incentiva a realizar o sonho e acredita que será uma experiência para ele também, já que poderá trabalhar lá. O espírito aventureiro de ambos, que não fazem planos de longo prazo, é uma das coisas que têm em comum. “Somos cidadãos do mundo, jovens, não temos filhos, portanto é mais fácil arriscar”, diz ele. “Decidimos ir juntos quando a oportunidade apareceu, não houve nenhuma dúvida.”

Antes de terminar a entrevista, o casal faz questão de esclarecer que há tre possibilidades de ter uma experiência internacional: através de intercâmbio comum, através da universidade onde se estuda, e por patrocínio de empresas. “Recomendamos que verifiquem as empresas que patrocinam esse tipo de qualificação”, finaliza Benoit. “A variedade de opções faz com que nunca seja tarde demais.”

Bolsa de estudos no exterior

A rica experiência acadêmica no exterior aliada ao enriquecimento cultural foram os benefícios que fizeram com que a estudante Natália Gonçalves, (foto) 24 anos, se inscrevesse para concorrer a uma bolsa de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ela passou, e em agosto de 2007 embarcou para a França para um intercâmbio. Agora, ela reside na Bélgica, onde faz um estágio.

Natália cursa química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e quando estava no terceiro ano da faculdade se inscreveu no programa Capes/Brafitec (Brasil/França Ingénieur Technologie), de cooperação internacional entre o Brasil e a França, visando parcerias universitárias na área de engenharia. “As bolsas eram para escolas de engenharia, chamadas de ‘grande écoles’. Os alunos da Unicamp que tivessem interesse podiam se inscrever. A seleção era feita através de uma prova de conhecimentos específicos e entrevista”, relata. “No meu caso, eu fui selecionada para o curso de engenharia química na École Nationale Cupérieure de Chimie de Paris.”

Todos os gastos com passagem aérea e seguro foram pagos pela Capes. Também a escola para qual foi selecionada fez a reserva de quartos na Cité Universitaire de Paris para seus alunos. Apesar da bolsa de estudos cobrir boa parte dos gastos mensais - que incluem aluguel, transporte, alimentação e lazer-, a universitária precisou contar com a ajuda da mãe e do padrasto. “Só a bolsa não era suficiente. Eu ganhava €$ 600 (euros) e tinha que pagar €$ 450 só de aluguel por um quarto de 15 metros quadrados”, relata. “Aluguel em Paris é caríssimo. E eu ainda tive sorte de ter esse quarto reservado, pois este é considerado um aluguel bem barato na cidade.”

Segundo Natália, na Europa os estudantes têm facilidade em encontrar trabalho informal, principalmente em restaurantes e bares. Ela chegou a trabalhar em alguns desses estabelecimentos, para auxiliar nas despesas. “Esses trabalhos são relativamente bem remunerados e possuem horários flexíveis. Por isso são uma ótima oportunidade para ganhar um dinheiro extra”, comenta.

Oportunidades
Para a universitária, outra vantagem foi a facilidade de viajar por países europeus. “As passagens são baratas, há segurança e muitos lugares interessantes para se conhecer”, comenta. “Em apenas um ano e meio pude conhecer vários países e pessoas com culturas diferentes da minha.”

A experiência fez com que Natália modificasse seus planos. O projeto era de estudar dois anos na França, porém, agora ela reside na Bélgica e deve voltar ao Brasil em julho deste ano. “Uma vez aqui, as oportunidades são tantas que é difícil manter o plano inicial. Acabei optando por ficar apenas um ano na França e fazer um estágio de um ano na Bélgica”, conta. “Quando eu voltar, preciso terminar meu curso na Unicamp, já que ainda tenho um ano pela frente. Mas pretendo voltar para a Europa para fazer minha pós-graduação.”

A estudante argumenta que, quem tem o desejo de realizar um intercâmbio deve, em primeiro lugar “correr atrás”, além de possuir um apoio financeiro, seja familiar ou bolsa de estudos. “Tem que procurar, ser persistente e confiante. Vi muitos dos meus colegas desistirem antes mesmo de se inscreverem e depois se arrependeram”, alega. “E, apesar das facilidades da vida na Europa, o custo de vida aqui é muito caro. Por isso é essencial ter um suporte.”

