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Por CYNTHIA SANTOS
Alguns
as veem como segunda mãe, outros como um porto seguro nos
momentos de emergência, em que não se tem a quem
recorrer. Independente do conceito que se tem delas, a verdade
é que as avós são responsáveis por
ótimas lembranças de nossa infância. São
elas também que hoje contribuem – e muito –
com a nova geração de mães, que trabalham
o dia todo e acabam delegando parte da educação
dos filhos às mães e sogras.
Ser avó ou avô é uma missão tão
especial que aqueles que desempenham esta tarefa têm até
mesmo um dia no calendário, 26 de julho, quando é
celebrado o Dia dos Avós. Para fazer uma homenagem às
“mães fora de época”, a Revista
da Tribuna conta os prazeres e dificuldades de ser avó,
sob a ótica de uma jovem senhora de 58 anos, que há
cinco abraçou a oportunidade de cuidar do único
neto com muita disposição.
A aposentada Aparecida Marchi, 58 anos, descobriu
o prazer de ser avó há cinco anos, com a chegada
de Arthur, filho de Patrícia Bravo
Gonçalves, 34 anos, sua caçula. Atualmente,
Arthur fica com a avó às quintas e sextas-feiras.
Mas, dos 4 meses até o ano passado, frequentava a casa
de Cida todos os dias, no período da tarde, quando retornava
da escola. “Ele começou a ir para a escola com 1
ano e 9 meses”, lembra. “Eu fazia tudo: brincava,
trocava, dava banho, jantar, comida.”
Para Cida, o neto tornou-se uma figura indispensável no
seu dia-a-dia. “É muito gostoso ter o Arthur em casa”,
conta. Mas revela que, no começo, quando ele era apenas
um bebê, foi difícil se acostumar. “Apanhei
bastante, porque tive que reaprender a cuidar de uma criança
pequena, minhas filhas já eram adultas, sem contar que
ele era muito bravo, chorava quando ia tomar banho e trocar”,
explica.
Para piorar, quando Arthur nasceu, Cida quebrou o pé, mais
uma dificuldade para lidar. “Além disso, eu tive
que me adaptar, porque tinha toda uma rotina, horários,
foi difícil”, relata. “Eu me apavorava, porque
era muita responsabilidade cuidar do filho de outra pessoa, mesmo
que fosse da Patrícia.”
Mas com o tempo neto e avó se adaptaram um ao outro e se
tornaram grandes companheiros. “Hoje é fácil
cuidar dele. Ele mesmo já chega e escolhe o desenho que
quer assistir”, comenta. Além dos desenhos, Cida
mima o neto comprando revistinhas para colorir em uma banca próxima
a sua casa, toda quinta-feira. “Ele chega e já pergunta:
‘Vó Kika, nós vamos comprar revistinha hoje?’”,
comenta. O apelido “Vó Kika”, que nada tem
a ver com Cida, surgiu quando Arthur mal sabia falar. “Acho
que para ele era difícil falar Cida, ele começou
a me chamar de Kika e ficou”, justifica, sem nem se incomodar
com o apelido meio “torto”.
A aposentada é a prova de que ser avó não
é apenas cuidar do pequeno. É preciso também
abusar da criatividade, para que a criança não se
sinta entediada. “Às vezes a gente brinca de zoológico,
espalhando os bichinhos dele pela sala”, revela. “Ele
também gosta de assistir desenhos”, diz. Quando Arthur
passa a noite com a avó, o passatempo preferido é
contar histórias, até que o neto durma. “Ele
adora ouvir eu contar como ele era quando nasceu”, diz.
Filha
Patrícia reconhece que a ajuda da mãe é fundamental
para que possa trabalhar com tranquilidade. “Mãe
é tudo. Se não tivesse a minha seria muito difícil”,
avalia. “Com ela, eu tenho certeza que meu filho é
bem tratado”, garante. “Acho que se fosse para deixar
com uma babá eu não confiaria.” Além
da confiança, Patrícia destaca a questão
econômica. “Eu gastaria muito se tivesse que deixar
o Arthur na escola o dia todo ou pagar para alguém cuidar
do meu filho, por isso, a ajuda da minha mãe é imprescindível”,
observa.
A colaboração de Cida para a filha não se
resume apenas nos momentos em que ela precisa trabalhar. Quando
Patrícia quer fazer algum programa a dois com o marido,
a mãe está sempre disposta a ficar com o neto. “Se
um dia a gente quer ficar sozinho, namorar, o Arthur fica aqui
também, sem problemas”, conta.
Se por um lado é ótimo ter a mãe disponível
para ficar com o filho enquanto se pode trabalhar e passear tranquila,
deixar o pequeno aos cuidados da avó pode causar o mimo
excessivo. No entanto, Patrícia garante que no caso da
relação entre sua mãe e Arthur não
há grandes problemas. “Minha mãe não
extrapola, não tenho que reeducá-lo quando chego
em casa, mas é claro que ela mima o Arthur”, conta.
