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Por Tatiane Quadra
Você
sabia que Indaiatuba já teve uma prefeita interina que
comandou a cidade por dois meses e meio?
E que já teve processo de impeachment? Ainda mais, que
teve o primeiro prefeito cassado do país na chamada Revolução
de 1964? Pois acredite, a história política de Indaiatuba
é bem mais rica do que você imagina. O Município
já teve, em 103 anos, entre empossados e eleitos, 26 diferentes
nomes de prefeitos, em 42 diferentes mandatos. E escolherá,
no dia 5 de outubro, um domingo, o novo representante do Poder
Executivo e outros 12 para o Legislativo, para os próximos
quatro anos.
Apesar de Indaiatuba ter um primeiro prefeito apenas em 1905,
a primeira eleição com participação
de moradores locais foi 73 anos antes, quando éramos freguesia
do Distrito de Itu. Em 7 de setembro de 1832, a Igreja Matriz
Nossa Senhora da Candelária foi a seção eleitoral
de 111 votantes, os chamados “cidadãos ativos”,
que participaram da escolha dos vereadores da Câmara Municipal
de Itu e juiz de Paz de Indaiatuba.
As primeiras eleições para vereadores locais ocorreram
em 3 de julho de 1859, quando Indaiatuba foi elevada à
categoria de vila, tendo assim que constituir Câmara própria.
Os representantes foram empossados 28 dias depois. Até
1889, quando ocorreu a Proclamação da República,
a Câmara era o único órgão de poder.
Depois disso, em todo o país os chefes políticos
das cidades eram grandes proprietários de terras, reconhecidos
por patentes mesmo sem ser militares, que eram escolhidos por
poucos homens.
Nesse
sentido, o principal representante da cidade foi major Alfredo
de Camargo Fonseca (foto ao lado), prefeito
de Indaiatuba no período total de 29 anos, 5 meses e 8
dias. Seu primeiro mandato teve início em 7 de janeiro
de 1905 e duas posses foram alternadas com outros comandantes
até 1939, quando foi proibido pelo presidente Getúlio
Vargas o exercício do cargo por pessoas com mais de 68
anos. O major já tinha 70 e faleceu dois anos depois. Nos
intervalos de seus mandatos a Prefeitura foi ocupada por adversários
políticos, sendo que o grupo de oposição
era comandado por Scyllas Leite Sampaio e as famílias Costa,
Silva e Alvarenga. Um fato curioso foi que, em uma das vitórias
da oposição, a cidade teve o segundo prefeito local,
o tenente Roldão Carneiro da Silva, por apenas um dia.
Em 25 de outubro de 1930 ele foi empossado como chefe provisório
do governo revolucionário local, mas no mesmo dia o Comando
de Artilharia Montada garantiu o retorno de Fonseca.
Após a saída do major, o Brasil vivia sob o regime
do Estado Novo, que vigorou até 1945, época de ditadura
em que o prefeito de Indaiatuba era nomeado pelo interventor do
Estado de São Paulo. O primeiro nomeado foi Sebastião
Nicolau, seguido do Dr. Jácomo Nazário, que teve
no total cinco mandatos. Em 1947, todos os prefeitos municipais
foram exonerados por um decreto do governador Adhemar de Barros
e Indaiatuba foi comandada pela única vez na história
por uma mulher, a tesoureira da Prefeitura com 25 anos de atuação,
Helena Tomasi, que permaneceu no cargo de março à
junho do mesmo ano. Jacob Lyra foi o prefeito seguinte, o último
nomeado pelo Governo Estadual, permanecendo apenas seis meses.
Eleitos
O primeiro prefeito de Indaiatuba eleito por voto popular foi
Luiz Teixeira de Camargo Júnior, escolhido com maioria
absoluta de votos em 1948. Mas, durante todo esse período
só há registros de nomes, datas e realizações
dos prefeitos. A partir de 1955 há vários dados
sobre eleições municipais. Neste ano, seis partidos
disputaram as eleições, sendo que Lauro Bueno de
Camargo se elegeu com 972 votos.