Experiência organizada

A maneira mais segura de se organizar uma viagem não turística ao exterior é procurando agências de intercâmbio. Elas auxiliam o interessado em praticamente tudo, desde a compra da passagem, até o local de hospedagem. Foi o que a universitária Renata Mendonça Barreiros, 18 anos, fez em suas duas experiências: a primeira no Canadá, com 16 anos, e a segunda no México, com 17.

Nas duas vezes a jovem aproveitou o período de férias escolares para realizar cursos de idiomas. De dezembro de 2007 a janeiro de 2008 foi para Vancouver, no Canadá, aprimorar o inglês que estudou por cinco anos, e tirou o certificado na língua. Já no México permaneceu sete semanas, de janeiro a março deste ano, passando por três diferentes cidades. Em ambas as ocasiões não teve dúvidas, procurou uma agência. “É mais fácil e mais seguro, e o preço não muda muito. A comodidade compensa o investimento que evita dores de cabeça”, garante. “Eles já conhecem todos os procedimentos e ajudam em tudo, inclusive a escolher o curso e o local onde ficar. Deixam tudo pronto.”

Em ambas as viagens Renata ficou em casas de famílias, sendo que no México passou alguns dias na casa de uma amiga. “É uma situação bem diferente e no começo você estranha, mas depois vai se acostumando”, afirma. “É complicado se adaptar a rotina de outra família, a morar em uma casa que você não conhece, a comida. Mas no México foi mais fácil, pois eles fazem você se sentir mais parte da família.”

A universitária não esconde que gostou mais do intercâmbio no México e cita as diferenças. “No Canadá mais da metade da escola era de brasileiros, e a maioria do tempo eu falava português. Também era muito frio”, diz. “Já no México a maioria era de suíços, alemães, holandeses. Eu convivia com outras culturas e era mais calor. Eu gostei mais, foi muito divertido.”

Benefícios
Para Renata, a melhor parte da viagem foi conhecer muitas pessoas e de diferentes culturas. Mas ela admite que a experiência é muito positiva no âmbito pessoal. “Você aprende a se virar. Tinha que levar minha roupa para lavar e almoçar sozinha, já que nas casas só tinha café da manhã e jantar”, comenta. “Além disso, esse é um investimento na minha educação. Atualmente é essencial para o mercado profissional falar outros idiomas, e um diploma no país de origem da língua vale bem mais.” A estudante do curso de rádio e tv conta que pretende começar a estudar francês e posteriormente fazer outro intercâmbio. “Quando já se conhece o idioma um período menor de permanência já é o suficiente”, analisa. “Eu acho muito legal e quero fazer novamente. Acho bacana fazer ainda jovem porque depois vem o trabalho, casamento, filhos e fica mais complicado.”

Como tirar o passaporte

O primeiro passo para quem deseja tirar seu passaporte é acessar o site do Departamento de Polícia Federal (DPF), onde há as informações e o requerimento a ser preenchido com os dados pessoais. É necessário escolher a localidade e o modelo de passaporte, que pode ser verificado no próprio endereço eletrônico.

Depois de gerar o protocolo, a pessoa irá a Guia de Recolhimento da União (GRU). O boleto deverá ser pago de acordo com a data de vencimento, existindo valores diferentes para cada modalidade de passaporte. Depois disso, compareça ao posto da Polícia Federal, levando a documentação exigida, o GRU pago e o protocolo da solicitação. Em alguns postos é necessário agendar o atendimento.

Entre os documentos exigidos está o RG, certidão de casamento, título de eleitor e comprovante de votação na última eleição, comprovante de quitação com o serviço militar, entre outros. A presença do requerente em uma unidade do DPF é obrigatória, mesmo que ele seja menor de 18 anos. São coletadas as digitais e assinatura, e feita a fotografia. O passaporte é entregue ao titular, com prazo de validade de cinco anos. Porém, a Polícia Federal emite apenas o passaporte comum brasileiro, sendo que para obter o visto é necessário ir até a embaixada ou o consulado do país onde se deseja entrar.

