:: Por
CYNTHIA SANTOS
Antigamente fazer compras consistia em se arrumar,
escolher o melhor horário para ir até várias
lojas para pesquisar preços, procurar uma vaga para estacionar,
enfrentar fila para pagar. O que para alguns era considerado mera
diversão para outros poderia ser visto como um calvário.
A internet revolucionou o mercado e surgiu como opção
para aqueles que, por pura falta de tempo ou por comodismo, preferem
comprar sem sair de casa. A facilidade é inegável,
mas o consumidor deve tomar alguns cuidados para evitar problemas.
O
programador John Douglas Rowell alerta que é
preciso observar antes, durante e depois. “Na loja você
compara os produtos, os preços, mas é mais cansativo”,
aponta. “Na compra on-line você olha o preço,
mas não precisa comprar hoje, não cai no papo do
vendedor, pode comprar em qualquer horário”, completa.
Entre as desvantagens da compra virtual, está o fato de
o consumidor não poder tocar no produto antes da aquisição.
“O cliente também não pode levar o produto
para casa na hora”, lembra.
Rowell orienta que antes de comprar é importante utilizar
uma ferramenta útil para os internautas: os sites de cotação.
“Eles são interessantes porque agregam produtos de
várias lojas e você obtém uma boa amostragem”,
explica. Apesar da infinidade de sites que são direcionados
pelos buscadores, é possível confiar nas indicações.
“Geralmente estes sites têm o feedback do cliente
em relação às compras”, enfatiza. Entre
os mais conhecidos, há o Buscapé (www.buscape.com.br),
BondFaro (www.bond-faro.com.br)
e JáCotei (www.jacotei.com.br).
O especialista ressalta que os cuidados antes de fechar a compra
são fundamentais para a segurança. “O atendimento
pós-venda no Brasil ainda é muito ruim, então
o que der para evitar de problema é melhor”, observa.
Durante
Mas não é apenas antes de decidir comprar que o
consumidor precisa estar atento. Durante o processo de compra
e preenchimento de dados, deve estar alerta a possíveis
sinais de que a página virtual não é uma
cilada. Para verificar se o site é confiável, é
bom observar se há um “selo” que certifica
se o ambiente é seguro. “A empresa que fornece este
certificado já avaliou a dona do site”, explica Rowell.
Outra característica que poucos têm conhecimento
é a mudança de um caractere na barra de endereço
eletrônico: em vez de “http” aparece um “s”
de “seguro” no final, “https”. “Se
não tiver este ‘s’ no site, o consumidor nem
deve colocar os dados”, orienta. “A maior parte dos
ataques ocorre quando a seção é redirecionada
para um site falso, mas com características muito parecidas
com o original”, explica.
Durante a compra, o cliente também deve ficar atento se
a imagem de um cadeado aparece na barra de status do Internet
Explorer, indicando mais uma vez que o site é seguro. “Nos
navegadores mais modernos, o nome da empresa aparece em verde”,
revela. Outra dica de Rowell é verificar se o site de compras
oferece cupom de desconto, para obter uma redução
ainda maior no preço.
Na hora de pagar pelo produto, muitas vezes se opta pelo cartão
de crédito. Mas o programador revela que há uma
novidade neste sentido. “Quem não quiser expor o
cartão de crédito pode usar uma ferramenta geralmente
existente no site da operadora de cartão”, esclarece.
“O cliente faz o cadastro e recebe um número de cartão
apenas para aquela compra, ou seja, o número não
pode ser usado de má- fé depois para outros débitos.”
Depois
Após decidir o que comprar e efetuar o pagamento, o cliente
não deve se dar por satisfeito e apenas ficar aguardando
a chegada da remessa. É importante acompanhar o andamento
do pedido para evitar transtornos. “Sempre se deve fazer
o rastreamento dentro do site onde foi feita a compra”,
enfatiza Rowell.
Verificar o e-mail informado no momento da compra também
é aconselhável. “Às vezes a loja manda
um aviso de que por algum motivo o cartão de crédito
não passou, a pessoa fica esperando a encomenda e ela não
chega”, diz.Além disso, o cliente deve rastrear o
pacote, para saber se ele já está na transportadora.
Em caso de não recebimento da encomenda, após entrar
em contato com a loja e não obter retorno, o comprador
sempre pode entrar em contato com o Procon, órgão
de defesa do consumidor. “Aqui em Indaiatuba funciona muito
bem”, acredita.
Rowell costuma adquirir uma variedade de produtos pela internet,
principalmente os que envolvem tecnologia. Mas nem sempre tem
sucesso imediato. No final de novembro do ano passado, adquiriu
um netbook em um site de uma loja renomada. O produto simplesmente
sumiu no trajeto e só foi entregue no final de janeiro,
após muita reclamação.
“Eu só recebi depois que entrei em contato com o
Procon”, revela. “Mas faz muitos anos que compro pela
internet, inicialmente no Brasil não era tão difundido,
mas hoje o mercado está tranquilo.”
Preocupação com
compras pela
internet atinge 52% dos consumidores
O Índice de Segurança Unisys para o Brasil, elaborado
para medir o nível de preocupação dos brasileiros
em relação ao assunto, aponta, em sua quarta edição
(produzida a partir de pesquisa realizada em março deste
ano), que 52% das pessoas estão “seriamente preocupadas”
com a segurança das transações na internet,
notadamente no que tange às compras ou operações
bancárias. Apenas 24% estão “despreocupadas”
e 20% estão “um pouco preocupadas”.