Em 1959 o político Alberto Brizolla foi eleito com 1.815
votos, porém, conforme os registros históricos,
seus conflitos com os vereadores ficou claro já na posse.
O motivo do desentendimento era uma assessor de Brizolla, Ivan
Corrêa de Toledo, que anos depois também se tornou
prefeito. A Câmara começou a lançar denúncias
contra o chefe do Executivo e em 12 de abril de 1962 a Tribuna
de Indaiá saiu em edição extra anunciando
o impeachment do prefeito e a posse do vice, que permaneceu até
o final do mandato.
Outro fato interessante foi a cassação do mandato
de Ivan Corrêa de Toledo, em 13 de junho de 1964, oito meses
após sua posse, por acusação de comunismo.
O prefeito enfrentava uma Câmara composta totalmente pela
oposição e ainda tentou reverter a situação.
Mas em abril de 64 ocorreu na cidade a “Marcha da Família,
com Deus e a Democracia”, em oposição ao prefeito
e em 13 de julho o presidente Castelo Branco publicou uma lista
de cassação que incluía o nome de Toledo.
A prefeitura foi assumida por Romeu Zerbini, que teve dois mandatos
intercalados com a chefia de Mário Araldo Candello. Depois
disso, o governo de Indaiatuba foi intercalado por 20 anos entre
Clain Ferrari e os irmãos José Carlos e Flávio
Tonin, sendo assumido por Reinaldo Nogueira em 1997 e pelo atual
prefeito José Onério da Silva em 2005.
Toda esta história está relatada no livro “O
ofício de compartilhar histórias”, de Ana
Lígia Schachetti.
Como escolher
um bom candidato?
O
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em parceria com o Senado Federal,
editou este ano um Guia do Cidadão Eleitor. O objetivo
é orientar a população sobre as eleições
municipais, informando sobre o papel e as obrigações
de prefeito e vereadores, e como cobrá-los de suas ações.
O tema é importante, já que estes políticos
serão os responsáveis pela administração
de nossa cidade nos próximos quatro anos, e suas decisões
influenciam diretamente no nosso dia-a-dia. Que tal saber um pouco
mais?
Na cartilha, a Justiça Eleitoral explica que o Poder Executivo
Municipal é exercido pelo prefeito, responsável
pela administração da cidade, o que inclui a realização
de obras, prestação de serviços como de saúde,
educação, abastecimento de água, limpeza
pública, além da execução de programas
que beneficiem a comunidade e a fiscalização do
cumprimento das leis aprovadas na Câmara. O prefeito é
eleito por maioria de votos e tem que prestar contas de seu trabalho
aos parlamentares e população.
Já
os vereadores exercem o Poder Legislativo, ou seja, representam
os cidadãos e fazem as leis do Município, que devem
ser obedecidas por todos, incluindo as empresas e Prefeitura.
Também é papel do parlamentar fiscalizar a atuação
de toda a administração municipal e defender melhorias
para a cidade. Um bom representante na Câmara não
age como intermediário de benefícios, mas pensa
na população como um todo. Os vereadores são
escolhidos de forma proporcional, que leva em consideração
os votos válidos, seja aos candidatos ou às legendas,
e o número de vagas, que em Indaiatuba são 12. São
eleitos os candidatos mais votados dos partidos que atingirem
esse coeficiente eleitoral.
Para
o TSE, a melhor forma de escolher um bom candidato é avaliando
o caráter, o passado, a qualidade das propostas feitas
durante a campanha, a competência para o trabalho e o compromisso
com a comunidade. Prefeitos e vereadores têm de ser bons
administradores, além de ouvir o povo, para saber tomar
decisões que melhorem a vida de todos.
Reflita se o candidato tem comprometimento com o povo ou apenas
com ele mesmo. Veja se as propostas são viáveis
e úteis e se ele é realmente um candidato sério
e honesto. Informe-se, pense bem e vote com consciência.
Aprenda
a votar
•
O eleitor deverá votar primeiro para vereador e depois
para prefeito. O teclado da urna é similar ao de um telefone
e você deve teclar o número de sua preferência.