A avó admite que mima o neto, mas enfatiza que respeita
a educação que Patrícia dá ao filho.
“Quando ela fala que ‘não pode’, eu também
não deixo fazer, porque acho que a mãe está
certa”, relata. “Eles (as crianças) já
são uns ‘tiraninhos’, se você deixar
que eles façam tudo o que querem, depois não tem
mais controle”, completa Patrícia.
E não é à toa que as avós são
chamadas de “segunda mãe”, porém, com
uma dose extra de tolerância. “Filho do jeito que
você faz alguma coisa, está bom”, argumenta
Cida. “Para o neto, você quer fazer sempre o melhor,
porque também quero agradar minha filha e meu genro”,
completa. A tolerância de avó é tanta, que
Cida nem gosta de ver o neto levando bronca. “Eu falo para
a Patrícia deixar o Arthur fazer o que quer, não
precisa ser tão brava”, revela. Patrícia se
justifica: “Eu vejo que ele faz coisas com ela que eu e
minha irmã não fazíamos, ela deixa ele fazer
tudo”, explica.
Tímido diante de desconhecidos, Arthur pouco fala com a
repórter. Questionado se gosta de ficar na casa da avó,
faz birra: “Não!”, arrancando risos de Cida,
que apenas pelo largo sorriso mostra quão gratificante
é a tarefa que lhe foi designada.
Proporção de
mulheres
que trabalham é maior
Cada dia se tornam mais comuns os casos de crianças que
são criadas pelas avós. O número cresce na
mesma proporção em que aumenta a quantidade de mulheres
no mercado de trabalho. Em cinco anos, de 2003 a 2008, o nível
de ocupação das mulheres brasileiras cresceu 3%,
de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Pesquisa sobre mulheres no mercado de trabalho aponta que a proporção
de mulheres ocupadas em relação à população
em idade ativa feminina (nível de ocupação
das mulheres) cresceu em janeiro de 2008, atingindo 43,1% contra
40,1% em janeiro de 2003, ou seja, crescimento de três pontos
percentuais. Entre os homens, o nível de ocupação
foi de 61,0% e 62,1%, respectivamente, em janeiro de 2003 e janeiro
de 2008, crescimento de 1,1 ponto percentual.
Embora as mulheres sejam um contingente maior no mercado de trabalho,
as famílias ainda necessitam da ajuda dos avós do
ponto de vista econômico. Afinal, não se pode negar
a economia que se tem quando os filhos ficam aos cuidados dos
avós durante parte do dia. Uma mensalidade escolar pelo
período integral, custa, em média, 70% a mais do
que deixar o filho na escola durante quatro horas.
O professor PhD Marcos Crivelaro, especialista em matemática
financeira e consultor em finanças, avalia que ajuda dos
avós é importante. “Casais recém-casados
em busca da independência ‘desgrudam-se’ dos
pais. Mas, com a chegada dos filhos, a dor no bolso ao fazer a
conta na ponta do lápis faz despertar a necessidade de
um reatamento urgente”, considera.
O especialista diz que o apoio dos pais do casal pode representar
uma economia de dois salários mínimos no orçamento
doméstico, levando-se em consideração a mensalidade
de um berçário, transporte escolar e os serviços
de uma babá.
Os preços para se manter toda uma estrutura em torno das
crianças realmente são “salgados” e
talvez nada se compare à confiança depositada nos
avós. Por isso, no dia 26 de julho, lembre-se de agradecer
e não economize no presente!
A origem da data
O Dia dos Avós é comemorado no dia 26 de julho.
O dia foi escolhido para a comemoração porque é
o dia de Sant’Ana e São Joaquim, pais de Maria e
avós de Jesus Cristo. A festa de Sant’Ana foi instituída
em 1584. Só no século passado, no novo calendário
litúrgico, Sant’Ana e São Joaquim passaram
a ser celebrados no mesmo dia.
Conta a história que Ana e o marido, Joaquim, não
tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que o Senhor lhes enviasse
uma criança, prometendo consagrá-la ao seu serviço.
Ana teve uma menina aos 40 anos e a batizou de Maria. A fim de
cumprir o voto que havia feito, aos três anos levou a menina
ao templo, deixando-a ao serviço divino. Neste local, Maria
foi educada, ficando até a época do noivado com
São José.
O culto aos pais da Virgem Maria é antigo, sobretudo entre
os gregos. No Evangelho, no entanto, não há qualquer
menção aos seus nomes. Só no Proto-Evangelho
de Tiago, apócrifo do século II, há a história
de Joaquim e Ana, pais da Virgem Maria. Mas, mesmo tendo sido
escrito naquele tempo, texto apócrifo não era considerado
inspirado por Deus, por isso, não está na Bíblia.
Sant’Ana é a padroeira dos idosos e das mulheres
grávidas. Dizem que concede gravidez às mulheres
estéreis. São Joaquim é considerado patriarca
da família.
Fonte: Wikipédia