O índice é feito com base em uma pesquisa, por telefone,
com 1.500 pessoas, entre 18 e 65 anos de idade (metade homens,
metade mulheres). Os entrevistados são selecionados aleatoriamente
em famílias das principais regiões metropolitanas
do Brasil, das classes A, B e C. As entrevistas são realizadas
em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza,
Curitiba, Porto Alegre e Salvador. A Unisys é uma empresa
mundial de Tecnologia da Informação.
Outro estudo, da Quorum Brasil Informação e Estratégia,
divulgado no final de maio, conclui que a internet é mídia
utilizada para informação, relacionamento e serviços.
Informação e relacionamento já estão
mais consolidados , enquanto que os serviços ainda são
muito associados a compras e atividades bancárias e aparecem
na rotina de apenas cerca de 15% dos entrevistados.
De acordo com a pesquisa, a desconfiança no modelo ainda
é a principal barreira para o uso da internet em relação
a serviços. Conforme sobe a idade do usuário, mais
eleva-se esta desconfiança, e é justamente nesta
faixa de idade que a disponibilidade de renda para compras tende
a ser maior. Comprovar a segurança do modelo é,
portanto, o maior desafio da internet.
Sites de reclamação
podem ajudar
Outra ferramenta para fazer valer os direitos do consumidor são
os sites em que os internautas podem “colocar a boca no
trombone”. Um deles é o Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br).
Nele, o cliente faz a reclamação contra a empresa
e depois ela tem um espaço para responder. Outro é
o Confiômetro (www.confiometro.com.br).
Nele, o consumidor também faz a reclamação,
que é enviada à empresa. Um ranking mostra quais
as empresas que têm maior índice de solução
de problemas, qual é mais rápida em suas respostas,
entre outros. O banco de dados do Confiômetro é confidencial,
mas não são aceitos e-mails anônimos.
Vende-se
somente pela internet
Alguns
adoram comprar pela internet, pela comodidade oferecida pelo mundo
virtual. Mas há também os que preferem apenas vender
pela web. A artista plástica de Indaiatuba Andréia
Carrasco Martim é um exemplo bem sucedido de utilização
da rede mundial como ferramenta de vendas. Desde agosto do ano
passado ela mantém uma página virtual com seus trabalhos
e as encomendas não param de crescer.
Andréia começou a trabalhar com artesanato há
um ano e meio. “Engravidei e decidi parar de trabalhar para
cuidar dos meus filhos”, conta. “Depois de um tempo
comecei a mexer com artesanato e aí tudo começou.”
Ela trocou a área de logística em uma multinacional
para se dedicar somente à confecção de uma
gama de objetos decorativos ou para presentes. “Sempre
gostei de trabalho manual, então fui estudando e me aprimorando,
até que resolvi ganhar dinheiro com isso”, relata.
As peças são produzidas com madeira, biscuit, bijuteria
e tecido. Entre as mais procuradas estão o topo de bolo
de casamento, terços para as noivas e objetos de decoração.
Desde o princípio, Andréia tentou emplacar seus
produtos na internet. Inicialmente, montou um perfil no site de
relacionamentos Orkut, com fotos das peças artesanais.
“Mas não consegui muito retorno”, revela. “Acabei
mais fazendo contato com pessoas que trabalham com artesanato.
Aprendi muito nas comunidades.”
Em agosto de 2008, Andréia descobriu um shopping virtual
de artesanato, o Elo 7 (www.elo7.com.br)
e decidiu abrir uma loja no portal, o Empório Andréia.
“Por um período, é possível hospedar
a página gratuitamente, depois é necessário
pagar uma taxa anual de R$ 50”, explica. Com seus produtos
na internet, a artista plástica começou a ter contato
com pessoas do País inteiro. “Já mandei terços
para Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo”, conta.
Embora sua loja seja virtual e o trabalho artesanal, Andréia
diz que é importante manter um estoque. “Como é
artesanato, não tem produção em larga escala,
então, quando a pessoa tem pressa, às vezes é
melhor já ter pronto”, argumenta. “Geralmente
minhas encomendas são para noivas e grávidas e elas
sempre estão com pressa”, brinca.
Negociação
Toda a negociação de Andréia com seus clientes
é feita pela sua página virtual. “Tem todas
as ferramentas para me comunicar com o cliente pelo site”,
explica. “Lá é possível calcular o
frete e tem a opção de pagamento com cartão
de crédito.” Em geral, o prazo de entrega, pelo tipo
de produto, é de 15 dias.
Apesar do contato com os clientes ser virtual, Andréia
avalia que é importante transmitir confiança e sinceridade
para que o comprador tenha convicção de que receberá
o produto. “Às vezes até sugiro presentes”,
comenta.
Com quase um ano de vendas virtuais, Andréia se diz satisfeita
com os resultados obtidos. “Já coloquei peças
em lojas da cidade, mas não tive retorno como estou tendo
na internet”, aponta. Outra vantagem de trabalhar desta
forma é a flexibilidade de horários. “Na internet
a disponibilidade para fazer coisas do dia-a-dia é maior
e posso trabalhar na hora que eu quero”, justifica.
Por outro lado, também reconhece as dificuldades. “O
retorno é mais demorado, mas tive sorte de encontrar um
site que passasse credibilidade”, avalia. “Quando
o cliente confia, ele compra sempre na mesma loja”, completa.