• Aparecerão na tela foto, o número, o nome
e a sigla do partido do candidato. Se as informações
estiverem corretas, aperte a tecla verde “confirma”
e o equipamento emitirá um sinal sonoro.
• Após as duas escolhas aparecerá no visor
a palavra “fim”.
• Se não aparecerem todas as informações
desejadas, aperte a tecla laranja “corrige” e repita
o procedimento.
•Caso você queira votar apenas na legenda, e não
em um vereador em específico, digite apenas o número
do partido.
• Para votar em branco basta apenas apertar a tecla específica.
Porém, se você digitar um número inexistente
e apertar a tecla “confirma” o voto será contabilizado
como nulo.
Relação
dos
prefeitos de Indaiatuba
1. Major Alfredo de Camargo Fonseca - 7/1/1905
a 24/10/1930
2. Tenente Roldão Carneiro da Silva -
25/10/1930
3. Major Alfredo de Camargo Fonseca - 26/10/1930
a 19/12/1930
4. Francisco Xavier da Costa - 20/12/1930 a 4/5/1931
5. Major Alfredo de Camargo Fonseca - 5/5/1931
a 4/9/1934
6. Scyllas Leite Sampaio - 5/9/1934 a 18/1/1936
7. José Cardoso da Silva - 19/1/1936 a
19/10/1936
8. Scyllas Leite Sampaio - 20/10/1936 a 22/9/1937
9. José Cardoso da Silva - 23/9/1937 a
14/5/1938
10. Major Alfredo de Camargo Fonseca - 15/5/1938
a 12/7/1939
11. Sebastião Nicolau - 13/7/1939 a 7/5/1943
12. Jácomo Nazário - 8/5/1943 a
28/6/1944
13. Sylvio Talli (interino) - 29/6/1944 a 26/9/1944
14. Jácomo Nazário - 27/9/1944
a 23/11/1944
15. Sylvio Talli (interino) - 24/11/1944 a 18/1/1945
16. Jácomo Nazário - 19/1/1945
a 21/10/1945
17. Olavo Lima Guimarães (interino) -
22/10/1945 a 9/12/1945
18. Benedito Soares Siqueira (interino) - 10/12/1945
a 16/12/1945
19. Jácomo Nazário - 17/12/1945
a 1/1/1946
20. João Walsh Costa - 2/1/1946 a 18/2/1946
21. Jácomo Nazário - 19/2/1946
a 24/3/1947
22. Helena Tomasi (interina) - 25/3/1947 a 9/6/1947
23. Jacob Lyra - 10/6/1947 a 31/12/1947
24. Luiz Teixeira de Camargo Jr. - 1/1/1948 a
31/12/1950
25. Lauro Bueno de Camargo - 1/1/1951 a 31/12/1951
26. Jacob Lyra - 1/1/1952 a 21/12/1955
27. Lauro Bueno de Camargo - 1/1/1956 a 31/12/1959
28. Alberto Brizolla - 1/1/1960 a 10/4/1962
29. Odilon Ferreira - 11/4/1962 a 29/8/1963
30. Sinézio Martini - 30/8/1963 a 6/101963
31. Odilon Ferreira - 7/10/1963 a 31/12/1963
32. Ivan Corrêa de Toledo - 1/1/1964 a
12/6/1964
33. Romeu Zerbini - 13/6/1964 a 31/1/1969
34. Mário Araldo Candello - 1/2/1969 a
31/1/1973
35. Romeu Zerbini - 1/2/1973 a 31/1/1977
36. Clain Ferrari - 12/2/1977 a 31/1/1983
37. José Carlos Tonin - 1/2/1983 a 31/12/1988
38. Clain Ferrari - 1/1/1989 a 31/12/1991
39. Flávio Tonin - 1/1/1992 a 21/12/1996
40. Reinaldo Nogueira Lopes Cruz - 1/1/1997 a
21/12/2000
41. Reinaldo Nogueira Lopes Cruz - 1/1/2001 a
31/12/2004
42. José Onério da Silva (atual)
- 1/1/2005 a 21/12/2008
* Fonte: O tempo e a gente –
Silvia Teixeira de Camargo Sannazzaro