Contatos:
Site - www.dpf.gov.br | E-mail - cau.cti@dpf.gov.br | Fone - 0800-9782336

Rotary oferece intercâmbio cultural

O Intercâmbio Internacional de Jovens do Rotary é um dos programas mais tradicionais do mundo. Através dele, milhares de jovens viajam a diversos países para viver e estudar em ambientes diferentes dos que lhe são naturais. Com o objetivo cultural, de 9 a 10 mil pessoas obtém a oportunidade de conhecer diferentes locais todos os anos.

Originalmente a palavra intercâmbio traduz troca, interação. E é exatamente isso que ocorre no programa desenvolvido por este órgão da sociedade civil. Quem participa é hospedado gratuitamente no país para onde viajará. Por outro lado, a família deve receber um intercambista, também sem cobrar nada, proporcionando-lhe uma experiência familiar.

No município o programa teve início em 1981. Desde então, é o Antônio Reginaldo Geiss quem organiza a atividade no Rotary Clube de Indaiatuba. A cidade já recebeu 24 jovens pelo período de um ano, e seis por dois meses. Mas já enviou 33 indaiatubanos a outros países por 12 meses, e 11 por apenas dois meses. “Também podem participar portadores de necessidades especiais, nós mesmos já enviamos para intercâmbio”, conta.

Mas há regras. Quem desejar participar deve se inscrever exatamente com 15 anos de idade, sendo que a viagem ocorre aos 17 anos. Durante este período de dois anos ocorre a seleção, feita por uma comissão. São aplicadas provas de línguas, exame psicotécnico e entrevistas. “O jovem para viajar tem que ter o perfil, se não ele chega lá e volta, o que é triste, porque ele tira a oportunidade de alguém”, alega.

No distrito que Indaiatuba participa há 45 clubes, sendo que todos têm direito a apresentar candidatos. São de 70 a 80 inscritos por ano e, em média, 25 a 28 viajam no programa de longa duração. “De Indaiatuba geralmente um faz a viagem, no máximo dois por ano, de cada um dos dois clubes”, diz. “O objetivo do programa é cultural, e não o aprendizado de idiomas. A ideia é pegar o período pré-faculdade, para que o jovem estude um ano do ensino médio no país para o qual viajará.”

Custos
Todas as famílias de jovens participantes são voluntárias. No intercâmbio de um ano, o jovem passa por três diferentes casas, permanecendo quatro meses em cada uma. Quando se inscreve, o intercambista indica 10 países que gostaria de conhecer, em ordem de prioridade. O Rotary tenta encaixar os desejos com as disponibilidades, mas não há garantias. “Não temos nem como garantir a viagem. Cerca de 30 mil se inscrevem por ano e no máximo 10 mil viajam”, explica. “Não damos falsas expectativas.”

Os pais arcam com a passagem dos filhos, o seguro e as despesas extras do jovem. Além disso, pagam apenas uma taxa de US$ 700 para a comissão manter o projeto. “O intercambista recebe ainda uma mesada de US$ 50 por mês, paga pelo Rotary. E, todos os anos, cada distrito oferece pelo menos uma bolsa a jovens que não têm condições de pagar”, revela. “Este, sem dúvida, é o melhor programa que existe e a forma mais barata de fazer intercâmbio. Uma oportunidade única, que não se repete. Eu costumo perguntar aos jovens se foi a melhor coisa que já fizeram na vida, e eles respondem que sim.”

As inscrições são realizadas sempre de outubro a novembro. Não esqueça, é imprescindível ter 15 anos, mas não é necessário ter nenhuma ligação com o Rotary. Basta procurar o sr. Antonio Geiss na Rádio Nova Jornal, através do telefone 3875-9141.

