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Por TATIANE QUADRA
Elaborar
um bom currículo e despertar o interesse para uma entrevista
é a primeira etapa na busca de uma colocação
no mercado de trabalho. Mas, como se comportar diante de um entrevistador,
de modo a passar para as próximas fases do processo seletivo
ou já conquistar o emprego? É claro que isso não
depende só de você, mas de outros fatores, como o
perfil que a empresa busca para aquela vaga. Porém, é
possível evitar erros e agir de forma favorável
para ser o escolhido.
A especialista em seleção e orientadora de performance
Carla Borges alerta: não há uma segunda chance para
causar a primeira impressão. “Na realidade a pessoa
tem 30 segundos para gerar uma boa impressão, e isso ocorre
já na entrada da sala do entrevistador”, afirma.
“Portanto, o principal é se preparar emocionalmente
ainda em casa.” Carla, que também é psicóloga,
declara que quem tem estabilidade emocional ganha pontos em um
processo de seleção. “Os candidatos estão
cada vez mais deprimidos e isso é perceptível na
entrevista, pois já chegam pedindo desculpas”, comenta.
“Portanto, olhe no espelho e diga: eu posso, eu consigo!”
Segundo a especialista, há erros que são comuns,
porém, graves, como chegar atrasado e esquecer o currículo
em casa. Isso porque, o certo é levar o documento sempre.
“Às vezes o currículo não está
com a pessoa que vai te entrevistar. Leve a folha sem dobrar em
um envelope, de preferência branco, e fale sobre ele”,
alerta. Quando ao horário, o recomendável é
chegar com 10 a 15 minutos de antecedência, para que o candidato
tenha tempo de se acalmar e observar a empresa. “Nem mais
nem menos tempo que isso. Vá ao banheiro, relaxe, sem afobação”,
enfatiza. “Olhe o que tem a sua volta e aguarde na recepção,
sem impaciência. Aproveite para olhar os folhetos, boletins
e assim conhecer melhor a empresa.”
Comportamento
Sempre cumprimente todas as pessoas por quem você passar.
“Isso pode ser decisivo”, alerta a orientadora. “Recepcionista,
porteiro, moça do café, todos. Dependendo da postura
que tem, a pessoa pode não ser aprovada. Há casos
em que o entrevistador pergunta justamente para essas pessoas
o que acharam do candidato, já que observam como o candidato
se relaciona com cargos inferiores.”
Ao entrar na sala, cumprimente o entrevistador com um aperto de
mão firme, sem utilizar apelidos ou dar beijos no rosto,
mesmo que seja um conhecido seu. “O bom senso tem que imperar.
Você está ali para ser avaliado como profissional”,
lembra.
“Também nunca minta em uma entrevista de emprego,
seja transparente, é importante passar a informação
correta. Não tente enganar o selecionador porque ele percebe
e é pior. Além disso sempre olhe nos olhos dele,
é o mais seguro.”
O candidato que busca o emprego deve ser o mais claro que puder
em sua fala, para que todos entendam o que está dizendo.
Também não fale demais ou pouco, mas o necessário.
“Em alguns casos a entrevista parece um monólogo,
em outros o candidato dispara e não para mais de falar”,
conta. “Portanto, depois que o selecionador fizer todas
as perguntas, você pode pedir para acrescentar informações.
Pessoas que têm doenças graves devem declarar, mesmo
que não perguntem, não precisa se expor, apenas
informar. Lembre-se que estamos na época das exceções.”
Carla, que também é vice-presidente da Associação
dos Indústrias do Município de Indaiatuba (Aimi),
explica que a primeira entrevista é para abordagem geral,
ou seja, conhecer quem é o profissional, a pessoa e saber
sua estabilidade, inclusive residencial. Já a segunda entrevista
é mais aprofundada, para se observar o potencial para a
vaga. “Neste caso o candidato deve ter mais claro por que
busca esta nova colocação. Se vai participar de
um teste, durma bem, se alimente, cumprimente os concorrentes
e, se usar óculos, não os esqueça. Aliás,
nunca vá sem eles.”
Por fim, a especialista ressalta que a pessoa deve confiar em
si, não criando autopreconceitos ou se boicotando. “Faça
a entrevista tranquilo. A responsabilidade de achar a pessoa certa
é do selecionador, não sua”, diz. “Portanto,
quando terminar, agradeça a participação
e depois de uma semana a 15 dias entre em contato com a pessoa
que o entrevistou e agradeça novamente a oportunidade.
Você pode não ter sido selecionado para esta vaga,
mas pode ser lembrado para outra.”
Sempre fazer
• Se prepare emocionalmente
• Chegue com antecedência
• Cumprimente a todos
• Estude a empresa
• Desligue o celular
• Olhe nos olhos do entrevistador
• Seja claro
• Agradeça a participação
Nunca fazer
• Usar perfume em excesso
• Mascar chiclete
• Abrir o notebook
• Ingerir bebidas alcoólicas
• Usar roupas decotadas, de “praia”, óculos
de sol, bonés
• Ir sujo ou com cabelos despenteados
• Mentir
• Contar brigas ou falar mal da empresa/chefe anterior
Escolha
a roupa certa
Uma das grandes dúvidas
é que roupa usar na entrevista. A especialista Carla Borges
explica que o essencial é não chamar atenção
para o corpo nunca, mas se apresentar enquanto profissional.
Para os homens, em caso de cargos de nível médio,
pode-se usar uma calça de brim, que é menos esportiva
que o jeans. Para vagas de nível técnico ou superior,
a calça deve ser social. Bermudas e calças largas
nunca devem ser usadas. A camisa deve ser nova, sem aparência
de desgaste, e sempre fechada. “Só o último
botão pode ficar aberto, mais nenhum”, enfatiza.
“Aqui em Indaiatuba, pelo calor, não cabe usar terno
e gravata. Também, dependendo da função,
pode-se usar um sapatênis ou um tênis bem limpo, mas
com o sapato preto o risco de errar é menor.”
As mulheres devem evitar minissaias, blusas decotadas, transparentes
e curtas. Para vagas administrativas é recomendável
usar saia tipo secretária (até o joelho), com sandália
ou sapato social, como um scarpin. Outra opção é
a calça social com camisete (camisa social feminina), ou
blusas adequadas e discretas. Para funções de nível
médio é permitida a calça jeans tradicional,
sem ser muito justa ou com detalhes que chamem atenção.
A maquiagem deve ser básica e leve, sem exageros, e os
perfumes muito suaves.