:: Por CYNTHIA SANTOS
Passando
por uma fase de reestruturação após um período
de incertezas sobre a continuidade dos trabalhos filantrópicos,
a Casa do Caminho, que comemora 20 anos de fundação
em 2009, dá sequência às atividades com crianças
e adolescentes carentes. Escolhida para a série de matérias
com entidades desta edição da Revista da
Tribuna, a nova diretoria revela seus projetos e dá
dicas de como a comunidade pode ajudá-la.
A Casa do Caminho foi fundada em 1989, mas os trabalhos foram
antecedidos pela entidade Voluntárias de Integração
da Periferia Social (Vips), liderada pela radialista Aydil Pinesi
Bonachella. Milhares de menores carentes passaram pela instituição,
que oferece oficinas às crianças e adolescentes
no horário inverso ao da escola.
Após anos de atividades, devido às dificuldades
financeiras, chegou-se a cogitar a extinção da Casa
do Caminho, mas um grupo de voluntários decidiu continuar
com o trabalho social e uma nova diretoria foi eleita no dia 31
de março, para um mandato de dois anos. Planos para esta
nova fase não faltam: a intenção é
ampliar o leque de oficinas oferecidas e preparar os jovens para
o mercado de trabalho.
A entidade atende hoje 33 crianças e adolescentes com idades
entre 7 e 13 anos, com suporte de assistente social, psicóloga
e pedagoga. São ministradas aulas de informática,
artesanato e apoio pedagógico, que consiste em aulas de
reforço para os estudantes com dificuldades na escola.
“Antigamente, a Casa do Caminho também atendia jovens
até 18 anos, mas isso acabou se tornando inviável”,
avalia a nova diretoria.

Nova diretoria
da Casa do Caminho
Agora, a proposta da entidade é oferecer
também aulas de música, dança, marcenaria,
tapeçaria, esportes (inclusive para portadores de deficiência),
teatro, jardinagem, mecânica de automóveis e refrigeração.
“Queremos treinar os deficientes para as Olimpíadas
Especiais”, anuncia o presidente da entidade, Cleo Davis
Ambiel Noernberg. A proposta de inclusão visa atender não
apenas os portadores de necessidades especiais, mas também
a terceira idade. “Queremos oferecer oficinas unindo os
idosos e deficientes”, explica.
Projetos
As aulas de jardinagem incluirão o cultivo de ervas medicinais
e horta orgânica. Uma estufa existente nos fundos da sede
da entidade também será reativada para incrementar
os trabalhos. Os canteiros para a horta já vem sendo preparados
pelos voluntários da Casa do Caminho.
Os atendidos são encaminhados pelo Conselho Tutelar, Secretaria
Municipal da Família e Bem-Estar Social ou pelos próprios
pais, que procuram a entidade em busca de atendimento. Antes de
cada criança ou adolescente ser aceito há uma triagem
feita pela assistente social. “Esta profissional faz a visita
na casa da criança ou adolescente e verifica se a família
se enquadra nos requisitos”, explica a vice-presidente,
Josefa Aparecida Néri Guido, a Jô. “Depois
há todo um acompanhamento com a família, porque
não basta trabalhar apenas com o aluno”, acredita
Jô ressalta que a preocupação da diretoria
da Casa do Caminho é com o futuro dos assistidos. “Queremos
que os jovens que passam por aqui se tornem cidadãos dignos,
porque hoje percebemos que eles estão muito egoístas”,
enfatiza. “Pretendemos prepará-los para o mercado
de trabalho e para isso vamos buscar parcerias”, avisa.
Novidade
Outra novidade da nova fase da Casa do Caminho é a transferência
do Instituto Centro de Educação da Vida Blanca Nieve,
administrado pela vice-presidente da entidade, para a sede da
Avenida Presidente Vargas. “Unimos a Casa do Caminho e a
Escola Branca de Neve pelas dificuldades”, relata Jô.
“Antes de entrar para a diretoria da Casa do Caminho, nós
conversamos. Nós tínhamos profissionais e eles não,
então juntamos os voluntários para retomar os trabalhos
da entidade.”
Para abrigar as seis salas de aula da escola Branca de Neve, a
sede da Casa do Caminho está passando por reformas. “Está
sendo tudo na base da doação”, explica. “Estamos
pensando em fazer uma campanha com empresários”,
adianta. A intenção é começar a ministrar
este ano as aulas de educação infantil na nova sede
e no próximo ano expandir para o ensino fundamental. A
estrutura contará ainda com uma quadra poliesportiva.
As dificuldades para manter a entidade são muitas. Com
apenas quatro funcionários, os trabalhos dependem quase
que exclusivamente de voluntários. A Casa do Caminho recebe
subvenção da Prefeitura, mas também realiza
eventos e bazares, cuja renda ajuda a manter a instituição.
O Bazar da Pechincha é permanente e ocorre de segunda a
sexta-feira, das 13h às 16h30, com exposição
de roupas, móveis, sapatos, bolsas, entre outros. Há
ainda o trabalho de telemarketing, que visa arrecadar fundos para
a entidade.
Quem quiser ajudar pode fazer a doação de
roupas, mantimentos, móveis ou em dinheiro. Mais informações
podem ser obtidas pelos telefones 3875-7916 e 3816-5008. A Casa
do Caminho fica na Avenida Presidente Vargas, 890, no bairro Cidade
Nova.