Apaixonada pelo Brasil

A simpatia do povo brasileiro foi, sem dúvidas, o que conquistou definitivamente a intercambista Steffi Grossi, 17 anos. Vinda da Alemanha, ela chegou ao Brasil em agosto do ano passado, e não quer mais ir embora. A jovem está participando do programa do Rotary, estuda o 3º ano do ensino médio em Indaiatuba, e apesar de ter saudades de seu país, afirma que é mais feliz aqui. “Eu gosto mais daqui, tanto que nem percebo o tempo passar, foi muito rápido”, diz. “Não imaginava que os brasileiros fossem tão calorosos. Virei brasileira e não quero mais voltar. Por isso vou tentar a dupla cidadania para depois vir morar no Brasil, e meus pais já sabem disso.”

Stef fi é uma das duas intercambistas que o Rotary de Indaiatuba está recebendo atualmente. A outra é de Taiwan, sendo que ambas ficaram muito amigas. Steffi mora em uma vila chamada Herscheid, há cerca de quatro horas de Berlim, e conta que o desejo de fazer intercâmbio surgiu quando assistiu uma palestra em sua escola sobre o assunto. “Despertou em mim a vontade de abrir minha visão para novas culturas. Falei com os meus pais e nós preferimos tentar pelo Rotary, que oferece mais informações e segurança”, explica. “O Brasil não era minha primeira opção, mas quando eu recebi a notícia de que viria para cá, no dia do meu aniversário, fiquei assustada mas muito feliz.”

Antes de embarcar, a estudante leu bastante sobre o nosso país e entrou em contato com pessoas que já tinham vindo para cá. “Só ouvi falar coisas boas, e então me pareceu a melhor opção”, comenta. Ela admite que, quando chegou, a maior dificuldade foi a língua, mas depois ela fez aulas de português, e em um mês já estava entendendo e no segundo mês falando bem. Hoje, Steffi tem compreensão e pronúncia praticamente perfeitas. “As pessoas aqui falam muito rápido e, no início, eu não sabia o que fazer, como cumprimentar, mas isso passou rápido”, relata. “O mais legal do Brasil é como as pessoas te tratam. Seria mais difícil para um intercambista ir para a Alemanha, porque lá não se faz amigos tão facilmente como aqui.”

Família
A alemã já está na terceira família, a Escodro, desde abril. Mas passou pelas famílias Hubert e Sander. Na casa que está atualmente é “filha única”, mas ela leva uma vida normal de uma jovem de sua idade. Além de estudar, sai à noite, mas tem horário para voltar e quando chega tem que avisar os pais. “Mudou tudo na minha vida. Fiquei muito mais responsável e levo as coisas mais a sério. Conheci muitas pessoas, uma nova língua e abri minha visão”, analisa. “A vida aqui é muito diferente, assim como a felicidade de vocês. As pessoas reclamam menos. Eu estou mais feliz e aprendi a sorrir mais.”

Steffi viajou um mês pelo Brasil com outros 76 intercambistas, passando por Brasília e toda a costa do país. Ela conta que achou os lugares lindos, e que encontrou muita diversidade e contrates em sua viagem. Seus pais também vieram visitá-la e ficaram em Indaiatuba duas semanas. Fora isso, fala com eles pela internet. “O legal do Rotary é que deram a eles uma filha neste período, uma intercambista mexicana, para que eles não sintam tanto”, diz. “Mas foi difícil ficar traduzindo as conversas, porque agora eu penso, e até sonho, em português.”

