
Por Cristiane Barnabé*
especial para a Revista da Tribuna
No
final dos anos 80, americanos e europeus adotaram um novo estilo
de vida, o cocooning, ou seja, a volta ao lar. Do trabalho ao
lazer, quase tudo foi centralizado dentro de casa, exigindo que
os espaços fossem redimensionados para acolher com o máximo
conforto as atividades antes catalogadas em agendas elegantes.
Nosso vocabulário logo incorporou conceitos como home theater,
para designar a sala com telão ou com televisão
de grande porte, ou home office, para ambiente especialmente preparado
por quem trouxe o escritório para perto da família.
Camas e armários continuam indispensáveis e insubstituíveis,
mas ganharam novos companheiros, móveis, ou imóveis,
descartáveis ou duradouros, já que é ali
que crianças estudam, brincam, veem TV e usam o computador.
Flexível, como tudo que tem vida própria, a casa
cresce, encolhe, estica ou se subdivide. Conforme o estilo de
vida e o tamanho da família num dado momento de sua existência.
Hoje, o quarto virou sinônimo de lazer, de diversão,
de estudo e até de trabalho. Às vezes, é
mais visitado que a própria sala de estar. Os aparelhos
eletrônicos contemporâneos dominaram esse ambiente
e nos obrigaram a planejar ainda mais cuidadosamente o espaço.
Junta-se a isso as dimensões cada vez mais reduzidas das
casas e apartamentos. O instrumento para se resolver esta equação
é a criatividade.
Os espaços de circulação devem ser fundamentais,
com móveis bem dimensionados e bem distribuídos
para o conforto dos moradores. É sempre bom lembrar que
portas e janelas demarcadas pelo projeto arquitetônico também
contribuem para uma ótima distribuição de
móveis e um bom fluxo de pessoas.
Antes de começarmos a decoração de um ambiente
alguns acabamentos devem estar preparados como a pintura e os
papéis de parede, rebaixo de teto, instalação
de sancas, rasgos, molduras e pontos de luz e pisos.
Na
sala de estar esqueça a obrigatoriedade de formar conjuntos
como duas mesas iguais nas laterais do sofá, dois abajures
e uma mesa de centro. Fica charmoso brincar com baús, mesas
diferentes entre si, etc. Em espaços pequenos, as mesas
de centro podem ser substituídas por um pufe. Ainda a mesa
de centro, ela não é um mero adorno, serve de apoio
para xícaras ou copos usados por quem está sentado
no sofá. Portanto, o ideal é não precisar
se levantar para alcançá-la. As cômodas, antes
usadas nos quartos, hoje ganham espaço na sala de estar.
Uma tendência são as cômodas revestidas com
espelho.
Nos quartos, os nichos e prateleiras são bons para guardar
brinquedos, livros e artigos menores. As cores claras criam ambientes
tranquilos e suaves. Bicama é o recurso que mais economiza
espaço para a cama extra do hóspede, no caso de
quartos de crianças. Piso de madeira é mais fácil
de limpar e mais aconchegante que os cerâmicos. Outra opção
é o carpete, mais aconchegante ainda e em casos de apartamento
funciona como isolante acústico. O quarto do casal ganha
mais personalidade quando cada qual escolhe seu próprio
criado mudo, de acordo com o estilo preferido e finalidade que
pretende dar à peça.
Home office não se trata de levar o trabalho
para casa, mas levar a vida profissional para perto da família.
A iluminação deve ser perpendicular, vinda da direita
por quem é canhoto, e da esquerda para os destros. Assim,
sempre que estiver lendo ou escrevendo a mão não
fará sombra sobre o papel. As estantes sempre funcionais
porém com um design próprio compõem a decoração.
Os arquivos perto da mesa e em gavetões agilizam os movimentos.
Nos revestimentos e nos acessórios, praticidade vem sempre
na frente. As persianas são de fácil limpeza.
Home theater o cinema em casa precisa de um móvel
dimensionado para abrigar toda a aparelhagem de áudio e
vídeo, além de sofás e poltronas que tragam
conforto. A distância ideal entre o sofá e a TV é
de no mínimo 3 metros e a angulação adequada
entre a TV e as poltronas ou chaises, que ficarão nas laterais,
e de no mínimo 30 graus. O centro da tela da TV deve estar
na linha dos olhos de quem está sentado. Os fios devem
estar escondidos. Se necessário, um fundo falso ou um painel
de pelo menos 3 centímetros resolve o problema. Para saber
se seu aparelho de TV é proporcional ao tamanho da sala,
consulte a tabela abaixo:
De 29 a 34 polegadas = no mínimo
12 m2
De 34 a 40 polegadas = até 24 m2
De 40 a 70 polegadas = cerca de 36 m2
De 72 a 100 polegadas = 60 m2
A iluminação é imprescindível. A ausência
total de luz pode prejudicar a visão assim como uma janela
ou spot de frente para a tela atrapalham o prazer de assistir
a um bom filme. Bom senso e equilíbrio podem estar traduzidos
nas diversas formas de iluminação indireta. Os dimmers,
por exemplo, possibilitam a regulagem de luminosidade, enquanto
as arandelas instaladas à meia altura da parede fornecem
luz na medida certa. Outro recurso aconchegante são as
cortinas do tipo black-out, que escurecem bastante o ambiente.
Para garantir uma acústica impecável, evite pé
direito com mais de 3 metros. Caso a altura exceda esse limite,
o melhor é rebaixar com gesso para não diluir a
qualidade sonora do equipamento. Evite também as superfícies
que refletem o som, como os pisos de mármore, granito e
vidros. Os materiais mais indicados são os “quentes”,
ou seja, madeiras, carpetes, tecidos e cortinas de fibras naturais.
Alguns tópicos da decoração que foram abordados
neste texto, mais tarde serão discutidos detalhadamente.
Aguardem as próximas edições.
* Cristiane Barnabé é arquiteta e decoradora