Além das pessoas, a jovem gosta do calor brasileiro e das comidas, principalmente as frutas, tornando-se uma apaixonada por manga, melancia e caqui. Ela conta que na Alemanha terá mais dois anos para concluir os estudos, e que sentirá muitas saudades daqui, mas afirma que voltará. “Se eu pudesse falar algo aos jovens, eu diria: façam intercâmbio. Quero que todos saibam o quanto é legal. Muitos têm medo, mas vale a pena”, ressalta. “E o bacana do Rotary é que não é algo comercial, mas sim algo para unir as nações. Conheci muitos países e culturas só pelas pessoas que encontrei aqui.” A intercambista parte de volta para a Alemanha no dia 15 de julho

A experiência de hospedar

Para a bancária Jovelina Maria Cheracomo Escodro, 53 anos, Steffi já é como uma filha adotiva. Apesar de sua rotina ter mudado um pouco, já que ela não possui mais filhos morando em casa, e teve de voltar a levar alguém para a escola, Jovelina afirma que não sente a intercambista como uma hóspede. “Eu não tenho que ficar ‘fazendo sala’ para ela, como se fosse uma visita”, explica. “É como se eu tivesse novamente uma filha de 17 anos em casa, só isso.”

A filha da bancária, e do contador José Otávio Escodro, viajou para a Austrália em 2000 através do programa do Rotary. “É uma forma de retribuir o que fizeram por minha filha lá fora. Por isso eu quis receber alguém, não importava de onde viesse”, afirma. “Mas não sei se é porque a Steffi é muito simpática, e todos gostam dela, mas é realmente como se ela fizesse parte da família. Meus parentes quando ligam, perguntam dela.”

Jovelina diz que faz questão de colocar à mesa alimentos típicos e comidas diferentes, para que a jovem experimente. “Quando vejo uma coisa diferente já penso em trazer para ela experimentar”, comenta. “E ela come de tudo, arroz, feijão, verdura de todos os tipos, e adora frutas.” A “mãe” também fez muita amizade com os pais de Steffi, quando eles vieram ao Brasil. “Eu não esperava que fosse tão bom”, fala. “Realmente, esse programa do Rotary é uma promoção da paz mundial.”

Segurança e comodidade

Planejar uma viagem sem o auxílio de uma agência não é uma tarefa fácil. E as dificuldades aumentam quando o assunto é intercâmbio, já que é necessário pensar em outros itens, como local de hospedagem, cursos que serão realizados, oportunidades de trabalho, entre outros. Desta forma, o auxílio de uma empresa especializada no ramo é fundamental.

Em Indaiatuba a Sinergy Turismo é credenciada na Embratur. A responsável pela agência, Vânia Barreto, atua no ramo há 10 anos, além de ser guia de turismo internacional. Ela, que também é proprietária da escola de idiomas Fisk da cidade, há 21 anos, explica que é comum que alunos busquem cursos no exterior. “Isso é automático, pois quem busca aprender uma língua quer abrir sua mente”, analisa.

A empresária argumenta que a ascensão profissional está ligada a pessoa conhecer, no mínimo, mais uma língua, e que a vivência internacional é o meio mais fácil de se obter a fluência. “O ganho em aprendizagem de quem viaja ao exterior é muito grande, nem que seja o de aprender a ‘se virar’”, alega. “Além disso, o número de horas em contato com a língua é muito maior do que dentro da sala de aula.”

Segundo Vânia, não há mais idade para se realizar um intercâmbio, já que há escolas que oferecem cursos até mesmo para a terceira idade. Ela afirma que os valores são acessíveis, bastando apenas foco e organização. “Tudo é questão de prioridade e planejamento. A pessoa consegue viajar poupando um pouco por mês”, garante. “É o melhor investimento da vida.”

A guia sabe o que está dizendo, afinal, fez intercâmbio há 43 anos, participando da segunda turma que partiu do Brasil para estudar no exterior. “Essa experiência direcionou minha vida”, comenta. Para a profissional no assunto, uma das grandes vantagens do intercâmbio é o net­work. “A rede de relacionamentos que você faz em outros países é muito positiva. Não é só aprender e obter cultura, mas fazer contatos para futuros negócios”, diz.

Atuação
A agência tem o objetivo de auxiliar o interessado a organizar sua viagem, existindo diversas opções de acordo com o interesse. Porém, o estabelecimento trabalha apenas com programas que já existem, não atuando, por exemplo, na área de pós-graduação. “Nós indicamos as universidades com potencial, mas não temos um programa específico”, fala. “Normalmente as agências são voltadas para o aperfeiçoamento de línguas no exterior e experiências culturais.”

São cobrados os custos operacionais. Além disso, os preços variam de acordo com as escolhas. Na modalidade High School, por exemplo, as famílias hospedeiras são voluntárias, mas os pais podem optar por escolas públicas ou particulares. Também nos cursos de idiomas há três tipos de hospedagem: o homestay, que é uma casa de família, onde se paga meia pensão ou completa; a residência estudantil, que funciona como uma república; e o campus universitário (EUA), que possibilita a oportunidade da pessoa estender seu curso de línguas para um de nível superior.

Por fim, a agência também trabalha com passagens de estudantes, que têm custos reduzidos. “Os valores giram em torno de US$ 800, sendo que há tendências de diminuir até o final do ano”, informa. A empresa, porém, não ajuda a tirar visto e passaporte, fornecendo apenas orientações. “A pessoa deve começar a ir atrás de tudo com seis meses de antecedência, já que o processo de visto demora, e para conseguir passagens mais baratas.”

Para Vânia, a organização através de uma empresa especializada e capacitada garante o sucesso do intercâmbio. “Atualmente há na Internet muitas opções. Porém a pessoa corre o risco de se decepcionar ou nem entrar no país, porque a escola escolhida não é credenciada pelo governo”, esclarece. “É mais seguro ir através das agências, inclusive pela garantia de qualidade das escolas e cursos escolhidos.”

Modalidades oferecidas

High School – Alunos no ensino médio cursam um ou dois semestres do ano letivo em uma escola estrangeira, com notas válidas no Brasil. O estudante pode ficar com uma família hospedeira, participando da rotina da família, ou morar em um campus. O jovem deve ter entre 15 e 18 anos e ter conhecimento intermediário do idioma do país.

Au Pair – Trabalho legal em outros países como babá, tomando conta de crianças, com atividades como supervisionar, arrumar o quarto, levar e buscar na escola, auxiliar nas tarefas, entre outras. A pessoa faz “parte” da família, e reside na mesma casa. Além disso, o interessado pode estudar o que desejar, incluindo línguas e outros cursos. Normalmente destinado a mulheres de 18 a 30 anos com inglês intermediário. É necessário ter experiência. Período de nove meses a um ano.

Work and travel – Trabalho para universitários no período das férias (3 a 4 meses) em hotéis, resorts, cassinos, lojas, estações de esqui, entre outros. Ocorre principalmente nos Estados Unidos, com possibilidade de aprimorar o inglês. Voltado para jovens entre 18 e 28 anos.

Work and study – Intercâmbio para adultos que intercala os estudos com as oportunidades de trabalho. Há programas no Canadá e no Reino Unido com exigências de idade e de nível intermediário de inglês.

Estágios – Programa do governo americano que permite que brasileiros realizem um estágio supervisionado, remunerado ou não, em qualquer lugar dos Estados Unidos, pelo período de 6 a 18 meses. Não é necessário ter experiência e o estudante pode realizar seu estágio obrigatório do curso.

Cursos no exterior – Há programas teens (para adolescentes) a partir dos 13 anos durante o período das férias escolares. Os jovens passam um mês fazendo cursos de idiomas com um guia. Agrega ainda atividades culturais e turísticas. Há também cursos de idiomas para pessoas com mais de 16 anos. É possível escolher qualquer país e diversas línguas, sendo que o período mínimo do curso é de duas semanas, porém, cada módulo dura quatro semanas. É possível escolher o país de destino, a cidade, a escola e o tipo de hospedagem.

<< volta

 
ANUNCIE
3825-5500
 
 
Revista da Tribuna - encartada no jornal de maior circulação na cidade - Tribuna de Indaiá

© 2009 - Revista da Tribuna - Tribuna de Indaiá
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

REVISTA DA TRIBUNA
RUA HÉRCULES MAZZONI, 873 - CENTRO
FONES - PUBLICIDADE 3834.2508
                      REDAÇÃO 3834.2926